quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

O teorema de Thomas Bayes: um raciocínio matemático para situações altamente incertas.

A técnica de estatística e estimativa criada por Bayes tornou-se uma lei fundamental da matemática e é aplicada em todas as áreas do conhecimento.

Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

Foi o matemático inglês Thomas Bayes que criou o teorema que estuda as probabilidades e estatísticas utilizando os conhecimentos a priori e posteriori, de um evento. As conclusões, por esse teorema, podem ser alterados ao acréscimo de novos fatos/evidências e concluir, por exemplo, que o universo tem 13 bilhões de anos e não 15 como se supunha antes da virada do século. Ou colaborar para a descoberta de novos corpos celestes.


Numa disputa de moedas (cara ou coroa) concorda-se que as chances sejam de 50% entre dois participantes. Se for combinado se jogar 10 vezes a previsão, pelo método bayesiano, vai se ajustar a cada lance, aumentando ou reduzindo as probabilidades de cara ou coroa.

Foi com o Teorema de Bayes que Alan Turing - precursor da computação moderna - decifrou o código Enigma, utilizado por submarinos alemães, na 2ª Guerra Mundial, facilitando a vitória dos aliados.

A técnica de estatística e estimativa criada por Bayes tornou-se uma lei fundamental da matemática e é aplicada em todas as áreas do conhecimento. Ela está na inteligência artificial, largamente utilizada na programação de computadores, estudos da neurociência, probabilidades estatísticas da ocorrência de eventos como determinar o avanço de uma epidemia ou mudanças climáticas, genética, astronomia e computação.

Teorema de Bayes numa corrida de F1 

Um piloto de F1 tem 50% de chances de vencer, sob chuva mas suas chances caem para 25%, se não chover. A meteorologia estima em 30% a probabilidade de chuva na corrida. Sabendo-se que o piloto venceu qual é a probabilidade de ter chovido?

Quem foi Thomas Bayes?

Bayes (pronuncia-se beiz) nasceu em Londres em 1702 e morreu em 1761. Estudou na Universidade de Edimburgo onde ingressou em 1719 para estudar Lógica e Teologia. Thomas era filho de um pastor presbiteriano e foi membro da Royal Society em 1742. Tornou-se pastor e matemático.

Bayes estudou e criou a equação dos cálculos da distribuição para criar parâmetros de probabilidades mas, não se preocupou em desenvolve-lo e publica-lo. Isso foi feito por um amigo, Richard Price, que desenvolveu seus estudos em 1767 e, mais tarde, pelo matemático francês Pierre-Simon Laplace e divulgado em 1812.

O teorema surgiu para provar que milagres existem

O filósofo iluminista e diplomata escocês David Hume (autor de Investigação sobre o Conhecimento Humano) duvidou, certa vez, da existência dos milagres, invocando que eles agrediam as leis da natureza. Para o filósofo a ressurreição chocava as leis naturais, obra de Deus e colocava em dúvida os testemunhos e as probabilidades desses eventos. Se na natureza não há contradição, Deus estaria negando sua própria criação? 

"O milagre é uma violência contra as leis da natureza" (David Hume)

Para contrariar a posição de Hume, Bayes criou um teorema de probabilidades utilizando uma equação matemática para eventos incertos ou incompletos que, ao serem acrescentados, altera, até de forma radical, uma conclusão anterior.

A mesa, as bolas e os milagres

Bayes está de costas para uma mesa. Hume lança, sobre ela, uma bola e pergunta onde ela está.
 
- Jogue outra bola - pede Bayes. Hume joga a segunda bola.
- Ela caiu a direita ou a esquerda da primeira bola?, pergunta Bayes considerando que as próximas bolas lançadas poderão lhe dar uma posição mais exata da primeira. Cada evento atualiza a ideia inicial.

Para Thomas Bayes, o filósofo David Hume não poderia desconsiderar, então, os milagres registrados na Bíblia e a ressurreição de Cristo tão evidenciados nos vários testemunhos do evento.

Bayesianos X Frequentistas 

No entendimento das probabilidades a abordagem estatística pode se diferenciar entre bayesianos e frequentistas. 

"A probabilidade está fundamentalmente relacionada a nossa incerteza dos eventos" (Conceito bayesiano)

"A probabilidade está fundamentalmente relacionada com a frequência dos eventos repetidos (Conceito Frequentista)

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Suécia: um dos países mais igualitários da Europa também lidera o ranking da violência contra mulheres

O governo sueco envergonha-se do contraste de país mais avançado da UE na luta pela igualdade... ser um dos mais violentos contra a mulher.

Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

Pela classificação do Foro Econômico Mundial a Suécia é o quinto país do planeta em políticas públicas contra a desigualdade, perdendo apenas para Islândia, Finlândia, Noruega e Nova Zelândia.

A Namíbia, Ruanda, Lituânia, Irlanda e Suíça completam a lista dos dez países mais igualitários. O Brasil classifica-se em 93º lugar. O relatório é de 2021 e considera levantamentos que analisam a igualdade entre mulheres e homens na educação, saúde, política e trabalho, em mais de 150 países.

Na educação e saúde a paridade é praticamente total mas, no mercado de trabalho, existe defasagem atribuída  a baixa ocupação das mulheres em cargos gerenciais e menor participação como força de trabalho. A diferença salarial chega a 40%. Na Islândia, por exemplo, lei instituída em 2018 torna ilegal pagar salários mais altos para homens se a mulher exerce a mesma função.

Luta pela igualdade na Suécia é utopia?

Em casa, nas escolas e no trabalho a população sueca é orientada lutar contra as desigualdades e a pressão vem das rigorosas leis do país e dos meios de comunicação que, por exemplo, denunciam professores que não adotem as práticas. Os que discordam delas são demitidos.

As politicas para "correção de desigualdades de gênero" tem causado comportamentos comuns em ditaduras clássicas: famílias, receosas de serem denunciadas, só comentam esses temas em voz baixa e dentro de casa. Os suecos realmente aceitam as "políticas progressistas" do governo ou tem medo de discordar, diante da patrulha da imprensa?

Amanda Lundeteg, de 35 anos, da ONG Allbriht, é especializada em criar a lista negra que denuncia empresas cotadas na Bolsa de Valores que não tem mulheres na sua diretoria. Ela admite que, apesar de da legislação totalmente pró igualdade, as mulheres suecas estão descontentes. "A Suécia é muito menos progressista do que muitos pensam" - diz.

O governo sueco chegou a propor um sistema de cotas para equilibrar essa divisão nas empresas. A ideia morreu no parlamento.

Numa escola para crianças até 6 anos de idade, bancada parcialmente pela prefeitura de Estocolmo, prega-se o gênero neutro. Para demonstrar "igualdade" os bonecos não tem sexo. Cartazes mostram famílias com crianças com dois pais ou duas mães e nenhuma família com mãe, pai e filhos. Mas quando as próprias crianças se comparam, ficam confusas.

