segunda-feira, 16 de julho de 2018

A Croácia, além do futebol



Por Edson Joel

O mundo conheceu a Croácia pelo seu futebol na Copa do Mundo e uma das características da equipe foi sua garra e determinação. De onde veio esse futebol? Aliás, o que é a Croácia?

A Croácia surgiu, como reino, no ano de 925 e durou até o começo do século XI quando passou a ser governada por líderes húngaros. Por volta de 1530 fez parte do império romano/germânico e libertou-se do império austro-húngaro em 1928 incorporando-se a Iugoslávia.

Durante a Segunda Grande Guerra a Iugoslávia foi tomada por Hitler que permitiu a ascensão das milícias nacionalistas da Uastse, na Croácia. Esse grupo radical objetivava purificação étnica e mataram 300 mil sérvios, ciganos e judeus durante os 5 anos do conflito mundial. A Croácia é um país com 4 milhões e 100 mil habitantes, mais de 85% católicos romanos e seu IDH é muito elevado: 827 (45º lugar no mundo). Sua língua é o croata, um idioma eslavo que utiliza o alfabeto latino. A capital é Zagreb.

Os croatas conquistaram sua independência em 1991 e estão na mesma região da Bósnia e Herzegovina, Montenegro, Sérvia, Eslovênia, Macedônia e Kosovo. Estes países também faziam parte da antiga República Socialista Federativa da Iugoslávia, (Europa Central até os Bálcãs) formada por várias etnias, quatro idiomas e três religiões.

Até 1948 a Iugoslávia seguia a linha comunista da extinta União Republicana Socialista Soviética. O ditador do país, Josip Broz Tito (que era Croata), rompeu com a linha de Josef Stalin recusando sujeitar-se ao comando soviético. Tito, (morto em 1980) durante 40 anos, manteve certa paz entre Croatas e Sérvios, maioria na região.

Mas quando caiu o Muro de Berlin (1989) e ocorreu o fim da URSS (1991) os ventos da liberdade também sopraram sobre as repúblicas que compunham a Iugoslávia e, rapidamente, gritaram suas independências. O Partido Comunista da Iugoslávia acabou em 1990 quando eslovenos e croatas deixaram o congresso - contrariando os sérvios - que discutia o futuro da liga. A Sérvia considerou-se sucessora da extinta Iugoslávia e lutou contra os grupos que se declararam independentes e isso provocou uma das guerras mais violentas da Europa pós Segunda Guerra Mundial, principalmente na Bósnia, formada por Sérvios e Croatas.

A nova geografia política veio acompanhada de grande pobreza, ódio étnico, diferenças religiosas e forte presença do crime organizado.








domingo, 10 de junho de 2018

Estônia: Alunos têm muita lição de casa, mas pouca prova

Objetivo é que escolas valorizem menos o conteúdo; professores são treinados para combinar disciplinas

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo
09 Junho 2018 | 20h00

Estônia: a melhor educação da Europa
Professora entrega provas para crianças na Escola Peetri, na cidade de Peetri, perto da capital Tallinn. Fazer ou não provas é prerrogativa de cada docente ou escola  Foto: Renata Cafardo/ESTADÃO

TALLINN (ESTÔNIA) - A estudante Karina Pent, de 15 anos, aprendia numa manhã como fazer uma capa de crochê para a tampa do pote de geleia. A professora explicava o detalhe de cada ponto para formar o desenho. A aula de artesanato é obrigatória no currículo nacional estoniano. A menina diz que é relaxante. “Principalmente porque fui dormir às 3 horas de tanta lição de casa.” 


A maior queixa dos adolescentes é a quantidade de tarefas extraclasse e de leituras. Professores justificam dizendo que é uma boa forma de eles aprenderem a ter autonomia. Segundo relatórios da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) são 17,3 horas semanais de lição de casa na Estônia, acima da média de outros países, de 17,1 horas. Mesmo assim, a OCDE avalia que o tempo é adequado porque os estudantes têm bom desempenho. Há críticas, no entanto, para nações como o Brasil, em que as tarefas ocupam 21,8 horas e as notas são baixas.


“É muita pressão. Mas se queremos ser alguém na vida precisamos de boa educação”, diz Mia Vahimets, de 15 anos, aluna da Escola Inglesa de Tallinn. Na Escola 21, na mesma cidade, a fala é parecida. “Esperam muito de nós, mas é bom. Se não esperarem nada, não faremos nada”, diz Iris Inek, de 17 anos. O foco do currículo da escola são as artes, o empreendedorismo e a robótica. Uma sala equipada com milhares de blocos de Lego e mesas de cálculo é usada por todas as séries.

