sábado, 10 de março de 2018

Walmart e Hiper Varejo vendem pneus vencidos

Pneus vendidos por Walmart e entregues por Hiper Varejo: vendidos como novos mas com validade vencida. Pesquisa no Reclame Aqui mostra que Walmart e outras empresas tem práticas semelhantes.  

Por Edson Joel

Muitos leitores se surpreenderão quando souberem que pneus tem prazo de validade. Pior, acabarão descobrindo que os pneus que compraram na semana passada estão vencendo ou vencidos. E, neste caso, correndo sério risco de acidentes. Não estamos falando de garantia de fábrica (a fábrica repõe o pneu com defeito de fabricação), mas da segurança natural do produto.

O prazo de validade da segurança de um pneu, usado ou não, é de 5 anos para a maioria dos modelos. Após esse período a borracha perde suas propriedades e provoca a soltura do cinto de aço da estrutura do pneu. Os riscos de acidentes são enormes. Muitos "acidentes inexplicáveis" podem ser esclarecidos se o perito observar a data de fabricação dos pneus do carro envolvido. Se o cinto de aço se soltar, o pneu se transforma num monte de borracha sem função. Quantos já morreram em acidentes provocados por produtos vencidos?

ONDE INDICA?

Basta observar quatro números impressos (em relevo, no pneu),que indicam quando o produto foi fabricado. Por exemplo, 1113 significa que ele foi fabricado na 11ª semana de 2013. Se o pneu que você esta comprando hoje foi fabricado há 4 anos, você terá apenas um ano pra usa-lo com segurança. Depois de cinco anos ele perde a validade de segurança e a garantia.



Dia 05 de fevereiro de 2018: outra queixa recente de pneu vencido vendido pela Hiper Marca. 
WALMART E HIPER VAREJO VENDERAM PNEUS VENCIDOS

Faz pouco tempo comprei dois pneus Continental 185/55/R15 (largura, altura e roda) para um carro da família. A compra foi efetuada pelo site do Walmart e entregue pela Hiper Varejo. Fiquei atento para a data da fabricação e não me surpreendi quando vi que os pneus "já estavam vencidos". Foram fabricados em 1113, isto é, 5 anos antes. Portanto, pneus sem segurança e sem garantia de fábrica. Um crime gravíssimo.

Mesmo tendo me manifestado pelo Facebook, na página do Walmart, o assunto foi tratado com desdém pelo parceiro Hipervarejo que alegou não ter outro produto para repor e que cancelaria o pedido, neste caso. Imediatamente mostrei que se tratava de mentira já que as páginas do Hiper Varejo continha anúncios do mesmo pneu. Quando deixei claro que esse comportamento estúpido não me convenceria, resolveram mudar a tática e prometeram novos pneus. A alegação foi de que o "departamento de controle de qualidade falhou" e se limitaram a pedir desculpas por isso. Numa ligação telefônica, gravada, a supervisora Cristiane "lamentou o ocorrido e garantiu enviar pneus de valor maior, pelo mesmo preço."

Walmart alegou que esse não é seu padrão (vender pneus vencidos) mas, encontrei nas páginas do Reclame Aqui outra queixa de pneu fora da segurança. Portanto, a venda de pneus vencidos parece ser prática comum no Walmart e outras empresas.

A Hiper Varejo responde justificando que houve falha no seu padrão de qualidade mas, no dia 5 de fevereiro de 2018, 20 dias antes de me enviarem pneus condenados eles venderam pneus com 6 anos de fabricação para um consumidor. A mentira tem perna curta.

COMO FICOU
Walmart/Hiper varejo substituíram os pneus, pediram desculpas e assumiram o erro. Mas, na nota que me enviaram disseram que "não é padrão da empresa essa prática" (vender pneus vencidos).  Mas observei que a Hiper Varejo vendeu pneus com 6 anos de fabricação pra outro consumidor em fevereiro deste ano, uma semana antes de venderam pra mim pneus com 5 anos de fabricação. Os pneus que me venderam eram mais velhos que os pneus desgastados que substitui. 

sexta-feira, 2 de março de 2018

A decadência da Suécia

Milhares de suecos protestam no centro de Estocolmo, em abril do ano passado, contra o atentado
terrorista praticado por um imigrante que deixou 4 mortos e 15 feridos.


Por Edson Joel

A nova geração de suecos nasceu "politicamente correta"... e completamente inocente. E isso está levando o país ao retrocesso. O caminho está pavimentado para tal. Da tranquila, ordeira e civilizada região, agora a Suécia já exporta terroristas.

Alimentados e induzidos pela mídia, os suecos tem medo de manifestarem-se contra a atual política migratória e o caráter assistencialista das políticas públicas. Os que usam de franqueza acabam chamados de racistas, perseguidos pela mídia e perdendo seus empregos. 

O país vive sob a violência praticada por imigrantes "carinhosamente" recebidos pelo culto povo escandinavo e, se a onda migratória continuar na mesma velocidade, os nativos serão minoria no próprio país, brevemente Em 20 anos a Suécia entrará em falência. Afinal, alguém terá que pagar a conta.


Por conta da imigração desenfreada a taxa de estupros aumentou consideravelmente entre mulheres suecas. Carros queimados, lojas destruídas e mulheres agredidas de forma violenta por imigrantes que as consideram vestidas fora do padrão do Islã tem sido comum no país. O governo banca tudo para os imigrantes que, geralmente não trabalham por falta de qualificação num parque industrial afinado com a tecnologia.


