sábado, 2 de agosto de 2014

A crise no país: demissões podem começar no setor automotivo

Vendas de carros caem 14% em julho: montadoras cortam produção


As montadoras brasileiras começaram a reduzir a produção de carros desde o começo do ano diante das fracas vendas e estoques altos e uma economia instável. Em julho as vendas caíram 13,8% em relação ao ano anterior, o pior resultado desde 2009. A queda acumulada em ano já chega a 8,6%. De janeiro a julho foram licenciados 1,957 milhão de veículos, 187 mil a menos que no mesmo período de 2013.

Mais de 100 funcionários da Ford de Taubaté serão afastados e mais de 1000 da General Motor entrarão no lay-off - suspensão temporária de trabalho - enquanto a Fiat dará férias coletivas e cerca de 10 mil veículos deixarão de ser produzidos no período. Os pátios das montadoras tem estoques para 45 dias.


Especialistas acreditam que as vendas este ano despencarão em 15% e haverá demissões. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - Fiesp - projeta queda de 0,8% na produção nacional neste ano e não tem boas notícias para 2015 considerando o aumento do preço da energia e insumos importados. A copa de futebol atrapalhou, o crédito diminuiu e houve redução no consumo das famílias, sem contar com as eleições. Haverá queda na produção de eletro-eletrônicos mas as vendas podem subir 4% por conta dos importados.

O faturamento nas vendas de maquinas e equipamentos deve cair, de novo em 2014 e tem péssimas previsões para 2015. O setor acumula perdas de -3% no faturamento de 2012, -5,7% em 2013 e aguarda nova queda neste ano em torno de 3 a 4%. O presidente da Abimaq - Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos - José Velloso, acredita que a retomada de investimentos só ocorra em 2016.

A construção civil não espera bons resultados para este ano que os especialistas afirmam ser um ano perdido. A indústria de transformação vem perdendo competitividade segundo o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo e o setor têxtil patinará entre aumento de produção entre +1 ou -1%. O nível de estoque de produtos em vários setores é grande, aponta pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Ditador Getúlio Vargas, inclusive têxtil, automotivo, calçados e mecânico.

As incertezas são maiores quando se depende da produção de energia elétrica, setor manipulado pelo governo federal com objetivos eleitoreiros. Os preços da energia subirão após as eleições - o governo congelou os preços das tarifas - e isso implicará em aumento de custos de produção com graves consequências para a economia que já sofre com a inflação alta.

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