segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Petrobras perde 20 bilhões em um dia

Ações da Petrobras caem mais de 9% após reajuste aquém do esperado

A queda ocorre porque o mercado aguardava reajustes de 6% a 10% para o preço da gasolina, além da divulgação da tão aguardada nova fórmula de reajuste automático


Graça Foster, presidente da Petrobras: fórmula de
reajuste não é apresentada ao mercado (Ueslei Marcelino/Reuters)
REVISTA VEJA- As ações da Petrobras abriram em queda de mais de 9% na manhã desta segunda-feira, após o anúncio do reajuste do preço da gasolina e do diesel anunciado na noite de sexta-feira. A ação ordinária da estatal, com direito a voto, caía 9,06% às 10h45 (horário de Brasília), a 16,66 reais, e a preferencial, sem direito a voto, recuava 6,35%, cotada a 17,90 reais. O Ibovespa operava em queda de 1,62%, a 51.630 pontos. A forte desvalorização representa uma perda de valor de mercado de cerca de 20 bilhões de reais pouco mais de uma hora.

A queda ocorre porque o mercado aguardava reajustes de 6% a 10% para o preço da gasolina, além da divulgação da tão aguardada nova fórmula de reajuste automático, que tem como objetivo dar alguma previsibilidade aos gastos da estatal com a oscilação do preço do petróleo. Como o reajuste foi de apenas 4% para a gasolina e 8% para o diesel, e nenhuma fórmula foi divulgada pelo Conselho de Administração da companhia, a reação do mercado à decisão da última sexta deve pautar o movimento da BM&FBovespa nesta segunda. 

O desempenho das ações evidencia a decepção do mercado sobretudo com a decisão do Conselho da estatal, mais precisamente da própria presidente Dilma Rousseff, de não autorizar a divulgação de detalhes sobre a nova metodologia de reajustes de combustíveis. Segundo analistas, a falta de clareza sobre os critérios mantém incertezas para o mercado, num momento em que a empresa absorve forte defasagem dos preços domésticos na comparação com os internacionais.

Na noite de sexta-feira, a estatal anunciou o reajuste de preços nas refinarias de 4% na gasolina e de 8% para o diesel, já como consequência de uma nova política de preços. O impacto dessa alta nas bombas não deve passar de 2% para a gasolina e 4% para o diesel. No entanto, a empresa disse que "por razões comerciais, os parâmetros da metodologia de precificação serão estritamente internos à companhia". A declaração priva o mercado de informações essenciais sobre o que esperar da companhia para os próximos trimestres.