 
Cinco dias de arruaças com carros incendiados, lojas depredadas e cidadãos atacados por imigrantes descontentes com que recebem do governo, de graça.

A demonstração de extrema solidariedade dos voluntários suecos parece ter acabado. No início, quando as cidades eram invadidas por imigrantes, eles surgiam de todos os cantos com roupas e comidas. Hoje, não mais. Considerado próspero e civilizado, a Suécia corre o grande perigo de se nivelar a países do terceiro mundo.

Em outubro de 2015, Stefan Löfven, Primeiro Ministro, concedeu uma entrevista coletiva e afirmou que a "Suécia se encontra em estado de crise" . Instado a esclarecer sua declaração, Löfven não conseguiu explicar nada de forma coerente.

O site Gatestone Institute cita que o analista social e historiador dinamarquês Lars Hedegaard observou, de maneira profética no livro "Farliga ord" (Palavras Perigosas), que "se há uma lição a ser tirada da história, é que aquilo que se acredita que não irá acontecer, acontece. E acontece o tempo todo. A consequência final da política de imigração do Ocidente e acima de tudo da Suécia é o colapso da economia porque, afinal de contas, quem irá pagar por tudo isso? E colapsos econômicos, quando ocorrem, sempre ocorrem com extrema rapidez".

O país está se enfiando em dívidas - tomando dinheiro emprestado - para bancar sua "política humanitária". Os impostos sobem, salários baixam e os serviços públicos mal conseguem atender os imigrantes quanto mais os nativos.

"A situação é extremamente grave" - disseram membros do primeiro escalão do governo. O diretor geral dos serviços de imigração Anders Danielsson disse que, "considerando a estrutura do sistema que temos, estamos nos aproximando do fim da linha". Faz dois anos que as deportações começaram na Noruega, Suécia e Alemanha.



A Suécia tem 10 milhões de habitantes e cerca de 15% são de refugiados que buscam o país por ser considerado "o mais hospitaleiro" já que reserva 1% do seu PIB para ações humanitárias. Os imigrantes chegam da Síria, Afeganistão, Iraque, Curdistão, entre outros. Em 2014 cerca de 21,5% da população residente na Suécia eram descendentes de estrangeiros, pouco mais de dois milhões.

Para Aje Carlbom, antropólogo da Universidade de Malmo, a tentativa de integração da primeira geração de imigrantes é caso perdido. "Talvez na terceira eles já saibam falar nossa língua" - disse.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Alunos brasileiros vão demorar 260 anos para atingir índice de leitura dos países ricos, diz Banco Mundial

Em matemática, a estimativa é de 75 anos, segundo relatório produzido a partir de dados do Pisa.


Estimativa do Banco Mundial é de que os alunos brasileiros demorem mais de 260 anos para chegar no índices de proficiência de leitura dos países ricos (Foto: Reprodução/TV TEM) 
Por G1
28/02/2018 10h32 Atualizado 28/02/2018 11h06

Os estudantes brasileiros podem demorar mais de 260 anos para atingir a proficiência em leitura dos alunos dos países ricos. Em matemática, a previsão é de que os brasileiros levarão 75 anos para atingir a pontuação média registrada nos países desenvolvidos. As estimativas são de um relatório sobre a crise da aprendizagem produzido pelo Banco Mundial com dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa).

O Pisa é uma prova coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aplicada a cada três anos entre 35 membros da OCDE e 35 parceiros, incluindo o Brasil. Entre outros itens ela avalia o conhecimento dos alunos em ciências, leitura e matemática.

O relatório aponta que em países como o Quênia, Tanzânia e Uganda, quando se pediu aos alunos do 3º ano do ensino fundamental que lessem em inglês ou kiswahili uma frase simples como “o nome do cão é Filhote”, 75% deles não compreenderam seu significado. Na zona rural da Índia cerca de 75% dos alunos do mesmo ano não foram capazes de fazer uma subtração de dois dígitos.

Para que a aprendizagem cumpra a promessa de eliminar a pobreza e criar oportunidades para todos, o Banco Mundial aponta três recomendações de políticas públicas:

- Avaliação da aprendizagem. Segundo o estudo, só metade dos países em desenvolvimento tem dispositivos para medir a aprendizagem no final do ensino fundamental e das primeiras séries do médio.

- Fazer as escolas trabalharem para todas as crianças. O relatório propõe desde oferecer nutrição adequada até a utilização da tecnologia que ajudem os professores a ensinar;.

- Mobilizar todas as pessoas interessadas na aprendizagem, como a comunidade.

O relatório aponta casos de países que investiram em estratégias de aprendizagem e tiveram sucesso em avaliações internacionais. Um exemplo citado é a Coreia do Sul, país que foi assolado pela guerra e tinha taxas de alfabetização muito baixas em 1950, mas conseguiu universalizar o acesso de matrículas em 1995 e atingir altos índices em rankings de aprendizagem.

“O que o museu tem a ver com educação?”

