sexta-feira, 22 de abril de 2011

O bullying ultrapassa a fronteira da escola


Por Edson Joel

O bullying (do inglês bully, valentão) ultrapassa as fronteiras das escolas e suas vítimas não são apenas estudantes. No ambiente de trabalho é comum identificar vítimas dessa violência. Mas elas próprias nem sempre reconhecem essa agressão.

Pedir planejamentos ou relatórios em prazos impossíveis de execução, tecer críticas constantes e não reconhecer esforços, não compartilhar informações ou pedir a execução de tarefas incompatíveis com o cargo, é assédio moral – bullying ou mobbing.

Nas escolas ou no trabalho, as inscrições nos banheiros com ofensas e humilhações avançaram para a internet. O assédio se modernizou. A justiça, exageradamente formal e lenta não acompanha a evolução de usos e costumes da sociedade na mesma velocidade. Nosso código penal ainda não contempla muitos crimes praticados pela web, por exemplo. Mesmo assim, dentro do que o código oferece, se o autor da violência for menor de 18 anos, vai para a Vara da Infância e Juventude. Maior, dá cadeia.

Os pais, igualmente, podem ser responsabilizados objetivamente pelos atos praticados pelos seus filhos, como diz o código civil de 2002. Neste caso, podem ser condenados ao pagamento de indenizações tal e qual a escola particular de São Paulo responsabilizada pela omissão em um caso de bullying praticado contra uma aluna adolescente. A escola foi condenada ao pagamento de R$ 35.000,00.

Se os responsáveis pela distribuição da justiça sentem-se incomodados pela lentidão da legislação, imaginem as práticas de ações antibullying nas escolas? Como tudo neste país, é hora de se perguntar: vão esperar novos massacres para discutirem, com mais ênfase e determinação, sobre o tema?

PS: O assassino de Realengo confessa ter sido vítima de bullying, certamente um dos principais motivos que o levaram a prática do crime. Ele foi sepultado em cova rasa e sem a presença da família.