Moradores - que sempre pedem para não serem identificados - queixam-se que os imigrantes não aceitam as leis do país.

O relatório do Conselho Nacional de Prevenção ao Crime concluiu que os imigrantes e seus filhos tem até 3 vezes mais chances de serem considerados suspeitos, baseados nas estatísticas do setor.

Suécia lidera "violência machista"

Segundo relatório da ONU, publicado em 2019, por região, a maior porcentagem de violência contra mulheres ocorre na Oceania (34,7%) com exceção da Austrália e Nova Zelândia, seguida pelas regiões central e sul da Ásia (23%), África (21,5%), Ásia Oriental (12,3%), América Latina e Caribe (11,8%), leste e sudeste da Ásia (9%), Europa e América do Norte (6,1%).

E a Revista Social Science and Medicine, em 2014, publicou o inconcebível: a Suécia tem um dos maiores níveis de violência contra as mulheres, em toda Europa. De lá pra cá, piorou.

O trabalho foi assinado pelos pesquisadores espanhóis Enrique Gracia e Juan Merlo, respectivamente psicólogo social da Universidade de Valência e epidemiologista da Universidade de Lund sob o título Paradoxo Nórdico.
Tanto a Dinamarca e Finlândia, como a Suécia, despontaram como líderes de agressões físicas, sexuais e psicológicas dentro da relação ou fora dela. A pesquisa da FRA, Agência Européia de Direitos Humanos sobre violência contra as mulheres baseia-se em entrevistas presenciais com 42.000 mulheres em toda a UE, no ano de 2012.

O governo sueco envergonha-se do contraste de país mais avançado da UE na luta pela igualdade... ser um dos mais violentos contra a mulher. Os "especialistas" em criar respostas para tamanho paradoxo citam o consumo de álcool excessivo ou ciúme de homens machistas por mulheres competindo nas vagas de trabalho.

Para evitar um tom preconceituoso o governo evita culpar os imigrantes/refugiados que o país, por lei da UE, é obrigado aceitar.

Onda de assassinatos de mulheres

A luta pela igualdade de gênero entrou no foco com uma onda de assassinatos de mulheres na Suécia. Em cinco semanas seis mulheres foram mortas em crimes domésticos. O que mais preocupa é que isso ocorre no país mais elogiado por sua legislação igualitária. Os governantes começam a entender que "consciência não se impõe por decretos".

A violência contra mulheres aumentou no país. As autoridades registraram 16.500 casos de agressão doméstica em 2020, mais de 14,5% em relação ao ano anterior. E tudo isso ocorre dez anos depois de implantados programas de proteção à mulher e igualdade de gênero.

Revolta de imigrantes: exigem mudança das leis 
Carro da médica Karolin Hakim, morta em Malmö

Imigrantes: ocorrências sem registro da etnia

Um dos temas debatidos internamente, com pouca divulgação pela imprensa, envolve os recentes movimentos migratórios e a violência no país. Para não contrariar as pregações de igualdade, a polícia sueca não registra as ocorrências de crimes com a caracterização étnica do criminoso. Sabe-se, entretanto, que muitos que estão sendo julgados não são suecos. A afirmação vem dos promotores de justiça.

A França, Bélgica e Espanha tem o maior número de roubos, por habitante, na Europa. Depois vem a Suécia. Mas em número de tiroteios os suecos avançaram: em quase 400 incidentes com armas de fogo 47 mortos em 2020.

Em 2015 a Suécia recebeu mais imigrantes, por exemplo, que a Alemanha. O país tornou-se refúgio de quase 200 mil deles principalmente pelo auxílio financeiro oferecido pelo governo. Revoltas e destruição em manifestações dos refugiados que não aceitavam algumas leis do país, drogas e crimes assustaram a população. A situação fugiu do controle com o tráfico de drogas, tiroteios e mortes.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Quem verifica os verificadores de fatos? Uma reportagem sobre censura à mídia



Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

Com essa manchete o site American Institute Economic Research questionou, recentemente, por que existem grupos de jornalistas que se auto intitulam verificadores de fatos (não especialistas nos temas que avaliam) que determinam se uma noticia publicada na mídia é fake ou não?

Nos Estados Unidos, por exemplo, os "verificadores de fatos" geralmente são jornalistas politicamente engajados e, agora, muito próximos de Jen Psaki, Secretária de Imprensa da Casa Branca, que pede conluio entre entre empresas de mídia social e o governo com o objetivo de "censurar a desinformação".

É o caso da NewsGuard, uma empresa relativamente nova que pratica posições políticas da moda e publicou no Twitter, em 17 de julho de 2021, apoio a Psaki por uma parceria governo-mídia, para censurar conteúdo na internet. Afirmou que tinha oferecido os dados de sites que, segundo eles, praticavam desinformação.

Tweet do NewsGuard elogiando declaração de Psaki: "Quando o NewsGuard ofereceu ao Facebook nossos dados de sites que espalham desinformação no início da pandemia - eles não quiseram. Brigando com o Presidente dos Estados Unidos não resolverá a epidemia da desinformação. Trabalhar de forma colaborativa, sim - nossas portas estão abertas."

As frases "trabalhar de forma colaborativa" e "nossa porta está aberta" revelam que o NewsGuard se vê no papel proeminente em qualquer acordo de conluio que surja das recentes declarações da Casa Branca. Sua postura de influência, no entanto, obscurece uma questão mais básica: por que devemos confiar em um verificador de fatos auto-nomeado? De fato, quem verifica os verificadores de fatos?" - pergunta o American Institute  Economic Research.

Quem verifica os verificadores de fatos?

O American Institute  Economic Research decidiu investigar quem é esta nova empresa estranha na avaliação do conteúdo de outros sites. Afirma o site AIER:

Logo descobrimos que o NewsGuard está muito aquém dos mesmos critérios de precisão e transparência que afirma aplicar a outros sites. A maioria dos verificadores de fatos da empresa não tem qualificações básicas nos campos científico e sócio-científico que pretendem arbitrar.

O próprio histórico de comentários do NewsGuard – particularmente na pandemia covid-19 – revela um padrão de alegações não confiáveis e enganosas que exigiam correções subsequentes, e análises que regularmente confundem fato com jornalismo de opinião na prestação de um julgamento sobre o conteúdo de um site.

Além disso, as próprias práticas da empresa estão muito aquém dos padrões de transparência e divulgação que se aplica regularmente a outros sites. Quão precisos são os verificadores de fatos auto-nomeados?

A premissa declarada da verificação de fatos é corrigir erros em sinistros publicados por outros sites e pontos de venda. Mas o que acontece quando a organização que faz a verificação de fatos tem seus próprios fatos errados?