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Como funciona o silêncio nas redes sociais



Por Cristian Derosa
Postado em 01/02/2017

A Teoria da Espiral do Silêncio foi desenvolvida na Alemanha, por Elisabeth Noelle-Neumann, em uma análise prolongada dos resultados das pesquisas eleitorais. Os pesquisadores observaram, após vários testes que incluíram uma diversidade de métodos, que uma das principais causas para as pessoas darem suas opiniões publicamente, ou ficarem caladas sobre elas, é o nível de medo do isolamento social. Esse medo ficou comprovado em sucessivos testes de campo. Se uma opinião é vista como majoritária, os opinadores dela terão mais coragem em se manifestar. Por outro lado, os contrários a ela terão uma tendência a ficarem calados. O resultado é um clima de opinião determinado pela propaganda de que uma ou outra opinião é majoritária. Um dos fatores mais importantes, portanto, é a atenção dada pelas pessoas ao comportamento opinativo do entorno social. A teoria foi formulada na década de 1970.

Antes do advento da Internet, portanto, as pessoas se informavam por canais mais simples como ouvir conversas no ônibus, em grupos de amigos ou acompanhar o noticiário opinativo. Parecia não haver lugar seguro para o isolado socialmente, aquele que possui uma opinião não compartilhada pela maioria (ou suposta maioria). Por isso, muitas pessoas mesmo intrigadas com determinadas questões públicas, precisavam de um longo período de silêncio até compreender a opinião do entorno e escolher se exporiam sua opinião ou não. O fator determinante era o medo do isolamento. Com a Internet, isso mudou substancialmente.

Segundo Neumann, no cálculo do risco de isolamento social, o indivíduo opta por empregar algum esforço na observação do entorno opinativo para reduzir o risco de confronto quando for externar sua opinião.

O computador pessoal se tornou rapidamente uma extensão da mente humana. Foi possível pesquisar solitariamente informações sobre assuntos, de modo que a pessoa possa manter-se em silêncio até ter informações suficientes para uma opinião mais segura. Inclusive informações sobre as opiniões correntes e mais aceitas. Os filtros de busca, como o Google, tornaram mais facilitada a procura por companheiros de mesma opinião, o que reduziu a sensação de isolamento e, com isso, o seu medo natural do ostracismo. O meio virtual como um simulacro do meio social contribui para o alívio da solidão humana e isso influi consideravelmente na criação de afetos e solidariedades grupais importantes para o reforço de personalidades, muitas vezes fortes e conflitantes com a maioria, o que sem a rede ocasionava isolamentos sociais dolorosos ou, o que é mais comum, o silêncio sobre as próprias opiniões e o fingimento de uma adequação social.

A espiral nas redes sociais

No Facebook, o feed de cada pessoa constitui o clima de opinião a que a pessoa tem acesso e serve, portanto, de critério de análise do que se pode ou não dizer, sempre por meio do cálculo do risco de isolamento, mensuradas com certa eficiência pelas curtidas, compartilhamentos ou comentários. A possibilidade de bloquear quem pensa diferente pode significar uma resposta ao velho medo do isolamento, o que é dado com um isolamento voluntário (ou seria a satisfação inerente à sensação de estar isolando o outro?). Por outro lado, o bloqueio pode ser uma ferramenta eficiente para se sair do mecanismo da espiral do silêncio. Ou pensar que se está saindo ao criar (randomizar) o próprio entorno social. Assim, gera-se um ambiente propício à externalização das próprias ideias de modo que eles até mesmo as reforçam.

O ambiente social, seja nas redes ou na realidade física, é um importante fator para determinar o que é dito ou não. A geração de um ambiente confortável à circulação de determinadas ideias pode representar também uma prisão ou um entorno igualmente hostil a ideias diferentes, o que impediria a entrada de ideias novas de outras pessoas ou mesmo da própria pessoa dona do perfil “configurado” para aceitar suas ideias. Portanto, o bloqueio ou o que se chama “limpeza” do feed, pode representar uma faca de dois gumes. Nem todas as pessoas possuem força interior, hoje, para retirarem-se de seus ambientes sociais toda vez que o ambiente se torna hostil às suas ideias. Em algum momento, as pessoas desistem de desfazer amizades e bloquear inimigos e passam a concordar com o entorno. Isso pode ser muito bem compreendido quando entendemos a mudança do caráter social no último século.

O reforço psicológico do grupo de apoio das próprias opiniões pode, por isso, favorecer uma radicalização ou até mesmo uma estagnação de indiferença e, por fim, o isolamento voluntário. É a isso que se referem, em geral, as reportagens comuns sobre o “ódio nas redes”. O problema é que, apesar de possíveis problemas, as redes sociais forneceram, nos últimos anos, um importante incremento à informação. Mesmo considerando verdadeiras as acusações da grande mídia, de que as redes sociais se tornaram o lugar do ódio.

Nos últimos anos, no Brasil, o Facebook foi amplamente usado para a mobilização que culminou no Impeachment de Dilma Roussef, em 2015. Além disso, a Internet tem sido palco de numerosas análises e divulgação de fatos e informações sistematicamente sonegados da população, o que evidentemente causa preocupação àqueles engenheiros sociais (ou seus repetidores úteis) que creem no perigo destruidor das massas e que, sem o auxílio da elite de iluminados que mantenha a massa domesticada, o caos e a final destruição serão os únicos destinos da civilização.

