segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Correios: essa empresa não é séria

Nova comunicação visual dos Correios, lançada em 2014: moderno só na marca

Por Edson Joel

A Empresa Brasileira de Correios é uma das piores do mundo nesta área. E, no mundo ágil dos negócios, a empresa pública é o terror de qualquer logística. De repente seus funcionários entram em greve e seu planejamento vai pro lixo. Não é séria, não é responsável, não é segura. Nem moderna. É uma vergonha! O quadro administrativo da empresa continua enorme em detrimento da área operacional e falta dinheiro até para pagar fornecedores. O monopólio não mais consegue sustentar essa empresa em processo de falência. Só não quebra porque o dinheiro público sustenta.

Além da falta de investimentos para modernizar o sistema de armazenamento, seleção e distribuição registrou-se a queda de tráfego de documentos por conta da digitalização (e-mails, telefones, WhatsApp, etc) que, somado a crise econômica sem precedentes no país, implantou-se o caos nos Correios.

Com um atraso fantástico, somente agora a empresa decidiu entrar na área de telefonia móvel, como operadora de celular, fato comum na maioria dos países europeus que já atuam nesse segmento, faz muito tempo. Chamada de Correios Celular ela atuará como Vivo, TIM, Claro, Oi. Pelo menos é mais uma concorrente num mercado livre. Vence quem for melhor. Meritocracia puríssima!

A EBC é um órgão da administração indireta, tecnicamente uma empresa pública (pessoa jurídica de direito privado, sujeita ao regime jurídico de direito privado) criada em 30 de junho de 1663. O alferes João Cavalheiro Cardoso foi o primeiro auxiliar do Correio-Mor Português, no Rio de Janeiro.

Em 2105 os prejuízos provocados pelos Correios chegaram a 2 bilhões e 100 mil e o mesmo valor vai se repetir em 2016 sugerindo como correta a afirmação de que toda empresa pública, atualmente, não presta serviço competente: educação, segurança, saúde pública...

Boas novas, entretanto. Enquanto os Correios colocam o pé pra fora do controle estatal com a telefonia, estuda-se a implantação compartilhada, em alguns setores de atividades dos Correios, com a iniciativa privada. Fedex, UPS e DHL trariam investimentos e modelos de gestão para modernizar o sistema arcaico da empresa nacional que corre o risco de não ter dinheiro para pagar salários.

Para analistas de desempenho de gestão, como Celso Lemme, professor de sustentabilidade corporativa do Instituto Coppead, "a gestão privada pode colocar a companhia nos trilhos". Ele vai além ao afirmar que "enquanto a empresa insistir no modelo de monopólio e ficar restrita na discussão interminável e ideológica sobre privatizações e concessões, não chegará a lugar nenhum.”

O governo pretenderia deixar nas mãos de empresas como Fedex, UPS e DHL os processos de armazenamento, separação e preparação para despachos enquanto os Correios seguiriam responsáveis pela entrega dos pacotes, documentos e mercadorias. Isto é, os Correios pegariam tudo pronto "apenas" entregar.

O índice de confiança dos paulistanos nos Correios ainda é alto: 80%, atrás apenas do Corpo de Bombeiros (85%) segundo pesquisa da dezembro de 2015. Cerca de 23 instituições estão abaixo dos Correios. Mas índice de confiança não significa qualidade de serviços. A empresa empacou no tempo e perdeu a corrida para a modernidade tal e qual a telefonia, antes da privatização. Serviços ruins e preços altos e insatisfação generalizada.

Nos Estados Unidos, Canadá, México e outros países caribenhos as entregas de encomendas procedentes de outros países são feitas pela Fedex em 1 a 3 dias e nas principais cidades da  Europa até as 10:30h em dois dias úteis. Apesar de sofrer concorrência da iniciativa privada, a United States Postal Service, serviço postal público norte americano, correu atrás, melhorou seus serviços e baixou seus preços para enfrentar a concorrência. Lá não existe monopólio que nada mais é que proteção das incompetências, ineficiências e descaso com o consumidor que, sequer pode representar contra a ditadura dos Correios, no Brasil.