O vazamento do vírus no Laboratório de Wuhan

Como o NewsGuard  agiu quando a mídia publicou sobre a hipótese de possível vazamento do vírus por infecção acidental dos trabalhadores do laboratório de virologia de Wuhan - que estudava o corona vírus em morcegos - e que provocou a pandemia?

De forma agressiva o NewsGuard penalizou outros sites até por, simplesmente, levantar a possibilidade de vazamento acusando-os de promover "teorias conspiratórias infundadas sobre a origem do vírus. O NewsGuard disse que "não há evidências de que o Instituto de Virologia de Wuhan foi a fonte do surto, e evidências genômicas descobriram que o vírus é '96% idêntico no nível do genoma inteiro a um coronavírus de morcego'.


Em alguns meses o próprio "verificador da verdade" começou a desconversar depois que vários cientistas passaram a dar credibilidade a hipótese. E, algum tempo após, o próprio presidente Joe Biden e o conselheiro médico da Casa Branca Anthony Fauci consideram a teoria do vazamento de plausível e pediram uma investigação no laboratório de Wuhan.

Desculpas pelos erros

Pouco antes, o NewsGuard ameaçava rebaixar um site de medicina alternativa por "publicar desinformação" sobre esse assunto. Em outro exemplo, em fevereiro de 2020, o NewsGuard disse que exigiu a correção formal ou retratação de um site de notícias médicas, via Twitter.
Depois que o American Institute Economic Research apresentou provas que viabilizavam a teoria de vazamento, o NewsGuard, apagou silenciosamente o tweet nos dias seguintes ao inquérito da AIER.

Todos os sites "condenados por teoria da conspiração" pelo NewsGuard foram reclassificados depois que "a verdade" surgiu, definitivamente.

"O NewsGuard pede desculpas por esses erros. Fizemos a correção adequada em cada um dos 21 rótulos." - comunicaram, laconicamente, os censores.

"O NewsGuard não publicou os resultados completos de sua auditoria, ou uma lista das correções que fez, impedindo assim a verificação independente se suas correções foram suficientes para corrigir a desinformação covid que havia publicado anteriormente. A empresa não respondeu ao pedido da AIER para essas informações."

Os pseudo "verificadores de fatos" - lá e tal qual aqui - cometem erros frequentes, são ignorantes na maioria dos temas que avaliam e tem excesso de engajamento político, além de não possuírem qualificações em todos os campos da ciência. Exemplos comuns são suas intervenções em publicações em sites sociais. São os novos censores. Analfabetos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

A natureza, a liberdade e a prosperidade

Por que os grupos sociais tem melhor desempenho quando são livres? Por que as hierarquias se desenvolvem naturalmente dentro desse ambiente de liberdade?

"Toda matéria e sistemas do universo têm uma tendência a evoluir naturalmente para se tornarem mais eficientes." (Adrian Bejan)

Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

"Uma Conversa sobre a Intersecção entre Física e Liberdade" é o tema do artigo de Ethan Yang, pesquisador da American Institute for Economic Research, bacharel em ciência política e atua como diretor do Centro Mark Twain para o Estudo da Liberdade Humana, no Trinity College e participa de movimentos de estudantes, pela liberdade.

Ele comenta o livro do Dr. Adrian Bejan "Liberdade e Evolução: Hierarquia na Natureza, Sociedade e Ciência". Bejan é um físico romeno americano renomado e nunca teve a ver com o campo de humanas e ciências sociais.

Sua grande contribuição foi a elaboração da Lei da Construção, declarada em 1996. Essa lei da física "explica o fenômeno da evolução (configuração, forma, design) em toda a natureza, sistemas de fluxo inanimados e sistemas animadores juntos.

"Para que um sistema de tamanho finito persista no tempo (de viver), ele deve evoluir de tal forma que proporcione acesso mais fácil às correntes impostas que fluem através dele."

Em resumo, a conclusão de Bejan é que "toda matéria e sistemas do universo têm uma tendência a evoluir naturalmente para se tornarem mais eficientes."

Bejan aplica essa lei para explicar fenômenos científicos sociais e responder porque os grupos sociais tem melhor desempenho, quando são livres e por que as hierarquias se desenvolvem naturalmente dentro desse ambiente sem contenção artificial. Ele sugere que o uso da energia aumenta à medida que as economias crescem.

"A China e Vietnã, países pós comunistas, estão indo muito melhor agora com a liberdade de mercado" - afirmou Bejan na entrevista à Ethan. "As sociedades livres avançam quando seguem as leis da física" - concluiu.

Ethan Yang escreve, em seu artigo:

"A civilização humana, assim como todas as coisas vivas e inanimadas, tem uma tendência natural de evoluir para se tornar mais eficiente. Portanto, uma sociedade que permite que seu povo tenha liberdade também permitirá que seu povo passe por essas tendências naturais para melhorar e otimizar. A melhor coisa que os governos podem fazer para facilitar isso é evitar que seu povo seja oprimido uns pelos outros, por si mesmos, ou por ameaças estrangeiras."

"A sociedade torna-se mais eficiente e produtiva quando é capaz de se expressar livremente", diz Bejan.

E ele faz correlação entre economias de escala e um cano de água: um tubo grande - que permite que a água se condense - transporta mais água do que dois tubos menores. pois a água tem tendência natural de encontrar a maneira mais eficaz de viajar. Igualmente na escala econômica: duas empresas menores não ganharão mais eficiência que uma grande empresa que se expandiu ou se fundiu com outra.

"A tendência natural das empresas, assim como a água e outras formas de matéria no universo, é avançar em direção a um sistema mais eficiente, que neste caso é através da consolidação", escreve Yang. E continua:

"Essa ideia pode ser aplicada a muitas outras áreas além de economias de escala. Se você está administrando uma cidade, você terá melhores resultados se permitir que as pessoas se envolvam em livre associação e empresa ou seria melhor tentar microgerenciar a vida de todos? Embora possa parecer tentador tentar microgerir, simplesmente estabelecer regras básicas e permitir que as pessoas vivam vidas livres permite que a maioria das preferências seja realizada pela maioria das pessoas. 

Ninguém precisa dizer às cafeterias o que servir, o açougueiro o que vender, o sapateiro quanto pedir, etc. Na verdade, sociedades que tentam fazer isso, como a antiga União Soviética ou a China maoísta, tendem não só a ser mais pobres, mas também incrivelmente monótonas."

Quem diria que pra entender que a liberdade e prosperidade tem muito a ver com a eficiência natural das coisas precisaríamos de uma pitada da física? Devemos concluir que quanto mais complexo o mundo, mais simples devem ser as regras?

Afinal, na natureza não há contradições!