O upgrade da espiral do silêncio

Em uma matéria recente da Revista Veja, uma suposta novidade produzida pelas redes parece estar assustando analistas de mídia. São os “haters” (odiadores), que parecem estar povoando as redes e disseminando preconceitos raciais, sexuais e produzindo uma cultura de “bullying virtual”. O que esses analistas não percebem (ou fingem não perceber) é que essa nova classe de pessoas sempre existiu, mas era constrangida por um clima de opinião que as ameaçava de isolamento. A espiral do silêncio não é algo dependente da mídia, mas que acontece no meio social de qualquer forma. A criação da palavra “haters”, assim como a própria matéria da Veja, representa, na verdade, a tentativa de upgrade da Espiral do Silêncio, ameaçando com o isolamento e a humilhação pública aqueles que ousem dizer aquilo que pensam.

Muito pior que qualquer difamação racial ou sexual, o que a Veja faz, ecoando as ideias dos meios universitários do Brasil e deste preocupado mundo, é nada mais que instituir a perseguição à livre opinião, o que no caso representa a perseguição da revelação da verdade. Opinião é uma palavra bastante dúbia nos dias de hoje. Ela tanto pode ser digna de um Prêmio Nobel da Paz como pode tornar alguém o alvo preferencial de acusações de ódio e de todo tipo de preconceito.

O que chamam de preconceito racial, social, sexual e bullying, assim como denunciam ataques sofridos por celebridades (como se celebridades fossem midiaticamente indefesas), é na verdade a opinião sincera, temida desde que se começou a estudar meios de controlar as massas. Intelectuais como Gustav LeBon, Walter Lippmann, H. G. Wells, entre outros, acreditavam que a massa era incontrolável e tinha o potencial de dizimar a democracia e toda forma de liberdade por meio da sua espontaneidade caótica. Eles baseavam-se em teorias contratualistas como a de Thomas Hobbes e Rousseau, para quem a sociedade civilizada se originava de um contrato social, sem o qual o caos imperaria. Assim, a espontaneidade para esses intelectuais e seus seguidores, sempre será um mal que deve ser contido mediante o que Karl Mannheim chamou de “técnicas sociais”.

Leszeck Kolakowski, no célebre livro O espírito revolucionário – Marxismo: utopia e anti-utopia, afirma vir desses intelectuais aquilo que ele chama de intolerância da indiferença. Uma tal suposta”ditadura da verdade”, que o autor considera um “círculo quadrado”, pode ser imposta por dois motivos:

1) afirmando que a falsidade e o erro não podem ser tolerados porque a sociedade estaria perfeitamente convencida da verdade; ou

2) acreditando que verdade e justiça não possuem objeto e que seria preferível impor um único ponto de vista a todos do que deixar que os seres humanos briguem por futilidades.

Esta última hipótese, comum entre os estudiosos das teorias funcionalistas das ciências humanas, gira em torno da crença de que todo o estudo da realidade tem, em última análise, uma função social. Essa função era vista como formadora, normativa e organizadora da sociedade. Qualquer organização é melhor que o caos, para eles.

A explicação precisa preexistir aos fatos

O poder da mídia está menos na difusão de fatos do que na interpretação deles. Explicar o que está acontecendo é, para os intelectuais por trás da mídia, muito mais importante do que apenas apresentar os fatos. O momento dos fatos é o momento em que a forma da mente das pessoas precisa estar adequada para recebê-los. Para isso, a mídia precisa oferecer constantes análises e explicações da realidade. Quando as redes sociais resultam em um movimento de repúdio às ideias difundidas por essa elite seguidora daquelas ideias, tudo fica incompreensível e a mídia precisa oferecer uma nova explicação. A desestruturação do sistema social é a explicação mais utilizada, pois ela leva a pensar em soluções de reintegração, o que na forma da mente das pessoas significa imposição de uma ordem qualquer para resolver o problema do caos.

Espiral sempre existirá

Vivemos o império da empatia. As amizades, o círculo social, ganharam um valor acima de todos os valores culturais que imperavam nos séculos anteriores, o que deu à socialização um valor quase absoluto. Portanto, embora a espiral do silêncio possa ser atenuada em determinadas épocas, ela pode também ser reforçada por uma mudança naquilo que a sociedade considera mais importante de acordo com verdadeiras ou supostas ameaças sociais. O isolamento social já foi a marca característica de santos e heróis em épocas nas quais era fácil compreender que a verdadeira salvação está no abandono de si mesmo, o que implica diretamente no abandono do entorno social e de todo o respeito humano. O heroísmo dos indivíduos do passado, mesmo os cidadãos comuns que abriam empresas e chefiavam suas famílias, vai ficando cada vez menos compreendido em um mundo para o qual a direção da vida deve ser dada pelo movimento social. Mesmo a luta interna dos indivíduos contra o entorno, algo universal no ser humano, pode ser feita através de uma conduta imitativa, na qual o apreço social inerente à aparência de independência motive reações e modos de vida inteiros aparentemente livres.

O mundo da tolerância abstrata é o mesmo que não tolera opiniões diversas do ideal de tolerância calibrado pelos meios de comunicação e repercutido nos meios sociais. Opiniões independentes quase sempre sofrem a pressão das acusações de rompimento com o ideal de “empatia” permitido. Por isso, mesmo nas redes sociais o crime mais comum entre as acusações é o da arrogância, normalmente confundido com opinião independente. É claro que em um mundo neuroticamente socializado, dizer coisas que não são reconhecidas imediatamente dentro do padrão de opiniões circulantes, identifica-se com o rompimento da lógica socializadora e, portanto, solidária e tolerante. Essa aparente disfunção dos valores sociais vigentes só pode ser interpretada como um excessivo centro em si mesmo, um individualismo exacerbado, quando na verdade é apenas uma verdade não reconhecida pela linguagem dos cânones midiáticos.