Alunos elogiam o fato de nem todas as disciplinas terem provas. É comum professores pedirem só trabalhos ou projetos para avaliação. Na Escola Peetri também não há notas até o 6.º ano. Os pais só recebem relatórios sobre o desempenho dos filhos.

Apesar disso, Triin Ulla, professora de Pedagogia da Universidade de Tallinn, acredita que muitas escolas ainda se preocupam com competição e conteúdo, algo alimentado pelos professores antigos. “Escolas no topo do ranking fazem de tudo para não cair”, critica, referindo-se à avaliação do governo no fim do ensino médio, cujo ranking é feito pela mídia – algo como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Para ela, isso acontece apesar do direcionamento do ministério para um ensino que valorize as habilidades socioemocionais. “A grande pergunta para qual não tenho resposta é: os resultados do Pisa são por causa das políticas dos últimos anos ou é um legado de antes, do ensino tradicional?”

De qualquer modo, diz Triin, a formação do professor mudou e está focada em competências como resolver problemas e autonomia. O docente também é treinado para combinar disciplinas como Arte e Matemática e trabalhar com tecnologia. As salas de aula têm computador, muitos materiais didáticos online, mas ainda há dificuldades. O objetivo da Estônia é que, até 2020, as escolas valorizem menos conteúdo.

As novas notas do Pisa, das provas feitas em maio, serão divulgadas em 2019. No Brasil os alunos mal sabem do que se trata. Lá os jovens ganham diplomas. “Mostramos o quanto são especiais por representarem o país”, diz a responsável pelo Pisa na Estônia, Gunda Tire.

Em 1922, país já era 90% alfabetizado

A Estônia sofreu diversas invasões ao longo da história – de suecos, alemães e russos – e só se tornou independente em 1918. Mas em 1944 foi anexada à ex-União Soviética e só conseguiu ser novamente um país livre em 1991. Os diferentes povos, no entanto, ajudaram a fortalecer a educação na cultura estoniana. Já no século 17, a Estônia tinha uma universidade. Em 1922, 90% da população estava alfabetizada.

Hoje o país – que ajudou a criar o Skype – tem uma economia de livre mercado e é um dos mais tecnológicos do mundo. Cunhou o conceito de e-residência, que permite que estrageiros possam ter empresas sem morar na Estônia e até as eleições presidenciais foram feitas online. A capital Tallinn – com 400 mil habitantes – tem um dos centros medievais mais bem preservados da Europa e praias de mar azul esverdeado.

“O que vivemos no passado influencia muito no presente”, diz a guia de turismo Margit Raud, de 58 anos. Ao apresentar o Museu da KGB, com provas de que a polícia russa espionava visitantes em um hotel da cidade, ela deixa claro seu orgulho. “Temos um sentimento de querer ser modernos, progressistas, de ser os melhores.”

Brasil x Estônia

- Resultado em exames

A Estônia está em 3º lugar em Ciência no Pisa, 6º em Leitura e a 9º em Matemática, o melhor resultado da Europa. O Brasil está em 63ª, 59ª e 66ª posição, respectivamente.

- Igualdade

No país europeu, 42% dos alunos pobres têm boas notas; no Brasil, onde o sistema de ensino tem mais desigualdades internas, são 2%. Diminuir a influência do fator socioeconômico na educação é um desafio no mundo todo.

- PIB per capita

Na Estônia é de US$ 28 mil (R$ 103 mil), um dos mais baixos da União Europeia, mas maior que o do Brasil (R$ 31 mil).

- Investimento por aluno/ano

Na Estônia, US$ 7 mil (R$ 26 mil). No Brasil, R$ 6,6 mil. Há discussão aqui para que o valor aumente, já que se investe três vezes mais no ensino superior do que na educação básica.

- Autonomia

Diretores podem contratar e demitir professores na Estônia. No Brasil, há concurso público, o docente escolhe onde vai trabalhar e tem estabilidade.

- Currículo

A Estônia fez em 1996 seu 1º currículo nacional. O Brasil aprovou a Base Curricular em 2017 para o ensino infantil e fundamental; a do médio está em discussão.

- Salário do professor

Estônia elevou em 80%, hoje ¤1.290 (R$ 5.624). No Brasil, a média na rede pública é de R$ 3.628, menos que em outras carreiras com ensino superior.





“O que o museu tem a ver com educação?”