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

As vacinas mais seguras começaram com tragédia

Criada por Koprowski em 1950 e Jonas Salk em 1953 a vacina salvou milhões de crianças da paralisia infantil. Mas o erro de fabricação de um laboratório americano causou tragédia.

Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

Quem criou a primeira vacina contra a poliomielite, com vírus vivo atenuado, foi o virologista Hilary Koprowski em fevereiro de 1950. Em 1958, e começo de 1960, Koprowsk comandou uma campanha de vacinação no Congo Belga e Polônia quando 7 milhões de crianças foram imunizadas.

Em 1952/1953, utilizando vírus inativado, surgiu nos Estados Unidos a vacina criada por Jonas Edward Salk, virologista e epidemiologista nascido em 1914, em Nova Iorque, que morreu em 1995, na Califórnia. O anúncio feito na Universidade de Pittsburgh em abril de 1955.

Jonas Salk e Albert Sabin

Na vacina de Salk (baseada no crescimento do poliovírus em cultura de células renais de  macaco) o vírus era inativado quimicamente com formalina. Duas doses aplicadas por injeção davam cobertura eficiente em 90% dos casos e 99% de proteção em três doses.

Em 1957, Albert Sabin começou os ensaios clínicos em humanos com uma vacina em gotas que foi selecionada pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos entre vários estudos, inclusive de Koprowski. A vacina oral de Sabin atenuava os vírus pela passagem repetida por células não humanas a temperaturas subfisiológicas.

Hilary Koprowski

A vacina da gotinha de Sabin - de fácil administração e custo menor - foi autorizada em 1962, cerca de 9 anos depois da vacina Salk - e imunizava contra os três sorotipos de poliovírus com eficiência de 50% e três doses produzem proteção contra três sorotipos em mais de 95% dos imunizados. Além dessa proteção a vacina também provocava imunidade no intestino, contra infecções. A vacina Sabin OPV foi substituída pela IPV porque a primeira poderia sofrer mutação para uma forma de vírus que poderia causar paralisia.

Lockdown e O incidente de Cutter

Entre 1940 e 1950 a ocorrência do surto de paralisia infantil nos Estados Unidos atingia 35 mil crianças, por ano e provocava medo. Instalou-se o lockdown, redução de trânsito e comércio sem movimento. O anúncio, em 1955, da aprovação e liberação da vacina Salk aliviou o medo e tensão mas, um mês depois do início da campanha de imunização, o programa foi suspenso.

Detectou-se que um dos lotes das vacinas, produzidas pelo Laboratório Cutter, continha erros e poderia causar paralisia. Esses lotes continham vacinas com cepas ativas. Foram registrados 260 casos de pólio associados à vacina. Cerca de 40 mil crianças queixaram-se de rigidez na nuca, dores de cabeça, febre e fraqueza muscular - sintomas característicos de pólio. 164 crianças ficaram paralíticas e 10 morreram.

Suspensa a campanha, todos os laboratórios passaram por revisão nos procedimentos e testes de segurança. Em outubro de 1955, 5 meses depois, a vacinação foi retomada. A doença foi considerada erradicado em solo norte americano em 1979.

O erro de Cutter e mais segurança

Relatórios apontam que a Cutter utilizou de cepa mais agressiva do vírus e filtros defeituosos que separavam o vírus do tecido de macacos onde foram cultivados. Por isso poderiam vazar vírus ativos. Os testes impostos aos laboratórios eram incorretos e inadequados. O laboratório culpou Salk e o governo pela fragilidade do processo. Após o que denominou-se Incidente de Cutter todos os processos para produção de vacinas e medicamentos nos Estados Unidos foram revistos e aumentou as exigências regulatórias.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Suécia, Dinamarca, Finlândia e Noruega: menos mortos, sem lockdown


Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza
Atualizado em 4 de fevereiro de 2022

"A histeria da mídia é mais perigosa que o próprio vírus." (Robert Andersson, de Södermalm, Estocolmo)

 A emissora de televisão norte americana CBS disse, repetidas vezes, que a Suécia era um "exemplo de como não lidar com Covid-19" e o The Guardian - o pomposo jornal inglês - considerou as decisões adotadas pelo governo sueco como uma "potencial catástrofe".

As críticas tinham um alvo: os protocolos adotados pela Suécia durante a pandemia em 2020, não considerava o lockdown, na contramão das políticas adotadas pela maioria dos governos europeus.

Nem só a "imprensa" estava errada - e escondeu os bons resultados da Suécia - como epidemiologistas estão reestudando a abordagem que permitiu a Suécia ter menor taxa de mortalidade, comparada com grande parte da Europa, em 2020 e no primeiro semestre de 2021 que chegou ao dia 26 de julho com zero mortos por covid-19.

Lockdown X Ciência

Recentemente mais de 100 mil franceses protestaram contra a estratégia do presidente Macron que decidiu que não vacinados não podem sair as ruas. Na Austrália pouco mais de uma centena de contaminados foi registrada positiva entre mais de 100 mil exames e, mesmo assim, o país entrou em lockdown. Bloqueios são contenções artificiais e, se utilizado por longos períodos, podem causar danos irreversíveis e mais mortes. As estatísticas mostram isso. Suécia, Dinamarca, Finlândia e Noruega registraram os menores índices de mortalidade. Todos eles tem algo em comum: não usaram lockdown.

Anders Tegnell, epidemiologista
Suécia: A vida continua, como antes

Nesta primavera casais namoram nos parques, crianças brincam, escolas, cafés e restaurantes estão abertos e o sistema de transporte público ativo. Stefan Löfven, primeiro ministro sueco, apenas pediu para que o povo se comportassem como adultos.

Mas foi Anders Tegnell, considerado um dos melhores epidemiologistas do mundo, que sofreu as maiores críticas vindas da comunidade científica ao não adotar os bloqueios. Mas as estatísticas estão a seu favor: sem bloqueios a Suécia experimentou um resultado ótimo: os números da taxa de mortalidade foram muito menores que a maioria dos países europeus, em 2020, segundo a agência Reuters.

Números mostram que a Suécia acertou 

A Suécia teve 7,7% mais mortes em 2020 do que sua média dos últimos quatro anos enquanto Espanha e Bélgica, com lockdown rigorosos, experimentaram a chamada mortalidade em excesso, de 18,1% e 16,2%, respectivamente. Vinte e um países apresentaram maior mortalidade em excesso do que a Suécia. Os dados são da UE Eurostat.
Mas, como explicar que a taxa de mortalidade da Dinamarca, Finlândia e Noruega foram menores ainda que a Suécia? A Dinamarca (1,5%) e a Finlândia (1,0%), na verdade, adotaram políticas muito menos restritivas que as suecas. A Noruega registrou 0% de mortalidade em excesso.
Considerada pela imprensa como "uma potencial catástrofe", a Suécia zerou número de mortos, sem histeria.