A espiral do silêncio está presente nitidamente inclusive em ambientes religiosos, nos quais a conduta padrão é a dos santos e mártires, mas nos quais ainda assim impera o medo e a ameaça constante do isolamento social. Essa situação permitiu uma nova interpretação dos próprios mandamentos cristãos, como o Primeiro Mandamento (amar a Deus sobre todas as coisas), que facilmente era entendido noutras épocas, mas que hoje se encontra totalmente submetido ao amor ao próximo, algo cada vez mais ambíguo quando a interpretação corrente facilmente confunde o próximo com todo o entorno social e as ideias que circulam graciosamente pelo ambiente advindas da mídia de massa.

O homem precisa do reforço do próximo e esta afirmação evidencia a sua imperfeição e limitação. O limite do homem certamente está na sociedade que o envolve, assim como o que o transcende só pode estar obviamente fora do ambiente físico e social, ainda que seja nele que a sua transcendência se manifeste.
Publicação original do site Estudos Nacionais 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

As cenouras que venceram Hitler

Robert Watson-Watt com o radar que permitiu a Inglaterra vencer a Alemanha
Por Edson Joel

John Cunningham foi um dos mais famosos pilotos britânicos durante a segunda guerra mundial. Sua especialidade era derrubar aviões inimigos durante a noite. Isso chamou a atenção dos alemães que perderam 19 deles, todos abatidos por John. Os alemães já vinham atacando a Inglaterra com bombardeios constantes e, entre setembro de 1940 e maio de 1941 as bombas caiam em todo país. A Luftwaffe estava dominando os céus ingleses até que surgiu John Cunningham, o herói das crianças britânicas e o maior consumidor de cenouras do país.

Durante o dia os pilotos ingleses tentavam barrar os ataques inimigos e, à noite, era a vez do capitão John Cunningham, apelidado de "Cat Eyes", literalmente Olhos de gato. Ele e seus companheiros atentavam a vida dos pilotos alemães durante a noite.

E a cenoura? Bem, essa informação se espalhou pelo mundo apenas para desviar a atenção para outro importante fato que fez a diferença na guerra: os ingleses tinham desenvolvido um radar mais preciso e, para dissimular, criaram a tal dieta de cenoura que "tornaram os ingleses com visão mais apurada".

"Faça como nossos pilotos, comam cenouras e tenham melhor visão" - diziam as peças publicitárias. "Elas ajudam manter sua saúde e te ajudam ver na escuridão". Os alemães devem ter acreditado.


O poder da cenoura: a invencionice para desviar a atenção dos alemães ajudou no maior consumo de hortaliças. Até "sorvete de cenouras"


"As cenouras te mantêm saudável e ajudam a ver na escuridão": além de camuflar, a campanha
serviu para aumentar o consumo de hortaliças.

A invenção do radar

Foi em 1904 que surgiu o primeiro radar, inventado por Christian Hulsmeyer, engenheiro alemão. Seu radar conseguia detectar um objeto com alguma distância mas com precisão baixa. Mas, em 1917, Nokola Testa estabeleceu os princípios de frequências e potências utilizadas para detectar objetos e seu movimento.

John Cunningham
Vários cientistas, após essa publicação, desenvolveram radares com diferentes resultados até chegar a precisão dos radares atuais. Em 1934 registrou-se a primeira patente (Emile Girardeau, engenheiro francês patenteou o radar multi-frequência). Neste mesmo ano o russo P.K. Oschepkov criou o Radar que denominou de Rapid e que conseguia detectar a presença de um avião a três quilômetros de distância. Em 1935 Dr. Robert Page, norte americano, construiu um radar de mono frequência.

Mas foi o engenheiro britânico Robert Watson-Watt, em 1935, que conseguiu avançar no desenvolvimento de um radar que permitia localizar um avião a 100 km de distância. Por pouco os britânicos estiveram à frente dos alemães que também tentavam evoluir o equipamento. 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O suicídio entre homossexuais

Por Edson Joel

O índice de suicídios entre os que se auto declaram homossexuais (gays, lésbicas, bissexuais) e os denominados travestis e transexuais é maior se comparado aos jovens de um modo geral.

Pesquisadores apontam que esse grupo social tem maior tendência para a prática do suicídio, tentativa de suicídio ou ideação suicida, na faixa de 15 a 30 anos, em média. Mas a OMS - Organização Mundial da Saúde - não possui dados específicos destes grupos, pelo menos até 2016.

Michael F. Gliatto e Anil K. Rai desenvolveram um estudo, na Finlândia - cujos resultados foram publicados em 1999 - apontando que 22% das vítimas de suicídio, nesse grupo, haviam discutido com integrantes de equipes de saúde a intenção de se matar.

A chance de um homossexual cometer o suicídio é 5 vezes maior do que um indivíduo heterossexual. Grupos LGTB alegam que isso ocorre pela rejeição social e aumenta com a pressão contra leis de proteção como união estável de casal  e casamentos entre indivíduos do mesmo sexo. Jovens homossexuais, recusados pela família, tem tendência oito vezes maior de cometer suicídio.

