sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O que o Brasil comemora?


Previsão do Pib era de 3,8%. Deu 2,3% e o governo comemora.

O Brasil não entrou em recessão técnica - quando a economia de um país tem seis meses sequenciais de crescimento negativo - e o governo federal comemora. Lembra bem a situação de uma equipe de futebol que vai para as ruas festejar não a conquista de um título, mas porque não caiu para uma divisão inferior. A previsão era de 3,8% e deu 2,3%. Considerando que em 2012 o PIB foi de 1%, vê-se o que comemorar.

Mas o mercado internacional desconfia que, de novo, tem maquiagem nos números anunciados já que essa artimanha foi utilizada anteriormente pelo Brasil. Somado a isso deve se lembrar que os preços dos combustíveis estão "controlados" artificialmente e a defasagem para os preços reais de mercado chega a 40%. Tal e qual os preços da energia elétrica brasileira, a 11ª mais cara do mundo. Nas duas áreas as empresas sofrem graves consequências com a falta de investimentos para expansão e manutenção. Resultado: apagões.


O setor industrial teve crescimento pífio de 1,3%, serviços 2%, mas o agrícola expandiu 7%. Literalmente, a salvação da lavoura, do Pib e do pescoço de Guido Mantega, nosso desilustrado Ministro da Economia mais gozado pelo mercado financeiro externo.

O Brasil, de novo, tem a maior taxa de juros do mundo (10,75%) e começou 2014  com um rombo astronômico de US$ 11,6 bilhões no saldo entre importação e exportação, o pior resultado desde 1947.  A Petrobras tem uma dívida de R$ 200 bilhões. A inflação continua resistente apontando para números altíssimos. Investidores desconfiam de tantas manobras contábeis. Não há previsão para uma reforma tributária que reduza a carga de impostos tão altos que sufoca a economia. 

Oras, o Brasil comemora o que?