A Bloomberg afirmou que a "Suécia foi muito criticada por contrariar a tendência entre os governos que impuseram decretos draconianos de bloqueios que prejudicaram a economia mundial e jogaram milhões fora do trabalho e, meses depois, os dados mostraram que a Suécia havia achatado a curva, com sucesso, em contraste com muitos outros pontos quentes globais."
"Alguns acreditavam que era possível eliminar a transmissão de doenças fechando a sociedade", disse Johan Carlson, diretor da Agência de Saúde Pública da Suécia. "Nós não acreditamos nisso e nós temos provado que está certo."
Somente agora o mundo discute os graves erros praticados por governantes que descartaram as liberdades e abraçaram os bloqueios, com péssimos resultados. Muitos estudos acadêmicos mostram isso.

Estocolmo: a ciência venceu a histeria

Um artigo de Jon Miltimore, para a Foundation For Economic Educacion, diz que "uma das razões pelas quais a Suécia viu uma taxa de mortalidade menor do que a maioria de seus homólogos europeus é porque seus líderes reconheceram os imensos prejuízos dos bloqueios. Como resultado, a Suécia evitou grande parte dos danos colaterais associados aos bloqueios, que incluem sofrimento econômico, aumento do suicídio, depressão do isolamento social, abuso de drogas e álcool e outras consequências adversas de cura pública.

Com lockdown os EUA viram a saúde mental regredir 20 anos, no ano passado. O CDC relata o aumento da depressão em jovens. Houve picos de suicídio, overdoses de drogas.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Aquecimento global: "temperatura média" da Terra hoje é a mais baixa da história do planeta

Em agosto de 2020, o Vale da Morte, na Califórnia, marcou 54,4 graus Celsius, a mais alta temperatura do planeta, desde 1931. Observa-se que, naquela época (1931), as emissões de carbono, geradas pelo homem e suas máquinas, eram irrisórias e insuficientes para provocar tanto calor.

Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza
Atualizado em 06.12.2022

A Terra tem próximo de 4,5 bilhões de anos e já viveu períodos muito mais quentes que hoje. Por exemplo, no período Neoproterozoico, entre 600 e 800 milhões de anos atrás e no período da Máxima Térmica Paleocene-Eoceno, há 50 milhões de anos, as temperaturas eram mais altas.

As "mudanças do clima" demandam milhões de anos.

Evidente que essas ocorrências envolviam causas naturais e que não havia intervenção do ser humano que surgiria milhões de anos, após.

A temperatura hoje

A "temperatura média" da Terra, hoje, é de 15ºC, uma das mais baixas na história do planeta. Nessa fase os polos concentram geleiras que aumentam e diminuem constantemente e naturalmente. Esses eventos ocorrem há milhões de anos.

No período eoceno essa temperatura média chegou a 21ºC. Nesse fase não existia gelo nos polos e as águas dos mares tinham aquecimento em torno de 35ºC. Durante alguns milhões de anos as plantas floresceram nas regiões dos polos, então mais frescas. 

Mas, 250 milhões de anos anteriores, a terra viveu seu período mais quente: 32ºC de média. Chamou-se de período de aquecimento extremo. Essa fase ocorreu durante milhões de anos. Os estudos são do Instituto Smithsoniano.

Como se explica?  

Nos Estados Unidos, em agosto de 2020, o Vale da Morte, na Califórnia, marcou 54,4 graus Celsius, a mais alta temperatura do planeta, desde 1931. Observa-se que, naquela época (1931), as emissões de carbono, geradas pelo homem e suas máquinas, eram irrisórias e insuficientes para provocar tanto calor.

Igualmente, em 1923, quando a produção industrial no planeta era pequena, viveu-se, em várias partes do mundo, ondas de calor intensas. Falava-se no fim do mundo. Na história recente a temperatura subiu - mesmo com baixa atividade industrial - e resfriou durante um período, independente das emissões de gases na atmosfera.

Por que a temperatura caiu?

Sabe-se que, entre 1915 a 1940, houve registro no aumento de temperatura global quando a atividade industrial era ínfima. Mas a temperatura média da Terra caiu entre 1940 a 1975 e esse resfriamento foi provocado por emissões antrópicas de aerrossóis de sulfato (queima de combustíveis fósseis) que podem causar impactos diretos e indiretos no clima. A queda de temperatura ocorreu exatamente no momento da maior produção industrial mundial, inclusive pós guerra, com maior emissão de CO2. 

De 1975 até hoje, há registro de aumento da temperatura que permanecerá pelo menos nesse século, segundo a ciência.

Sintomas precedentes

Todas as vezes que o planeta Terra tornou-se um caldeirão quente precedeu-se com emissão imensa de gases causados por violentas erupções vulcânicas com enormes quantidades de dióxido de carbono lançados na atmosfera ou metano, no fundo do mar. Mas essas alterações climáticas - aumento e redução - ocorreram após muitos milhões de anos. Até bilhões.

Como se mede a temperatura

Os registros de temperatura de termômetros e estações meteorológicas existem apenas para uma pequena parte da vida de 4,54 bilhões de anos do nosso planeta. Ao estudar pistas indiretas — assinaturas químicas e estruturais de rochas, fósseis e cristais, sedimentos oceânicos, recifes fossilizados, anéis de árvores e núcleos de gelo — no entanto, os cientistas podem inferir temperaturas passadas. (Climate.gov | NOAA ciência e informação para uma nação inteligente para o clima)

Uma história geológica da Terra desde sua formação há 4,6 bilhões de anos, dividida por éon e período, e mostrando fósseis típicos de um determinado período. Fósseis revelam não apenas plantas e animais antigos, mas também climas antigos. Arte © Ray Troll, 2010. (Climate.gov)

Existe temperatura média global?

Durante o IPCC de 2007 (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), 2.500 pesquisadores, de 130 países, concluíram que o aumento de "temperatura média" do planeta subiu 0,7ºC por conta das ações do homem, entre 1901 e 2005.

"Isso não tem nada de científico" - afirmam cientistas canadenses e dinamarqueses que realizaram estudos recentes sobre o tema. Esse conceito matemático e termodinâmico é impossível, afirmam. O Dr. Bjarne Andresen (Universidade de Copenhague) diz que "o clima não é governado por uma única temperatura. São as diferenças de temperaturas que criam as tempestades, correntes marítimas, trovões, etc. que caracterizam o clima.

" Localmente você pode até referir-se a temperatura média mas falar em temperatura média global beira o absurdo" - resume.

Métodos matemáticos

Em um copo existe água com temperatura de 100ºC e, em outro, água com 0ºC. A média aritmética, para o IPCC, seria 50º C.

Se se aplicar o conceito de média geométrica (os valores das temperaturas são multiplicados e elevados ao quadrado) os cálculos realizados em graus Kelvin são convertidos para Celsius e o resultado será uma temperatura média de 46º C e não 50º C.