Estônia: a melhor educação da Europa

País é destaque em exames internacionais; nas escolas públicas alunos pobres se saem tão bem quantos os ricos

Renata Cafardo, Enviada Especial
09 Junho 2018 | 20h00

Professora da educação infantil auxilia as crianças em refeição. Sala de aula tem cozinha, vários ambientes e quarto Foto: Renata Cafardo/ESTADAO
TALLINN (ESTÔNIA) - A Estônia, pequeno país emergente à beira do Mar Báltico e que pouca gente sabe o nome da capital, tem hoje o melhor sistema educacional da Europa e um dos mais bem avaliados do mundo. Quase todas as crianças e jovens do país, dos 2 aos 19 anos, estudam nas impecáveis escolas públicas. Uma das características que mais impressionam é o fato de os alunos pobres terem desempenho tão bom quanto os ricos em exames internacionais. Apesar de igualitárias, as escolas não são iguais. Diretores e professores têm tanta autonomia que podem decidir o método de ensino, se farão provas ou não e até os móveis da sua sala de aula.




Estônia: a melhor educação da Europa

A classe de 3.º ano da professora Kreet Püriselg, de 26 anos, tem mesas redondas. Foi um pedido dela. Na sala ao lado, são carteiras comuns e na da frente, mesas compridas em que cabem dois alunos. “Estou estudando de que forma as crianças aprendem melhor. Elas podem escolher ficar nas mesas ou sentar-se no chão, nas almofadas.” As crianças têm 10 anos e a aula é sobre mapas. Um dos meninos escolheu usar uma bola azul como cadeira.




A professora caminha entre as mesas e deixa que as crianças descubram as informações que precisam. Os estonianos estão entre os jovens com melhor habilidade para trabalhar em grupo e resolver problemas – duas competências hoje consideradas essenciais. Os dados são de um estudo deste ano sobre resultados do Pisa, avaliação feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A escola pública onde Kreet trabalha fica na pequena cidade de Peetri, a 15 minutos da capital Tallinn. A instituição foi inaugurada em 2009, quando a Estônia começava a colher os louros das primeiras notas em exames internacionais. Hoje, o desempenho dos estonianos em Ciência no Pisa é o terceiro melhor do mundo. Na frente deles, só Cingapura e Japão.


A Estônia é também um dos países com a menor quantidade de alunos no nível mais baixo de aprendizagem: são menos de 8%. Na Europa, a média é de 15%. No Brasil, a maior parte (cerca de 30%) está justamente nesse nível. Isso significa que o jovem de 15 anos não consegue fazer correlações entre várias partes diferentes de um texto.

Pobreza. O desempenho bem acima da média contrasta com outros indicadores. Apesar de crescer ano a ano, a Estônia está na lista de países mais pobres da União Europeia. Seu PIB per capita é de ¤ 17,5 mil (R$ 76,3 mil); a média do bloco é de ¤ 29,9 mil (R$ 130 mil). O país tem 1,3 milhão de habitantes, o equivalente a Guarulhos (SP). O investimento por aluno, por ano, na educação básica gira em torno de US$ 7 mil (R$ 26 mil). Na União Europeia, a média é de US$ 10 mil (R$ 37 mil).


A falta de dinheiro é compensada por um plano de educação que permanece após vários governos. Depois que a Estônia garantiu sua independência da ex-URSS, em 1991, foi elaborado um novo currículo nacional, atualizado sempre. O projeto teve a ajuda da Finlândia, país vizinho e de língua semelhante, que se tornou a sensação da educação mundial no anos 2000. Entre as competências fundamentais estão aprender a aprender, educação digital, valores éticos e empreendedorismo. Já o Brasil aprovou sua base curricular só em 2017. Na Estônia, apesar de haver ainda muito do ensino tradicional, a ideia é a de que as matérias sejam dadas de maneira integrada.

Na aula de Inglês dos amigos Karolina Jossep e Romeo Raadsepp, ambos de 11 anos, não há gramática. Eles praticam a língua usando papel e tesoura para fazer uma maquete. “Ela gosta tanto que pede para ir à escola”, diz o pai de Karolina, o empreendedor Janno Joosep. “Pra nós, o importante é que a escola a ensine a ser independente e responsável.” Romeo também “adora estudar”. “Mas queria ser jogador de futebol como o Neymar”, brinca, em inglês fluente, ao descobrir que a repórter é brasileira. Por baixo do uniforme escolar, a camiseta do time francês PSG. Os dois ajudam a colega Margarita Beda, filha de russos e que não fala bem inglês. Os russos são exceção no igualitário sistema estoniano. Eles têm, em geral, pior desempenho que os demais, e o governo passou a pagar mais para professores desse grupo.

Além disso, a Estônia não separa bons alunos dos que têm pior desempenho, como fazem os Estados Unidos, por exemplo. O país oferece, em todas as escolas, atendimento de psicopedagogos, psicólogos e professores particulares para crianças com dificuldade de aprendizagem. Todos também frequentam gratuitamente, fora do horário de aula, as chamadas “escolas de hobby”, com atividades de esporte, tecnologia, música e artes.

