quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Preconceito, inclusão, construtivistas e piriguetes


Por Edson Joel

Percebi que a moda no Brasil continua sendo preconceito e inclusão... e, he, he, he, outras "especificidades".

Preconceito disso e daquilo que tá enchendo o saquinho. Você não pode abrir a boca que a "patrulha" cai em cima. A Gisele Bundchen foi acusada de expor a mulher como objeto sexual num comercial de televisão, alias, muito bem sacado e cheio de humor. O Conar já liberou a peça, contrariando as feministas que se horrorizaram com o filmete. Piada que envolva "homens com preferência sexual por outros homens", pra não ter que dizer gay, não tem mais em rádio e televisão e, em breve, de políticos também.

E, perceberam que qualquer discurso contém a famigerada inclusão? Tudo tem que ser incluso, não importa como. Nas escolas públicas, por exemplo, para cumprir uma lei, o aluno com deficiência mental é jogado - não incluso - na sala de aula sem que a escola esteja preparada com equipamentos e professores. Caso a diretora recuse a matrícula - alegando esse despreparo - a promotoria cai em cima. Obedece-se a lei sem medir as consequências.

Falando em educação, nossos pedagogos concluíram que a avaliação escolar é exclusiva, isto é, o aluno se sente diminuído diante de seus colegas. Portanto, dar nota vermelha no caderno, jamais. Os educados saem do fundamental sem alfabetização e os do médio, imbecis. Essa vertente radical do construtivismo no ensino público levou a educação do pais ao caos. Como saber? Dê um jornal para um aluno do ensino médio ler. Basta isso. Ou veja as pesquisas, qualquer uma, que avalie a educação no mundo. O Brasil está sempre na rabeira.

Nos idos tempos dos coronéis dizia-se que quanto mais ignorante, mais fácil de montar um curral eleitoral. Pois é, o tempo passou e os currais continuaram alimentados pelo analfabetismo. O voto do analfabeto que, por essa condição, desconhece o que ocorre à sua volta tem o mesmo peso dos que se esforçam nos estudos e conquistam ferramentas para escolher os que se propõe a dirigir uma país, estado, cidade, etc.  Pra que estudar, né? Garanto uma coisa: se você fugir da escola e sobrar o caminho do crime como única alternativa num mundo tão concorrido, o bolsa bandido, de uns R$ 950,00 está garantido. E mais bolsa família e bolsa crack você estará feito na vida. Ou o que restar dela.

Enquanto isso os estudantes coreanos, japoneses, chineses e europeus, de um modo geral e com raras exceções, estão vencendo nosso time, de goleada. Nossos melhores alunos estão no nível dos piores do primeiro mundo. Só agora é que se ouve falar de um projeto de educação, no Estado de São Paulo, para repetir a façanha dos sul coreanos que há trinta anos começaram a revolução em seu país. E o novo ministro da Educação de Portugal, Nuno Crato, está promovendo uma revolução para recuperar o tempo perdido com o construtivismo que, para ele, é um engano pedagógico completo.

Dizem ser preconceito linguístico se o professor não aceitar a frase "nóis foi pescar os peixe", dita por um aluno, com o argumento de que ele conseguiu se fazer entender. Eu até entenderia se fosse dita por alguém com 3 ou 4 anos de idade, mas não vinda de um marmanjo de 16 anos. "Que lindo", suspira a plateia de raivosos radicais do construtivismo vendo um analfabeto do ensino médio se comunicando assim. Fora os poetas que emolduram frases como "não podemos educar apenas para o mercado de trabalho". Soa lindo, né? Bem politicamente correto. E bem hipócrita.

Pior que tudo isso foi o que ouvi ontem: uma "piriguete" perguntando a outra - o que ensejará um novo preconceito, talvez:

- Tá de brinks com minha face?, misturando um parco português com um inglês inexistente.

Quando mal se fala português e se quer demonstrar que conhece outra língua, faz-se um "mistureba" do tipo "os meus hair está lindo". Neste caso, duplo homicídio. Camões e Shakespeare devem estar se revolvendo nos seus túmulos.