Contra esse argumento afirma-se que a taxa de suicídios é grande em países, chamados de primeiro mundo, onde as leis pró LGTB avançaram na sociedade e, desta forma, o nível de preconceito é mínimo ou muito reduzido. Nos Estados Unidos uma pesquisa conduzida pela Universidade da Columbia sobre a relação orientação sexual e suicídio concluiu que os homossexuais tem maior tendência ao ato. Mesmo em regiões onde há menor preconceito, manifestam-se menos casos, mas as taxas ainda são maiores que entre jovens não homossexuais.

Analisa-se hoje que suicídios entre homossexuais ocorrem por egodistonia, isto é, uma pessoa não gostar de como é. Nessa condição há característico conflito psicológico embora a medicina de saúde mental observe que homossexualidade ou bissexualidade não sejam transtornos ou doenças. Buscar os motivos da ansiedade, angustias e sofrimentos interiores será a melhor abordagem?

O fenômeno suicida não parece pertencer a um grupo específico considerando que a cada 40 segundos alguém se mata, no planeta. Em números absolutos, evidentemente, suicidam-se mais heterossexuais que homossexuais por uma associação de fatores: calapso pessoal, contexto social, drogas, doenças mentais e perturbações por rejeição egodistônica.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O massacre de policiais continua

Nos Estados Unidos morrem 64 policiais por ano. No Brasil, 500. O que os governantes fazem?
Por Edson Joel

Em média, entre 1980 a 2014, 64 policiais morreram por ano, em serviço, nos Estados Unidos. O país tem 363 milhões de habitantes e mais de 290 milhões de armas. A venda de arma é permitida. Porém, o número de mortos por armas de fogo nos Estados Unidos - cerca de 10 mil/ano - está muito longe dos quase 40 mil no Brasil onde a venda é rigidamente controlada para civis. Mas os criminosos estão mais equipados que a polícia.

Em 2014 ocorreram 51 mortes de policiais e, destes, 46 em incidentes com armas de fogo. Os demais foram atropelados de propósito e um perdeu a vida durante uma briga.

No Brasil a média chega a 500 policiais mortos por ano. Em todo Brasil, nos 5 primeiros meses de 2017, foram contabilizados 248 mortos. Em 2016 foram 477 mortos no ano. Até agosto de 2017, somente no Rio de Janeiro, 100 policiais tinham sido mortos na troca de tiros com bandidos. A média de mortos de policiais no Rio de Janeiro, nos últimos 22 anos, foi de 140 por ano, totalizando 3.087.

Entre os anos de 2009 e 2013 a polícia militar e civil mataram 11.197 pessoas. Neste mesmo período morram 1.770 policiais. Significa afirmar que a criminalidade aumentou e não que a polícia tornou-se mais violenta dentro da sua arquitetura institucional. Neste mesmo período os gráficos apontam para o crescimento do crime organizado no país na mesma proporção que as "autoridades" brasileiras desarmavam os civis.

Armas nas mãos de bandidos

Em em 2010 foram 36 mil mortos catalogados como vítimas de armas de fogo, no Brasil, um número quase 4 vezes maior que as mortes nos Estados Unidos (9.960 no mesmo período). Mas tem outro detalhe: os americanos tem 295 milhões de armas contra 15 milhões no Brasil, a maioria nas mãos de bandidos. Mata-se no Brasil 19,3 pessoas para cada 100 mil habitantes. Nos Estados Unidos, 3,2 mortos para cada grupo de 100 mil. A Venezuela, o país mais violento do mundo, este índice é de 39.

Partidos e crime organizado

A tentativa de reduzir a ação da polícia, desarma-la ou extingui-la é pensamento ideológico que objetiva conquistar os votos dos fora da lei e seus familiares e calar a classe média responsável pela movimentação da economia nacional. Políticos de esquerda associados à marginalidade - bolsas que contemplam familiares de presos - querem a contra partida eleitoral, seus votos.

Não há esperança de mudanças no país que assiste ao massacre anual de policiais sem se mover de forma a exigir do quadro político e dos comandantes da polícia, políticas de combate à violência e suporte para que seus soldados não sejam dizimados.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Ditos populares: de onde vem essas expressões?

General Marcus Licinius Crassus, consul da Roma liderou a Batalha de Carra e acabou morto aos 61 anos (53 AC). Crasso subestimou as forças do inimigo ignorando a tradicional formação romana de combate - um erro estúpido para os estrategistas - e ficou famoso pela expressão "erro crasso". Foi ele que derrotou Espartacus na batalha da Revolta dos Escravos.
Por Edson Joel

Fulano cometeu um erro crasso. Hoje estou à toa. Ela pensa que tem o rei na barriga e tantas outros ditos populares são repetidos pelos povos, ao longo dos tempos mas, poucos sabem, exatamente, de onde vem seus significados. Se você costuma usa-las, saiba das histórias que se contam de cada uma.

Vá às Favas ou São favas contadas

Favas, na verdade, são feijões brancos ou pretos, de vagens, que eram utilizados antigamente para proceder uma votação. Quando havia dúvidas, a comunidade se reunia e efetuava uma votação utilizando favas. Cada cor representava uma posição contra ou a favor. Os feijões eram colocados numa urna, como uma cédula. Portanto, "mandar às favas" era um pedido para votar, utilizando favas brancas ou pretas. A expressão "são favas contadas" refere-se a algo já decidido, um negócio seguro e certo da aprovação.