“Todos permanecem juntos até o fim. O importante não é só o sistema de apoio, mas, sim, ter altas expectativas para todo mundo”, diz a representante do Ministério da Educação Aune Valk. As avaliações nacionais mostram que há pouca diferença de desempenho entre as escolas. “Não me lembro de nenhuma com resultado tão ruim que precisássemos intervir.” No Pisa, o país tem um dos maiores índices de alunos resilientes (42%), aqueles que estão entre os mais pobres da população e têm bons resultados. 

Contratar e demitir

Estonianos que conviveram por cerca de 50 anos com o regime burocrático comunista e privação de bens de consumo se orgulham hoje de um sistema educacional autônomo. “Esse é o segredo do sucesso da Estônia”, acredita o diretor da Escola Inglesa de Tallinn, Toomas Kruusimägi. Também pública, o nome vem do fato de as aulas de várias disciplinas serem dadas em inglês. O currículo tem ainda matérias optativas, como Psicologia e Literatura Inglesa.

Não se faz concurso para escolher os diretores das escolas, como no Brasil. Os candidatos são entrevistados pelo governo municipal, que analisa habilidades de gestão e educação. Um conselho com pais e professores ajuda na decisão. Os diretores fazem o mesmo para contratar professores, que podem ser demitidos a qualquer momento. Diretores e professores precisam ter diploma de mestrado.

“A educação é um bem muito valorizado no país”, completa Kruusimägi, repetindo uma frase ouvida várias vezes pelo Estado. Como exemplo, cita a participação ativa dos pais na escola. São dispensados pelas empresas para ir a reuniões e atividades dos filhos. “Nunca aconteceu de um pai faltar porque precisava trabalhar.”

Há ainda uma licença de até 3 anos para quem tem filhos, que pode ser usada por mãe ou pai. Por isso, não há creches no país. A maioria das crianças vai à escola aos 2 anos e meio, no que chamam de jardim de infância. Ficam nessa etapa até 7 anos, quando começa o 1.º ano. O ensino médio acaba aos 19 anos.

Sol

“Criatividade e brincadeira”, diz a diretora da Escola Peetri, Luule Niinesalu ao definir o que espera da educação infantil. Nos poucos meses quentes do ano, as crianças brincam nos parquinhos da escola duas horas por dia. Mesmo no inverno, passam meia hora do lado de fora. A Estônia tem temperatura média de menos de 10°C em quase todos os meses. No dia em que o Estado visitou a escola, no fim de maio, fazia 25°C. A brincadeira é tão livre – e o sol tão importante – que, enquanto as crianças corriam e se balançavam, duas professoras haviam arregaçado as roupas e se bronzeavam.

No fim da manhã, os alunos são divididos por idade e vão para as salas de aula, que têm cozinha, banheiro com chuveiro e quarto. Alunos de 3 anos comem em silêncio e só começam a sobremesa após o último colega terminar o almoço. Tiram sozinhos as roupas sujas de areia. De calcinhas e cuecas, escolhem livrinhos para a leitura diária com a professora, que fala baixo e em tom sério, mas acolhedor. Meia hora depois, sem algazarra, se deitam nas belas camas de design moderno.

As crianças acima de 7 anos, em geral, vão sozinhas à escola, a pé, de bicicletas ou patinetes. “Essa autonomia ajuda na aprendizagem”, diz o professor de Inglês Peter Rock, de 25 anos. Muitos veem também um grande respeito dos alunos pelos professores, que seria herança do rígido regime soviético. Kullike Poduck, de 58 anos e que ensina Língua Estoniana há 25, elogia os estudantes, mas diz que o trabalho está mais difícil. “Hoje a informação está em todo lugar.”

A profissão é tida como pouco interessante e o governo se esforça para atrair jovens. A média de idade dos professores é de 48 anos, o que significa experiência e boa formação hoje, mas pode ser um problema no futuro. Nos últimos anos, a Estônia aumentou o salário docente em 80%, de ¤ 719 (R$ 1.826) para ¤ 1290 (R$ 5.624). O objetivo é chegar a um valor 120% maior do que a remuneração média no país.

“Se continuarmos nesse caminho, só teremos cada vez mais sucesso”, diz a analista da fundação estoniana Praxis, que pesquisa políticas públicas, Eve Mägi. “A educação é a religião da não religiosa Estônia”, completa a outra analista Sandra Haugas. O país é considerado o menos religioso do mundo.