Dióxido de carbono: o bom vilão

Para o aumento médio da temperatura na atmosfera e oceanos "dá-se o nome de aquecimento global", efeito provocado por altas concentrações de gases de dióxido de carbono - CO2 - que causam o efeito estufa, isto é, o bloqueio do calor emitido pelo Sol que permanece na superfície do planeta. O  CO2 virou vilão. Mas o que aconteceria se se conseguisse eliminar o dióxido de carbono do planeta?

Quanto menos emissão de gases CO2 saindo dos escapamentos, melhor.

Mas é bom alertar que o vilão não é tão mal assim.

O carbono encontrado na atmosfera, na forma de dióxido de carbono, é essencial para a vida nosso planeta e, sem ele, as plantas não fariam fotossíntese. E fotossíntese (síntese pela luz) é o processo que as plantas consomem dióxido de carbono e transformam em oxigênio que é a fonte primária de energia para todos os seres viventes.

A erupção de vulcões lança muitas toneladas de dióxido de carbono na atmosfera e muitos organismos liberam esse gás, inclusive plantas e árvores (chamadas de compensadoras de dióxido de carbono) que, em determinadas circunstâncias, passam a respirar oxigênio e liberar dióxido.

O futuro do planeta e a histeria no presente

Estudos ainda em andamento indicam que Vênus pode não ter sido destruído pelo Sol mas vítima de imensas atividades vulcânicas que provocaram liberações de grande volume de CO2 na atmosfera, um processo que demandou bilhões de anos.

Cientistas mostram que, qualquer que for o cenário - destruição pelo calor do sol ou por atividades vulcânicas - eventos que fogem do controle humano, levarão a Terra viver um período muitíssimo quente.

O futuro da Terra independerá dos 8,5 bilhões e meio de seres humanos, nem da sua histeria. Nem dos sonhos roubados. Nem dos peidos dos carneiros australianos. Devemos recordar que a "ciência", até a semana passada, acreditava que éramos 9 planetas no sistema solar e, faz alguns segundos, descobrimos que somos milhões de sistemas solares 
rodando por ai.

terça-feira, 20 de julho de 2021

Woke capitalism: Por que grandes corporações "esquerdizaram"?


"Se você tolera racismo, delete o Uber. Os negros tem o direito de se mover, sem medo".

Enquanto o Uber fazia sucesso com sua ação de marketing, após a morte de Jacob Blake, advogados da empresa tentavam evitar a aprovação de Lei do Estado da Califórnia que a obrigava considerar seus motoristas como funcionários de tempo integral e outras concessões de benefícios, inclusive de saúde.

Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

Woke Capitalism - literalmente Acordou ou Despertou Capitalismo - é um termo cunhado pelo jornalista e colunista Ross Douthat, em um artigo no New York Times de 2015, para explicar uma prática que passou a ser utilizada, em larga escala, por grandes corporações em todo mundo: apoderar-se de bandeiras sociais... para lucrar mais.

Na verdade esse termo já existia entre corporações conservadoras, usado de forma irônica como um alerta para a "esquerdização corporativa". E esse ativismo corporativo encontrou nas questões sociais uma maneira de criar empatia junto ao público cada vez mais "politicamente correto" e aumentar as vendas dos seus produtos.

É perceptível, na publicidade das empresas de grande porte, campanhas propagandeando apoio à causas progressistas que nunca defenderam e sequer aplicam. Toda essa agitação tem sido, apenas, marketing para vender e lucrar mais.

Uma pesquisa da Axios/Momentive (que analisou o comportamento do americano diante de temas como capitalismo/socialismo/ desigualdade econômica) aponta que 42% dos consultados, entre 18 e 24 anos, tem uma visão positiva do capitalismo e 54% negativa. Há dois anos essa mesma pesquisa apontava 58% e 38%, respectivamente.

Os números mostram que a simpatia pelo progressismo socialista revela, também, a falta de conhecimento mínimo sobre o que são e o que não são os mercados livres e as liberdades individuais. Bom exemplo é Cuba, um país cuja economia e progresso causavam inveja ao Japão, Itália e Inglaterra antes de década de sessenta e que se transformou, após a "revolução socialista" em 1959, num estado economicamente destruído e sem liberdades. Quanto as bobagens apregoadas por alguns cientistas políticos sobre a saúde e a educação do povo cubano você pode ler a verdade no artigo grifado.

Depois de conviver com a fome e milhões de mortos durante o regime socialista de Mao Tse Tsung o povo chinês ainda prefere continuar sem liberdades individuais mas vivendo como capitalistas.

Idem o Vietnã que, após vencer a guerra contra os americanos, assistiu o fracasso do socialismo puro inspirado em Mao e tornou-se tão capitalista quanto russos e chineses que, tal e qual, jogaram no lixo as ideias de Karl.Marx.

Progressismo seletivo
 
Enquanto a Uber lançava sua campanha "Se você tolera o racismo, exclua o Uber”, referindo-se a morte do negro Jacob Blake, seus advogados batiam-se contra a aprovação da Lei AB5, do  Estado da Califórnia, que exige que seus motoristas sejam tratados como funcionários de tempo integral. A Uber dispendeu 30 milhões de dólares contra essa lei que concedia equidade de benefícios como estabilidade e cuidados a saúde. Detalhe: dois terços dos motoristas da Uber não são brancos.
  • Para Douthat, o Woke Capitalism é apenas um incenso aromatizado que logo passa. (Mas, se os lucros das empresas continuarem subindo, talvez não. A hipocrisia continuará.)
  • Wake: verbo acordar, parar de dormir.
  • Woke: tempo passado do verbo wake ou adjetivo de consciência política e social.

Ao contrário do mero oportunismo do Uber, a fabricante de sorvetes americana Ben & Jerry's posicionou-se em apoio a um projeto de lei que estuda os efeitos da escravidão e discriminação sem pretender criar uma "ação de marketing".

Negros americanos bebem Pepsi

O marketing para "atrair, capturar e converter leads" (ações de marketing digital para atrair potenciais consumidores para um produto) já era utilizado pela Pepsi, na guerra contra a Coca, nos anúncios e comerciais de televisão da década de 50/60, estrelados por famílias de negros, contrariando os filmes da concorrente atores brancos. As ações da empresa avançaram até os limites do marketing, sem inserir temas sociais e sem oportunismo. Mas o objetivo era vender mais que a concorrente.

Até hoje os negros americanos preferem a Pepsi que equilibrou a guerra das colas. Aliás, não foi por acaso que Michael Jackson estrelou filmes para a Pepsi. Seria considerado traidor se se se apresentasse tomando Coca.
A Pepsi atraiu o consumidor
afro americano na década de 40,
fiel à marca, até hoje.