Elefante branco

Uma obra que não tem nenhuma utilidade, costumamos chamar de elefante branco. A expressão teria vindo dos costumes tailandeses. O Rei dava um elefante branco para um membro da corte que o desagradava. como punição. O elefante branco era animal sagrado naquela região e, por ser presente do Rei, não podia ser recusado. Restava ao punido passar o resto da vida alimentando e cuidando do animal com máximo zelo.


Erro Crasso

Crassus foi um general romano que subestimou a capacidade de reação dos soldados de Partos e sofreu uma derrota vergonhosa na batalha de Carra, quando morreu aos 61 anos (53 aC) junto com seu filho. Crasso fez parte do chamado Primeiro Triunvirato Romano (Júlio Cesar, Pompeu e Crasso). O general ficou famoso por várias vitórias em guerras, inclusive na Revolta dos Escravos, comandada por Espartacus. Quando alguém comete um erro grave por negligência, descuido ou irresponsabilidade, diz-se que foi um "erro Crasso".

Ficar à toa

Quando se refere que alguém está à toa diz-se de uma pessoa que não faz nada, a esmo, sem rumo própria, despreocupada, dependente. Toa, na verdade é uma corda que é lançada de um navio a outro para ser rebocado, conduzido ao porto ou a outro lugar. Fulano ficou andando à toa significa, sem rumo. Fulano cometeu um erro à-toa (com hífen) dá sentido de ter cometido um erro desprezível.

Farinha do mesmo saco

Vem de “Homines sunt ejusdem farinae” - homens da mesma farinha - a expressão "Farinha do mesmo saco" numa referência a pessoas iguais, com os mesmos conceitos e crenças reprováveis. Considere que uma farinha de qualidade é ensacada separada de farinhas com qualidade menor.


Com a corda toda ou a todo vapor

A pilha que toca a maioria dos relógios hoje, não existia antigamente e eles funcionavam com um sistema que usava uma peça em forma de espiral que, estirada ao máximo, gerava uma força que acionava várias engrenagens de tamanhos diferentes, movendo os ponteiros. Os brinquedos antigos também se utilizavam esse processo de "dar corda". Dai a expressão "fulano está com a corda toda" para se referir a alguém muito agitado.


"Estamos a todo vapor" é outra expressão antiga que se refere ao andamento célere de um projeto, empresa ou ação comparando-se a um trem que se movia a vapor de água. "Onde aperta o botão que desliga a bateria desse moleque" vem em substituição a "corda toda" e "vamos a jato" no lugar de "todo vapor".

Com o rei na barriga

Entre mulheres você já deve ter ouvido algo do tipo "ela pensa que tem o rei na barriga" ao se referir a outra que considere arrogante. Essa expressão vem do tempo em que as rainhas, quando grávidas, recebiam atenção e tratamento diferenciados considerando que elas estariam gerando um filho herdeiro da coroa que poderia tornar-se rei. A frase "ele pensa que tem o rei na barriga", biologicamente, portanto, está incorreta.

Ouvidos de mercador

O correto seria "Ouvidos de marcador" e não mercador. Marcador era o nome que se dava a pessoa que marcava os criminosos com ferro quente e que ignorava suas súplicas e os gritos de dor. "Origem das frases", de Orlando Neves, diz que a confusão foi uma corruptela de marcador e mercador. Da mesma forma que "corro de burro quando foge" e não "cor de burro quando foge".

                                                                              



Pagar o pato

A expressão que aponta um culpado ou responsável por algo reprovável vem de um jogo comum na Europa, particularmente em Portugal.

Um pato era amarrado num mastro e o cavaleiro, ao passar pelo poste, deveria arrancar o pato do local. O perdedor pagava o preço do animal sacrificado na disputa.


Corro de burro quando foge

Diz-se que um burro em fuga é perigoso. Imagine um português falando rapidamente a frase. No Brasil entendeu-se "cor" e não corro. Até hoje fala-se errado tal e qual "tramela" e não o correto taramela.

Santa do pau oco

Pessoa que demonstra ser honesta mas é o oposto. Para contrabandear pedras preciosas e ouro para Portugal utilizava-se imagens de santas esculpidas em madeira, ocas.

Salvo pelo gongo

Quando foi diagnosticada a catalepsia - doença que imobiliza o corpo embora as funções vitais permaneçam ativas, em ritmo muito lento e quase imperceptível - algumas pessoas eram enterradas em caixões com um dispositivo que ligava o pulso do morto a um sino, do lado de fora, através de uma cordinha. Uma pessoa ficava alguns dias observando o sino. Naquele período muitos caixões abertos tinham suas tampas, do lado interno, arranhadas por unhas.


Com a corda no pescoço

Antes do enforcamento de um condenado o carrasco aguardava o mensageiro trazendo a confirmação da pena ou sua suspensão, como ato de clemência. Nesses longos minutos o prisioneiro ficava com a corda no pescoço aguardando a execução. A expressão refere-se hoje a pessoas com problemas sérios, ameaçado ou financeiramente ruim.