O Estado de São Paulo





“O que o museu tem a ver com educação?”

sábado, 26 de maio de 2018

A velocidade e o preço da internet no Japão

Por Edson Joel

A propaganda da banda larga da Vivo, em Marília, é patética: Vivo Fibra com ultra velocidade de 100 megas (100 mbs+telefone fixo) por R$ 149,99. Em  letras miúdas o alerta que esse valor é somente no primeiro ano e sobe para R$ 174,96, após.

O que está errado nesse anúncio ou nos serviços de internet? Pra mim, tudo. A velocidade e os preços, inclusive. Enquanto Marília "comemora a chegada de 100 megas via fibra da Vivo por R$ 150, o Japão lança 2 Gbs por... R$ 100.

Perceberam o quanto a Vivo está atrasada e como são patéticos? Pior, perceberam como os brasileiros estão desinformados e pagando uma dos piores e mais caros serviços do planeta?

So-net, o provedor japonês que lançou o serviço dá 2 Gbps de velocidade, a maior do mundo para uso doméstico, faz parte do grupo Sony e cobrará 4.980 yenes mensal cuja instalação inscrita online sai de graça. O upload é de 1Gbs. 

O Japão, curiosamente, é o segundo colocado mundial em residências atendidas por fibra ótica - 25% - como conexão para internet. O primeiro lugar é dos Emirados Árabes com 70% de cobertura.

Da próxima vez que você comemorar internet de 100 Mbs por 150 reais por mês, sinta-se envergonhado.

Banda larga de 2gbs no Japão custa R$ 100 mês. A Vivo cobra R$ 170 por 100 Mbs 

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Leis trabalhistas não existem nos Estados Unidos


Por Edson Joel

Andando pela Avenida Paulista, em São Paulo, dei de cara com John, um amigo americano de longa data.


- Olá, John! Fico alegre em te ver.
- Me too, Joel.
- O que tá rolando? Está de férias remuneradas? Trinta dias?
- Are you crazy? There is no vacation pay in America, did you know?


Nos Estados Unidos não há férias remuneradas como no Brasil. Aqui, uma vez por ano, o trabalhador privado ou do serviço público sai 30 dias com direito a receber pelo descanso. O trabalhador americano, se negociar com seu patrão, conseguirá, se muito, 10 dias de licença paga. Normalmente 1 de cada 4 trabalhadores do Tio Sam não tem férias e se aproveita apenas dos feriados nacionais segundo
o Center for Economic and Policy Research.

Mas, na Austrália, os patrões se preocupam em garantir que seu funcionário não trabalhe muito para não se estressar. "Estudos" teriam mostrado aos australianos que se preocupar demais com trabalho causa prejuízo. Lá o governo concede 20 dias de férias remuneradas além de 7 feriados. Espanha, Itália e Alemanha concedem 30 dias de descanso, por ano, ao trabalhador. Na China, por sua cultura, é proibido trabalhar em janeiro inteiro mas, no resto do ano, os feriados são escassos.

Não existe Lei Trabalhista nos Estados Unidos mas existe o Ato de Padrões Justos de Trabalho, de 1938. Este documento regula o máximo de horas que o operário pode trabalhar, o menor salário que pode ser pago, normas sobre horas extras e trabalho infantil.

Salários, bônus, horário de trabalho e férias são negociados entre empregado e patrão e, se você quiser sair nada vai te impedir de buscar outra oportunidade. De um modo geral o americano quer ser mais competitivo e culturalmente quem gosta de férias é  folgado, uma imagem ruim e pouco apreciada por lá.

"Preguiçoso ou desleal" são chamados os colegas que pedem folgas no trabalho. Mas os trabalhadores americanos que tem férias  pagas em seus contratos de trabalho geralmente tiram apenas a metade que tem direito. Eles alegam ter medo de "ficar para trás" na competição.

As leis trabalhistas no Brasil - que sofreram pequenas reformas recentemente - mais atrapalham que ajudam. São tantos os benefícios como "direito de chegar atrasado" instituído por lei. Se ainda está em vigor, a CLT "tolera" atraso diário entre 5 e 10 minutos. Pergunta-se: porque não se estabeleceu chegar 10 minutos antes?

Considerando que um professor chegue atrasado 10 minutos e uma aula tenha 50 de duração, os alunos perderam 20% do tempo. Mas, essa estupidez está institucionalizada. E quem fez isso? O congresso nacional, um amontoado de frouxos que aprova conforme seus interesses eleitorais.

Em países sérios os trabalhadores comprometidos chegam 10 minutos antes, se organizam e, exatamente no horário, iniciam o expediente, principalmente se o setor atende o público. 

