terça-feira, 11 de março de 2014

Ideologia que atrapalha

Sob o tema "Um modelo que trava o Brasil" o economista Raul Velloso escreve para o Globo e critica o viés ideológico-populista do governo que mais atrapalha que ajuda. É o caso do atraso da retomada das concessões privadas no setor de transportes e do controle de preços do petróleo, tarifas públicas de transporte e da energia elétrica. Depois de achincalhar a "privatizadora" Margaret Thatcher, a primeira ministra britânica (1979/1990), a esquerda teve que engolir as privatizações de Dilma Rousseff e se calar. 

"A real capacidade de o país crescer a taxas razoáveis de forma sustentada, sob o modelo econômico em vigor, é uma dúvida" diz Velloso. O PIB (*) cresceu entre 2011 e 2013, no comando de Dilma, uma média de apenas 2%. O desempenho industrial está estagnado e a inflação dispara. 

Para ele "o governo optou por um modelo de sustentação do consumo via elevação dos gastos públicos correntes e do crédito, e parece ter acreditado que, uma vez acionados os fatores de impulsão desse sistema, os investimentos se seguiriam sem maiores limitações e a economia cresceria a taxas elevadas de forma sustentada." Não foi o que aconteceu.

Dificilmente o modelo de crescimento baseado no consumo terá vida longa como motor de crescimento, diz Velloso. Primeiro, porque os fatores de impulsão vão se desgastando. E segundo porque, na essência, se trata de um modelo anti-poupança, e, portanto, anti-investimento.
(*) O cálculo do PIB de um país é feito pela soma dos “valores adicionados” em todas as atividades econômicas. Valor adicionado é a receita gerada pelas vendas, menos o custo de produção do que foi vendido.