quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A história do Hino Nacional Brasileiro


Por Edson Joel

O Hino Nacional Brasileiro, um dos quatro símbolos oficiais do país, - a bandeira, as armas nacionais e o selo nacional são os demais - tem a música de autoria de Francisco Manoel da Silva (1795-1865) e a letra de Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927).

Na verdade, a marcha foi composta em 1822 para se comemorar a independência brasileira e se chamava Marcha Triunfal e sua letra não é a que conhecemos hoje. De autoria de Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, foi um desacato ao ex-imperador Dom Pedro I, que voltava para Portugal depois de abdicar ao trono brasileiro, em 7 de abril de 1831.

Os bronzes da tirania
Já no Brasil não rouquejam;
Os monstros que o escravizavam
Já entre nós não vicejam.

(estribilho)
Da Pátria o grito
Eis que se desata
Desde o Amazonas
Até o Prata

Ferrões e grilhões e forcas
D'antemão se preparavam;
Mil planos de proscrição
As mãos dos monstros gizavam


A letra atual foi escrita pelo poeta, jornalista e diplomata Joaquim Osório Duque Estrada somente 87 anos depois da música composta por Francisco Manuel da Silva, inicialmente para banda. Após desaforar Pedro I, a letra foi trocada, mais uma vez, para comemorar a coroação de Dom Pedro II (18 de dezembro de 1841, aos 15 anos) e, praticamente, tornou-se o Hino Nacional Brasileiro não oficial. Deodoro da Fonseca, com a instauração da república, promoveu um concurso para a escolha do novo Hino Nacional vencido pela letra de Medeiros e Albuquerque e música de Leopoldo Miguez. O povo não aceitou o novo hino que acabou sendo oficializado, em 1890, como Hino da República..

A composição de Francisco Manuel da Silva acabou sendo instituída como o Hino Nacional Brasileiro mas a letra que conhecemos hoje só foi cantada em 1922, nas comemorações do Centenário da Proclamação da Independência. O hino foi orquestrada por Antônio de Assis Republicano e instrumentalizado, para banda, pelo tenente Alberto Nepomuceno.


Somente em 1922, ao preço de 5:000$ cinco contos de réis, é que o direito sobre a composição foi oficialmente garantido (Decreto nº 4.559, de 21 de agosto daquele ano pelo Presidente Epitácio Pessoa decreto n.º 4.559 e oficializado em 2 de setembro de 1971.

Poucos sabem que nosso Hino Nacional Brasileiro, em sua introdução, tinha letra. Era de autoria de Américo de Moura
(natural de Pindamonhangaba e que tinha governado a província do Rio de Janeiro nos anos de 1879) mas, acabou excluída da versão oficial do hino.



LETRA DE INTRODUÇÃO DO HINO NACIONAL BRASILEIRO

Espera o Brasil que todos cumprais com o vosso dever
Eia! Avante, brasileiros! Sempre avante

Gravai com Buril nos pátrios anais o vosso poder
Eia! Avante, brasileiros! Sempre avante

Servi o Brasil sem esmorecer, com ânimo audaz
Cumpri o dever na guerra e na paz
À sombra da lei, à brisa gentil
O lábaro erguei do belo Brasil
Eia! sus, oh, sus!

"Sus" é uma interjeição que vem do latim e quer significar ânimo, avante, erga-se, coragem.




Hino Oficial Brasileiro cantado pelo Coral BDMG e Orquestra Sinfônica da Polícia Militar
do Estado de Minas Gerais, sem introdução cantada.

HINO NACIONAL BRASILEIRO OFICIAL
Primeira Parte / Segunda Parte

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores". (*)

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- Paz no futuro e glória no passado.

Mas se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!

Executado para instrumentos, toca-se apenas  a primeira parte.
Neste caso, não se canta. Em execução vocal exige-se a interpretação completa do hino.