Certa vez auxiliei o João, marido de uma funcionária terceirizada, arrumar um emprego. Algum tempo depois perguntei como ele estava indo no trabalho. Ela me olhou envergonhada e disse que o marido tinha pedido demissão pra ficar 5 meses recebendo ajuda desemprego. Quanto ao John, soube que se casou, tem uma filha e trabalha no mesmo emprego, com bom salário. Suas férias remuneradas são de cinco dias por ano.

domingo, 6 de maio de 2018

Shoppings devem precisar de 4 anos para ocupar 12 mil lojas que estão vazias

Márcia de Chiara, O Estado de S. Paulo
06 Maio 2018 | 05h00
 
Segundo dados do levantamento feito pelo Ibope Inteligência, número de lojas desocupadas até recuou um pouco este ano, mas ainda é preocupante, especialmente nos shoppings abertos depois de 2013, nos quais a vacância gira em torno de 41%.


Shoppings sofrem com falta de lojistas no Brasil 
Foto: Gabriela Biló/Estadão
Apesar de a economia brasileira ter voltado ao azul, a crise deixou marcas profundas no setor de shoppings. Há hoje cerca de 1 milhão de metros quadrados vagos nos 522 shoppings espalhados pelo País. São 12,5 mil lojas desocupadas. Se nenhum novo empreendimento fosse construído ou ampliado, seriam necessários pelo menos quatro anos para que todo o espaço vazio fosse ocupado.


Isso é o que revela um estudo do Ibope Inteligência sobre a vacância do setor. No último ano, houve uma melhora na ocupação, sobretudo nos shoppings consolidados, construídos antes de 2012. Nesse grupo, 8,5% das lojas estavam vagas em 2017. Neste ano, essa marca caiu para 7,9%. Nos shoppings novos, abertos a partir de 2013, a vacância em número de lojas, que atingiu o pico de 46% em 2017, recuou para 41% este ano.

Mas a situação ainda é bem crítica nos shoppings novos, afirma Marcia Sola, diretora executiva de Shopping, Varejo e Mercado Imobiliário do Ibope. “Nos shoppings novos, a torneira está aberta em cima do ralo: entra contrato novo de locação, mas eles perdem varejistas.”

Foi exatamente esse movimento que se viu nos últimos três anos no comércio em geral. De 2015 a 2017, entre abertura e encerramento, o saldo de lojas foi negativo em 226 mil, aponta a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Para este ano, o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, projeta um saldo positivo de 20,7 mil lojas. Com o ritmo lento de recuperação, ele confirma a projeção do Ibope. “Não será possível repor antes de 2022 todos os pontos de venda fechados por causa da crise.” 

Além da retração da atividade, a imprudência dos investidores em novos projetos, que superestimaram o mercado, foi outro fator que contribuiu para grande ociosidade nos shoppings hoje, observa Marcia. Nos inaugurados em 2017 e localizados no Sudeste, por exemplo, a situação é mais crítica: quase metade (49%) das lojas está vaga, uma marca muito acima da média nacional (41%).

De fato, houve um boom de shoppings. Entre 2012 a 2016, foram abertos 128 empreendimentos, lembra o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai. “Com a crise, ocorreu uma tempestade perfeita que fez com que os shoppings novos tivessem maior dificuldade de amadurecimento. Mas isso não aconteceu com todos.”

A Abrasce não monitora a vacância dos shoppings novos separadamente dos consolidados. Nas contas da entidade, a taxa média de vacância do setor como um todo gira em torno de 5,7% em número de lojas. “A taxa tem flutuado mês a mês e é administrável”, afirma Humai. Ele diz que não conhece a metodologia e a base de dados dos indicadores apurados pelo Ibope e, por isso, não pode comparar os resultados.

Reprodução do Jornal O Estado de São Paulo

sábado, 10 de março de 2018

Walmart e Hiper Varejo vendem pneus vencidos

Pneus vendidos por Walmart e entregues por Hiper Varejo: vendidos como novos mas com validade vencida. Pesquisa no Reclame Aqui mostra que Walmart e outras empresas tem práticas semelhantes.  

Por Edson Joel

Muitos leitores se surpreenderão quando souberem que pneus tem prazo de validade. Pior, acabarão descobrindo que os pneus que compraram na semana passada estão vencendo ou vencidos. E, neste caso, correndo sério risco de acidentes. Não estamos falando de garantia de fábrica (a fábrica repõe o pneu com defeito de fabricação), mas da segurança natural do produto.

O prazo de validade da segurança de um pneu, usado ou não, é de 5 anos para a maioria dos modelos. Após esse período a borracha perde suas propriedades e provoca a soltura do cinto de aço da estrutura do pneu. Os riscos de acidentes são enormes. Muitos "acidentes inexplicáveis" podem ser esclarecidos se o perito observar a data de fabricação dos pneus do carro envolvido. Se o cinto de aço se soltar, o pneu se transforma num monte de borracha sem função. Quantos já morreram em acidentes provocados por produtos vencidos?