Em outras ações, marcas como Coca, Omo, Natura, Boticário, Santander investiram em conteúdos que defendem a ideologia de gênero e, ao pedirem para não chamar seus filhos de príncipes, esperam uma elevação de vendas entre o público "progressista". Nos Estados Unidos o ativismo corporativo é intenso.

Bradesco x Patagônia

No Brasil o Bradesco atuou todo tempo, durante a pandemia, com vídeos carregados por trilhas que causavam apreensão e uma locução lamentando a solidão provocada no lockdown e a saudade das pessoas afastadas pelo distanciamento e... oferecendo ajuda pra salvar seu suado dinheirinho da bancarrota das ruas desertas e portas fechadas com aplicações em seus fundos.

O puro oportunismo do banco contrasta com a determinação de uma empresa americana (Patagônia) que manteve os salários dos seus funcionários mesmo com suas lojas fechadas durante a pandemia. Sem fazer demagogia pública. O Bradesco, entretanto, demitiu.

Agregando credibilidade, sem oportunismo

A Patagônia é uma grande empresa de roupas esportivas da Califórnia, muito conhecida por utilizar em suas publicidades argumentos bem transparentes. Certa vez advertiu o consumidor não comprar suas roupas mais caras, por impulso, orientando que refletissem sobre seus hábitos de consumo para evitar comprar além do necessário.

"Não compre outro agasalho se você puder reparar o que danificou" - aconselhava o anúncio. Conteúdos assim agregam credibilidade.

Parece que o americano médio já desconfia que está sendo ludibriado pelo ímpeto de algumas marcas em defesa de bandeiras sociais.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Córnea sintética traz esperanças para vítimas de cegueira

Córnea artificial recuperou a visão de um paciente um dia após a cirurgia.
Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza
Um senhor de 78 anos de idade, Jamal Furani, vítima da cegueira, voltou a enxergar um dia após a cirurgia de implante de uma córnea sintética desenvolvida pela CorNeat Vision, uma empresa israelense. A cirurgia foi realizada pelo médico Irit Bahar, no Rabin Medical Center em 3 de janeiro deste ano. Muitos, entretanto, desconhecem esse avanço científico.

O paciente, que já tinha sido submetido por quatro transplantes de córnea humana, sem resultados, conseguiu reconhecer seus familiares, um dia após a cirurgia, e ler um texto, sem dificuldades.

- Foi um dia maravilhoso e de muitas lágrimas no quarto do hospital - contou
 Gilad Litvin, médico e sócio da empresa. 

A córnea é chamada Kpro e se integra à parede ocular ao mesmo tempo que estimula o surgimento de novas células sem a necessidade de doação de tecido. O processo é mais simples que o implante de córnea humana e o dispositivo possui uma lente que se integra ao tecido dos olhos utilizando-se nanofibras não degradáveis.

O Jornal da Record entrevistou Jamal Furani que contou detalhes do primeiro implante de córnea sintética do mundo.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Por que as escolas do Japão reabriram durante a pandemia?

Em junho de 2020, as escolas japonesas reabriram no país. A rotina escolar obedece protocolos de segurança e as aulas presenciais são obrigatórias.

Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

Em 1º de junho de 2020, três meses após o corona vírus ser declarado pandemia, os alunos das escolas japoneses voltaram às aulas obedecendo alguns rigorosos protocolos de segurança. Segundo o professor Ademar Oshiro, um brasileiro que dá aulas no Japão, isso não é nenhum problema porque as crianças japonesas são disciplinadas e seguem as regras.

E a correlação volta às aulas x taxas de transmissão de covid é irrelevante, sem aumento significativo de propagação. A vida escolar naquele país segue a rotina de aulas há mais de 10 meses..

Lá as aulas presenciais são obrigatórias ao contrário do que ocorre no Brasil que faculta aos pais a presença dos seus filhos nas salas que ficaram fechadas até abril de 2021.

Uma das medidas de segurança (parte do protocolo japonês), foi reduzir a sala de 40 para 20 alunos, com distanciamento entre carteiras. No Brasil as salas do ensino fundamental são de 30 alunos mas, durante a pandemia, os professores lecionam para apenas 6 alunos, por dia, por sala.  
  • No dia 7 de abril de 2020 o governo do Japão decretou Estado de Emergência, medida que permaneceu até 25 de maio. Em 1º de junho, 99% das escolas reabriram e os alunos retornaram às salas de aulas.
  • Alguns fatores essenciais davam a certeza as autoridades: acesso a tratamento de alto nível com leitos UTI suficientes, excelente nível de higiene pública e consciência dos cidadãos a respeito de higiene e possíveis ações, rápidas e eficientes, contra infecção coletiva, por parte do governo.

Crianças não transmitem e resistem ao vírus

Desde junho de 2020, para os japoneses, estava consolidado um fato: crianças não transmitem covid nem para outras crianças e nem para adultos e a taxa de mortalidade entre elas, segundo os últimos levantamentos, é de 0,0007%.

Cientistas ainda estudam outra constatação: o sistema imunológico das crianças é tão resistente que mata os vírus ou atenua, de tal forma que ficam suficientemente fragilizados para contaminarem outras pessoas. "Crianças vão para a escola e trazem para casa vírus e contaminam seus pais e avós" é uma afirmação falsa.

"A culpa não é das crianças"

Desde setembro de 2020, em plena pandemia, um trabalho intitulado "Transmissão da Covid-19 e Jovens: a culpa não é das crianças", baseado na análise de quatro estudos científicos na época, conclui o mesmo que as autoridades sanitárias japoneses: as crianças não transmitem o vírus. Os especialistas em doenças infecciosas, Benjamin Lee e William Raszka, da Universidade de Vermont, também concluíram que os resultados obtidos foram similares em diversas partes do mundo.

Na China há registro de um único caso de transmissão entre crianças, num hospital de Wuhan. As outras 9 crianças analisadas foram contaminadas por adultos. Em todos os casos os vírus foram mortos pelo sistema imunológico.
 
Na França, um aluno, contaminado por Covid-19 permaneceu estudando durante semanas, entre 80 outros colegas, da mesma escola e nenhum deles foi contaminado. O mesmo estudo concluiu que o vírus influenza tem taxas de contaminação muito maiores dentro das escolas.


Um professor brasileiro no Japão

Ademar Oshiro

Faz 16 anos que o professor Ademar Choyo Oshiro mora e trabalha no Japão. Aos 67 anos, natural de Herculândia (SP), Oshiro ainda não se "acostumou" totalmente a certos costumes do povo japonês.

"Aqui é muito normal observar crianças indo sozinhas, a pé, para suas escolas.  Este fato até hoje me causa estranheza mesmo estando há 16 anos morando por aqui, habituado que estava nos moldes do Brasil." - confessa o professor.

