domingo, 2 de outubro de 2011

Vagas de emprego

Por Miriam NIT

Hoje, vasculhando a internet, deparei-me com um anúncio num desses sites bem conceituados de recolocação profissional.

PROFESSOR:
Salário: R$ 1.187,97
Carga: 40 horas semanais
Benefícios: gratificações, vale-alimentação (R$ 2,18 por dia trabalhado) e vale transporte (pra cobrir ¼ dos dias trabalhados)
Exigência: Licenciatura (4 anos)
Descrição da atividade: Ensinar crianças e jovens em todas as faixas etárias (Educação Infantil, Fundamental e Médio)

AUXILIAR DE LIMPEZA:
Salário: R$ 920,00
Carga: 40 horas semanais
Benefícios: assistência médica, medicina em grupo, assistência odontológica, participação nos lucros, seguro de vida em grupo, tíquete-alimentação, vale-transporte.
Exigência: ensino fundamental.
Descrição da atividade: execução de limpeza em empresa e organização do material de limpeza.

Não estou menosprezando as auxiliares de limpeza, mas indignada com o menosprezo dos governos – junte todos os partidos, bata no liquidificador e você não conseguirá meio copo de gente séria, honesta e competente – e com a ausência de ações pra melhorar a educação neste país e os salários dos professores. Lembrei-me, então que o nosso glorioso Supremo Tribunal Federal, em abril deste ano, considerou constitucional a fixação do piso salarial para professores da rede pública de ensino: R$ 1.187,97. Pra receber esse salário miserável é preciso pelo menos uma licenciatura, equivalente a quatro anos de faculdade – a maioria tem duas e muitos são pós graduados, mestres ou doutores.

Eles não tem assistência médica, odontológica, jurídica ou seguro de vida. Participação nos lucros? Ora, não há lucro, diz o Estado, “é a nossa obrigação”!

Ontem, na sala de aula, um aluno me fez uma pergunta difícil. - Para quê estudar, professora? Para trabalhar como você e ganhar que nem minha mãe que é quase analfabeta? Minha mãe “trabaia” numa fábrica varrendo o chão e ninguém manda ela tomar no cú, não!

Para ganhar “milão” é melhor varrer o chão!