ONDE INDICA?

Basta observar quatro números impressos (em relevo, no pneu),que indicam quando o produto foi fabricado. Por exemplo, 1113 significa que ele foi fabricado na 11ª semana de 2013. Se o pneu que você esta comprando hoje foi fabricado há 4 anos, você terá apenas um ano pra usa-lo com segurança. Depois de cinco anos ele perde a validade de segurança e a garantia.



Dia 05 de fevereiro de 2018: outra queixa recente de pneu vencido vendido pela Hiper Marca. 
WALMART E HIPER VAREJO VENDERAM PNEUS VENCIDOS

Faz pouco tempo comprei dois pneus Continental 185/55/R15 (largura, altura e roda) para um carro da família. A compra foi efetuada pelo site do Walmart e entregue pela Hiper Varejo. Fiquei atento para a data da fabricação e não me surpreendi quando vi que os pneus "já estavam vencidos". Foram fabricados em 1113, isto é, 5 anos antes. Portanto, pneus sem segurança e sem garantia de fábrica. Um crime gravíssimo.

Mesmo tendo me manifestado pelo Facebook, na página do Walmart, o assunto foi tratado com desdém pelo parceiro Hipervarejo que alegou não ter outro produto para repor e que cancelaria o pedido, neste caso. Imediatamente mostrei que se tratava de mentira já que as páginas do Hiper Varejo continha anúncios do mesmo pneu. Quando deixei claro que esse comportamento estúpido não me convenceria, resolveram mudar a tática e prometeram novos pneus. A alegação foi de que o "departamento de controle de qualidade falhou" e se limitaram a pedir desculpas por isso. Numa ligação telefônica, gravada, a supervisora Cristiane "lamentou o ocorrido e garantiu enviar pneus de valor maior, pelo mesmo preço."

Walmart alegou que esse não é seu padrão (vender pneus vencidos) mas, encontrei nas páginas do Reclame Aqui outra queixa de pneu fora da segurança. Portanto, a venda de pneus vencidos parece ser prática comum no Walmart e outras empresas.

A Hiper Varejo responde justificando que houve falha no seu padrão de qualidade mas, no dia 5 de fevereiro de 2018, 20 dias antes de me enviarem pneus condenados eles venderam pneus com 6 anos de fabricação para um consumidor. A mentira tem perna curta.

COMO FICOU
Walmart/Hiper varejo substituíram os pneus, pediram desculpas e assumiram o erro. Mas, na nota que me enviaram disseram que "não é padrão da empresa essa prática" (vender pneus vencidos).  Mas observei que a Hiper Varejo vendeu pneus com 6 anos de fabricação pra outro consumidor em fevereiro deste ano, uma semana antes de venderam pra mim pneus com 5 anos de fabricação. Os pneus que me venderam eram mais velhos que os pneus desgastados que substitui. 

sexta-feira, 2 de março de 2018

A decadência da Suécia

Milhares de suecos protestam no centro de Estocolmo, em abril do ano passado, contra o atentado
terrorista praticado por um imigrante que deixou 4 mortos e 15 feridos.


Por Edson Joel

A nova geração de suecos nasceu "politicamente correta"... e completamente inocente. E isso está levando o país ao retrocesso. O caminho está pavimentado para tal. Da tranquila, ordeira e civilizada região, agora a Suécia já exporta terroristas.

Alimentados e induzidos pela mídia, os suecos tem medo de manifestarem-se contra a atual política migratória e o caráter assistencialista das políticas públicas. Os que usam de franqueza acabam chamados de racistas, perseguidos pela mídia e perdendo seus empregos. 

O país vive sob a violência praticada por imigrantes "carinhosamente" recebidos pelo culto povo escandinavo e, se a onda migratória continuar na mesma velocidade, os nativos serão minoria no próprio país, brevemente Em 20 anos a Suécia entrará em falência. Afinal, alguém terá que pagar a conta.


Por conta da imigração desenfreada a taxa de estupros aumentou consideravelmente entre mulheres suecas. Carros queimados, lojas destruídas e mulheres agredidas de forma violenta por imigrantes que as consideram vestidas fora do padrão do Islã tem sido comum no país. O governo banca tudo para os imigrantes que, geralmente não trabalham por falta de qualificação num parque industrial afinado com a tecnologia.


 
Cinco dias de arruaças com carros incendiados, lojas depredadas e cidadãos atacados por imigrantes descontentes com que recebem do governo, de graça.