Comer com os olhos

Na antiga Roma e algumas regiões da África ofereciam-se banquetes aos deuses cujos alimentos não podiam ser tocados. O rei e os convidados apenas olhavam o alimento ofertado, com reverência.

O amigo da onça

A história vem do caçador mentiroso que pôs uma onça em fuga só com um grito exuberante e não convenceu o amigo. Irritado o mentiroso perguntou se ele era seu amigo ou amigo da onça.

Onde judas perdeu as botas

Depois de trair Jesus, Judas enforcou-se numa árvore. Estava sem seus sapatos ou botas. Com ele não encontraram o dinheiro fruto da traição. Todos foram procurar as botas do Judas crendo que o dinheiro estaria lá.


Deixa de nhenhenhém

O significado de nhée, em Tupi, é falar. Quando os portugueses se aproximaram dos índios diziam que eles só ficavam no nhe-nhe-nhen porque não entendiam nada. O sentido hoje é resmungos e lamúrias infindáveis. O nhe-nhe-nhem agora virou mimimi, lamentações irritantes e constantes.

Maria vai com as outras


Diz-se de uma pessoa que não tem personalidade própria e que se convence facilmente seguir a opinião de outra. Conta-se que Dona Maria I - mãe de D. João - quando ficou louca só saia de seu quarto acompanhada por várias damas. Dai "Maria vai com as outras".


Mulher de paquete


A expressão surgiu por volta de 1800 quando, mensalmente, chegava um navio inglês ao porto do Rio de Janeiro. O navio chamava-se Paquete e sua bandeira era vermelha e a associação com a regra menstrual foi imediata.

Lágrimas de crocodilo

O falso choro advém do fato de o crocodilo, quando come sua presa, pressiona o alimento contra o céu da boca e comprimindo as glândulas lacrimais. Não são lágrimas verdadeiras, dai a expressão para se referir a alguém muito falsa.


Jurar de pés juntos

Na Santa Inquisição, quando torturados, os hereges tinham pés e mãos juntados para confessar seus pecados, surgindo dai a expressão.

Queimar as pestanas

Antigamente quando se dizia que alguém estava "queimando as pestanas" significava dizer que ele estava passando a noite estudando muito, à luz de velas. Quer dizer que ao se aproximar da luz para enxergar algo corria o risco de queimar as pestanas.


Fazer à toque de caixa


Os exercícios e marchas militares são comandadas ao toque de caixa, instrumento acústico marcador de ritmo. Vamos fazer à toque de caixa quer dizer executar um serviço muito rápido e sob o comando de alguém.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

A revolta da vacina

Por Edson Joel

Brasil de 1904. A capital do país era o Rio de Janeiro, a maior cidade brasileira com 720 mil habitantes, então. O presidente Rodrigues Alves chama Oswaldo Cruz para assumir Diretoria Geral de Saúde, o grande problema nacional. O povo morria de febre amarela e varíola durante epidemias que grassavam por todos os cantos. A ignorância era outro grande mal do país que acabara de inaugurar a república.

Com tantas mortes o cientista e sanitarista Oswaldo Cruz lançou uma campanha contra o mosquito transmissor da doença com brigadas de mata mosca, limpando esgotos, ruas, terrenos e caixas d'água. A equipe usava força bruta para entrar nas casas e remover doentes compulsoriamente para os hospitais ou isolados.

Sanitarista Osvaldo Cruz, nascido em 1872
morreu aos 44 anos, em Petrópolis

O povo se irritou diante do "autoritarismo" das campanhas e se revoltou quando a vacinação contra a varíola tornou-se obrigatória. No dia 31 de outubro de 1904 a lei foi aprovada pelo Congresso e no dia 4 de novembro daquele ano irrompeu-se o que passou a ser chamada de Revolta da Vacina com graves confrontos entre populares e forças policiais. Dia 14 de novembro os Cadetes da Escola Militar também se rebelaram. Contidos os movimentos contra a vacinação, Oswaldo Cruz voltou ao comando.

- O bem coletivo poderia se sobrepor á liberdade individual? - perguntava a oposição política.

- O bem coletivo poderia se sobrepor à ignorância individual - respondiam os favoráveis a campanha.

A revolta não ocorreu apenas nas ruas mas, nas tribunas e imprensa. Rui Barbosa, o grande tribuno da Haia e então senador da república e contra a vacinação, usando de terror ao chamar a campanha de tirana e violenta, despachou, irresponsavelmente:


"A lei da vacina obrigatória é uma lei morta. .... Assim como o direito veda ao poder humano invadir-nos a consciência, assim lhe veda transpor-nos a epiderme. ..... Logo não tem nome, na categoria dos crimes do poder, a temeridade, a violência, a tirania, a que ele se aventura, expondo-se, voluntariamente, obstinadamente, a me envenenar, com a introdução, no meu sangue, de um vírus, em cuja influência existem os mais fundados receios de que seja um condutor da moléstia, ou da morte."

O povo destruiu a pavimentação de pedras, tombou bondes, quebrou lampiões e arrancou trilhos transformando as ruas do Rio de Janeiro em cenário de desolação. Canhões da marinha e soldados do exército atiraram contra o povo: 30 mortos, 110 feridos e quase mil presos. Os tumultos duraram até 16 de novembro. Muito mais tarde Rui Barbosa reconheceu o erro. A ciência venceu.