sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Hoje eu morri, de novo


Por Edson Joel

Eu não sabia, mas hoje eu morri, pela terceira vez na vida.

De repente, no Facebook, um amigo de longa data deixou um recado, no mínimo tétrico: condolências à família do Edson Joel. E narrou minha trajetória no rádio (comecei a trabalhar, como locutor, aos 13 anos de idade na rádio em que ele era gerente) e a última vez que me viu. Quando abri a página e me deparei com o recado fúnebre, ri, no começo. Gargalhei depois. E passei o dia rouco de tanto contar a mesma história das outras vezes que morri.

A primeira foi dramática. Era locutor em Tupã e comandava o programa Cidade x Cidade, na TV Tupi, no programa do Silvio Santos. Ganhamos 4 fuscas e só saímos do programa porque ocorreu um acidente com o carro que conduzia as meninas da equipe feminina de beleza. Próximo de Agudos, em noite chuvosa e fria, o Galaxi da prefeitura saiu da pista e capotou. As meninas, felizmente, sofreram ferimentos leves. Mas, ao chegar a cidade, a notícia era de que eu tinha saído desta pra melhor. Liguei pra Deus e nos falamos rapidamente - embora minha ligação seja tarifa zero com ele - e decidimos que eu continuaria vivo e na rádio chamando prefeito de panaca, delegado de incompetente e juiz de incoerente.

A segunda morte que sofri foi no Paraguai. O avião caiu. Quando retornei de Assunção fui alertado pela família para "andar pelo centro da cidade, tomar café nos bares populares e contar piada de são paulino" pra que todos soubessem que era eu mesmo e que ainda continuava vivinho, lindo, maravilhoso e humilde. Gozado era ver a expressão das pessoas que me tinham "falecido".

Hoje, morri de novo! Tudo porque o meu sobrinho Thiago postou um recado no Facebook perguntando "então o Joel morreu?", referindo-se a uma crônica que escrevi no meu blog - A Vingança - onde narro como me divirto com os vendedores de telemarketing. Quando insistem em falar com o Edson Joel, chorando, eu digo que ele esta sendo velado mas que podem falar com a viúva. Dai alguém pegou a conversa pela metade "e me matou de vez".

Pra alegria dos que me amam e tristeza dos meus inimigos, continuo vivo. Pra quem não sabe, tenho 50 anos. Mas, juro, quando uso calça jeans e tênis aparento 49. Bom, né? He, he, he!