A demonstração de extrema solidariedade dos voluntários suecos parece ter acabado. No início, quando as cidades eram invadidas por imigrantes, eles surgiam de todos os cantos com roupas e comidas. Hoje, não mais. Considerado próspero e civilizado, a Suécia corre o grande perigo de se nivelar a países do terceiro mundo.

Em outubro de 2015, Stefan Löfven, Primeiro Ministro, concedeu uma entrevista coletiva e afirmou que a "Suécia se encontra em estado de crise" . Instado a esclarecer sua declaração, Löfven não conseguiu explicar nada de forma coerente.

O site Gatestone Institute cita que o analista social e historiador dinamarquês Lars Hedegaard observou, de maneira profética no livro "Farliga ord" (Palavras Perigosas), que "se há uma lição a ser tirada da história, é que aquilo que se acredita que não irá acontecer, acontece. E acontece o tempo todo. A consequência final da política de imigração do Ocidente e acima de tudo da Suécia é o colapso da economia porque, afinal de contas, quem irá pagar por tudo isso? E colapsos econômicos, quando ocorrem, sempre ocorrem com extrema rapidez".

O país está se enfiando em dívidas - tomando dinheiro emprestado - para bancar sua "política humanitária". Os impostos sobem, salários baixam e os serviços públicos mal conseguem atender os imigrantes quanto mais os nativos.

"A situação é extremamente grave" - disseram membros do primeiro escalão do governo. O diretor geral dos serviços de imigração Anders Danielsson disse que, "considerando a estrutura do sistema que temos, estamos nos aproximando do fim da linha". Faz dois anos que as deportações começaram na Noruega, Suécia e Alemanha.



A Suécia tem 10 milhões de habitantes e cerca de 15% são de refugiados que buscam o país por ser considerado "o mais hospitaleiro" já que reserva 1% do seu PIB para ações humanitárias. Os imigrantes chegam da Síria, Afeganistão, Iraque, Curdistão, entre outros. Em 2014 cerca de 21,5% da população residente na Suécia eram descendentes de estrangeiros, pouco mais de dois milhões.

Para Aje Carlbom, antropólogo da Universidade de Malmo, a tentativa de integração da primeira geração de imigrantes é caso perdido. "Talvez na terceira eles já saibam falar nossa língua" - disse.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Alunos brasileiros vão demorar 260 anos para atingir índice de leitura dos países ricos, diz Banco Mundial

Em matemática, a estimativa é de 75 anos, segundo relatório produzido a partir de dados do Pisa.


Estimativa do Banco Mundial é de que os alunos brasileiros demorem mais de 260 anos para chegar no índices de proficiência de leitura dos países ricos (Foto: Reprodução/TV TEM) 
Por G1
28/02/2018 10h32 Atualizado 28/02/2018 11h06

Os estudantes brasileiros podem demorar mais de 260 anos para atingir a proficiência em leitura dos alunos dos países ricos. Em matemática, a previsão é de que os brasileiros levarão 75 anos para atingir a pontuação média registrada nos países desenvolvidos. As estimativas são de um relatório sobre a crise da aprendizagem produzido pelo Banco Mundial com dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa).

O Pisa é uma prova coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aplicada a cada três anos entre 35 membros da OCDE e 35 parceiros, incluindo o Brasil. Entre outros itens ela avalia o conhecimento dos alunos em ciências, leitura e matemática.

O relatório aponta que em países como o Quênia, Tanzânia e Uganda, quando se pediu aos alunos do 3º ano do ensino fundamental que lessem em inglês ou kiswahili uma frase simples como “o nome do cão é Filhote”, 75% deles não compreenderam seu significado. Na zona rural da Índia cerca de 75% dos alunos do mesmo ano não foram capazes de fazer uma subtração de dois dígitos.

Para que a aprendizagem cumpra a promessa de eliminar a pobreza e criar oportunidades para todos, o Banco Mundial aponta três recomendações de políticas públicas:

- Avaliação da aprendizagem. Segundo o estudo, só metade dos países em desenvolvimento tem dispositivos para medir a aprendizagem no final do ensino fundamental e das primeiras séries do médio.

- Fazer as escolas trabalharem para todas as crianças. O relatório propõe desde oferecer nutrição adequada até a utilização da tecnologia que ajudem os professores a ensinar;.

- Mobilizar todas as pessoas interessadas na aprendizagem, como a comunidade.

O relatório aponta casos de países que investiram em estratégias de aprendizagem e tiveram sucesso em avaliações internacionais. Um exemplo citado é a Coreia do Sul, país que foi assolado pela guerra e tinha taxas de alfabetização muito baixas em 1950, mas conseguiu universalizar o acesso de matrículas em 1995 e atingir altos índices em rankings de aprendizagem.

“O que o museu tem a ver com educação?”