quinta-feira, 31 de março de 2016

Apeoesp humilha professores, diz jornal. Nem bônus, nem aumento.


"Nós temos R$ 500 milhões para pagar o bônus e a Apeoesp mandou um documento dizendo que o valor destinado ao pagamento de bônus seja convertido em reajuste salarial para todos", afirmou Geraldo Alckmin.

Por Edson Joel

Por conta da decisão do governador do estado paulista de acabar com a distribuição de bônus, eclodiu uma revolta que tanto atinge Geraldo Alckmin como acerta, em cheio e principalmente, a Apeoesp, o sindicato dos professores.O bônus era o pagamento de 2,9 salários a mais, uma vez por ano, para professores, diretores e funcionários de escolas que atingissem as metas do Saresp - Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo -, provas aplicadas pela Secretaria da Educação desde 1996. O prêmio de mérito sempre foi bem recebido por aqueles que se empenharam em conquistar bons resultados. Escolas com melhores notas recebiam bônus. As que atingiam notas próximas da meta, também eram premiadas com um valor menor.


"Desde o início do ano, nosso sindicato nada fez a não ser defender o Governo Dilma, gastando milhões em marchas e ações, sem nenhum controle da base de nosso sindicato" - diz Jornal Esquerda Diário contra a "presidenta" Maria Izabel (foto), da Apeoesp.

Porém, a Apeoesp sempre foi contrária ao pagamento dos prêmios sob alegação de que isso não melhora a educação. Aliás, a categoria sempre foi contra o bônus, preferindo aumento salarial. O governo resolveu, então, atender a reivindicação do sindicato e cortou o prêmio ao mesmo tempo que anunciou que a verba seria distribuída nos salários, inclusive dos aposentados. O aumento seria em torno de 2,5%.

Diante da explosão de descontentamento a Secretaria da Educação resolveu fazer uma consulta entre os profissionais perguntando se eles querem bônus ou 2,5% de reajuste. Nesse ínterim as figuras mais atacadas são o governador - porque cortou o bônus - e a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, que se apresenta como "presidenta". A Apeoesp apoia o PT. Centenas de professores criticaram abertamente o sindicato e, curiosamente, muitos não sabiam que a própria Apeoesp é contra o bônus.

- Vou cancelar minha filiação - disse uma das professoras, revoltada com a situação.

"O bônus beneficia uns e prejudica muitos" - dizem os professores de esquerda. Não foi essa a posição de muitos professores petistas votaram a favor da volta do prêmio. Percebe-se que a neo esquerda está mudando.

O que Alckmin fez foi, literalmente, atender a reivindicação do sindicato. A trolha caiu na cabeça da petista Maria Izabel. "Nem bônus nem aumento" é o titulo do artigo publicado num jornal de esquerda onde se faz intensa crítica ao sindicato no subtítulo "A Apeoesp é uma vergonha atrás de outra". Afirma o jornal que o sindicato colocou a categoria numa posição humilhante.

"Desde o início do ano, nosso sindicato nada fez a não ser defender o Governo Dilma, gastando milhões em marchas e ações, sem nenhum controle da base de nosso sindicato" - diz o articulista Márcio Barbio.

O jornal digital Esquerda Diário é mais contundente quando afirma que o sindicato não se mobilizou em defesa da categoria "contra os ataques de seu governo Dilma como, por exemplo, a Medida Provisória do Ministro da Economia Nelson Barbosa que proíbe os estados e municípios de darem aumentos de salários e inclusive autoriza a demissão de servidores públicos." 

Apesar de ser contra o impeachment de Dilma Rousseff o jornal Esquerda Diário considera seu governo contra os trabalhadores.

Atualização 31.03.2016: Após realizar uma consulta pelo site da Secretaria da Educação onde 92% dos professores pediram o bônus, Geraldo Alckmin votou atrás e confirmou o pagamento do prêmio na primeira quinzena de abril. A "presidenta" Maria Izabel colocou em dúvida a verdade sobre os números da pesquisa. Sugerimos que ela não apareça em nenhuma escola que tenha atingido bons resultados no Saresp, sem seguranças. A Apeoesp foi fragorosamente derrotada.