220 mil brasileiros no Japão

Um levantamento publicado em 2019 mostra a existência de 220.000 brasileiros no Japão e próximo de 35.000 estudam no ensino básico, conta Oshiro. Destes, cerca de 7.000 estão matriculadas em escolas japonesas por razões que variam: são de famílias de brasileiros que pretendem ficar no Japão ou por questões financeiras já que as escolas brasileiras custam de 30.000 a 50.000 ienes (em média cerca de R$ 2.000/mês).

Oshiro disse observar que muitos brasileiros estão evitando o árduo trabalho nas fábricas e  buscando outras alternativas. Os jovens que têm fluência na língua japonesa conseguem trabalhos em lojas de conveniência, fast foods e lojas de departamentos. Outros tornam-se empresários nos mais diversos segmentos embora o trabalho como operário seja a maioria.

Escolas e faculdades brasileiras no Japão

Dados levantados junto ao Consulado Geral do Brasil, em 2019, apontam 35 escolas brasileiras homologadas junto ao MEC e em funcionamento naquele país. Nem todas recebem os vultosos benefícios por não estarem vinculados ao Ministério da Educação do Japão.

Muitas faculdades brasileiras mantém polos EAD no Japão para atender jovens e adultos que pretendem prosseguir seus estudos mas, a maioria, apenas conclui o Ensino Médio.

- Mas isso também ocorre entre estudantes japoneses que nem terminam o Koko (ensino médio) e cumprem apenas a obrigatoriedade de concluir o Chugakko (ensino fundamental) - conta Ademar Oshiro. Ele explica:
 

- Nem todos que concluem o Ensino Médio japonês tem condições de acessar suas excelentes universidades por não existir ensino grátis no país. O governo, entretanto, tenta facilitar o acesso com financiamento, tipo Fies, sem burocracia..

Funcionamento das escolas brasileiras em período normal 

"As escolas brasileiras aqui não seguem um calendário escolar brasileiro ou japonês mas, no geral, caminham de acordo com o calendário das fábricas, particularmente em função da Toyota, restringindo as férias em duas semanas (uma em maio e outra em agosto)" - explica o professor.

Isso se deve à conveniência de manterem as crianças em escolas já que a grande maioria dos pais trabalha em fábricas de autopeças. O mês de janeiro é destinado a recuperação de notas e conteúdos de alunos mas muitos pais deixam os filhos sob a guarda da escola uma vez que lá não tem férias prolongadas, como no Brasil. As escolas servem, também, como um local de abrigo principalmente às crianças do maternal, infantil e fundamental I. O ano letivo da maioria das escolas brasileiras inicia oficialmente fevereiro e estarão ativas o ano todo. 

Em período da pandemia 

As escolas brasileiras no Japão seguem normas das respectivas províncias japonesas onde se localizam. Algumas, no início de 2020, chegaram fechar mas reabriram em junho do mesmo ano obedecendo os rígidos protocolos das autoridades de saúde do país. As aulas são presenciais e obrigatórias.

Oshiro lembra que se recorda de uma única vez que houve o afastamento imediato de um aluno com covid e de toda sua sala. Atividades com aglomerações, como festas junina, foram canceladas.
 

Escolas japonesas em período normal e na pandemia.

O professor Ademar Oshiro salienta que a diferença entre o sistema educacional japonês e o brasileiro, particularmente no quesito disciplina, é enorme.  

 - Normalmente os alunos da escola japonesa seguem um rígido ritual de comportamento. Eles são os responsáveis pela limpeza, higiene da escola, distribuição de alimentação onde todos, num esquema de rodízio, participam. Aqui há prática de esportes e atividades culturais e cada aluno escolhe sua preferida. Cada aluno tem um professor responsável que não se limita apenas em enviar recados escritos aos pais mas até mesmo de visitar a casa de cada aluno se detectar algo anormal na sua vida escolar - explica ele, concluindo. 

- Essa experiência eu tive pessoalmente quando, recém chegado do Brasil, matriculei o meu filho numa escola japonesa. Como ele não se adaptava, as visitas da professora dele eram frequentes, sempre tentando ajudar e facilitar sua adaptação.

  • Os alunos do Ensino Básico japonês utilizam 2 máscaras por dia, 2 toalhinhas de mãos, por dia, no Ensino Infantil, higienização permanente com os professores em vigilância constante, incluindo correção no uso de máscaras quando necessária.
  • A alimentação, que é feita cada qual em suas respectivas carteiras, foram colocadas uma carteira na frente da outra com divisão de material plástico, desde o ano passado.
  • A higienização bucal é feita em pequenos grupos, mantendo rigidamente o distanciamento social.
  • No ano passado não aconteceram atividades sociais como reuniões, competições e, principalmente, visitas dos professores responsáveis às casas dos alunos quando no início do ano letivo. Neste ano as visitas foram retomadas, seguindo protocolos de segurança.
  • Nas bibliotecas (muito utilizadas, por sinal), o acesso continua limitado a pequenos grupos e todos os livros são higienizados, após a utilização. 
  • No Japão, cada bairro tem sua escola e os alunos vão em grupos (infantil e fundamental I) sempre liderados por um aluno escolhido pela escola junto à comunidade e, em todas as esquinas do trajeto, grupo de pais ou voluntários se encarregam de cuidar da travessia das crianças. Empresas liberam os pais para essa prática e isso é determinado por lei. 
  • No Japão não se observa aglomerações de carros diante das escolas, exceto em dias de festividades.

Faculdades japonesas na pandemia

No ano passado as faculdades tiveram suas atividades, na maior parte do tempo, sob o regime online. O distanciamento social, durante as aulas presenciais que ocorreram duas vezes por semana, em média, foi rigorosamente imposto e as salas divididas em dois grupos que alternavam nas respectivas frequências.

Casos no Japão
Atualizado em 26 de abr. à(s) 17:05, hora local
Confirmados
566.863
+4.722
Mortes
9.972
+59
Recuperados
504.738
+3.129

Colaborações:
- Ademar Chyo Oshiro é professor, engenheiro civil, matemático e pedagogo e atua no Japão como professor de Matemática, Física e Química em diversas escolas brasileiras, como a Escola Nikken Gakuen, do Sistema Objetivo de Ensino, onde também foi diretor até 2020. Ele atende alunos online com casos especiais - dificuldades de locomoção, ausência de escolas próximas, tutor de home schooling e produz vídeos educativos no seu canal de Youtube (Prof. Adetiam).
- Carlos Shinoda, autor do livro MEC no Japão, profundo estudioso da comunidade brasileira com relação à Educação no Japão.
- Clarissa Cardinalli, mãe de 4 filhos, todos estudando em escolas japonesas. A primogênita faz faculdade de Modas, em Tóquio.