terça-feira, 22 de setembro de 2015

Avaliação Nacional de Alfabetização: as crianças brasileiras continuam analfabetas, mesmo na escola


Por Edson Joel

Saíram os dados da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) e, como já era esperado, o retrato da educação do país continua péssimo. Foram aplicadas provas de leitura, escrita e matemática para 2 milhões e 500 mil crianças do 3º ano do Ensino Básico das escolas públicas e o resultado é desesperador: grandes dificuldades em todas as áreas.

As provas foram compostas por 17 questões de múltipla escolha de língua portuguesa, 20 de matemática e três de produção de texto. De cada cinco alunos pelo menos um não consegue absolutamente compreender e ler as frases corretamente. Os demais tem enorme dificuldade de compreender o enunciado das questões de matemática. Por isso 57,07% não se saíram bem na matéria. Quase 35% dos alunos (34,46%) demonstraram que não aprenderam o suficiente para seu nível escolar.

Na verdade os resultados são péssimos porque, simplesmente, as crianças do ensino básico das escolas públicas brasileiras não são alfabetizadas. A maioria chega ao 6º ano, analfabeta.


No Estado de São Paulo 38% vão mal em matemática, segundo o levantamento. No Sul e Sudeste, respectivamente, 32,55% e 36,13% dos alunos estão na faixa mais alta de avaliação. No Norte e Nordeste do país só 11,76% e 13% conseguem atingir as notas máximas na matéria.

Em leitura, pasmem, só 13,88% e 16,75% dos alunos do sul e sudeste, respectivamente, conseguiram nível máximo. No Norte e Nordeste só 4,84% e 5,52% estão nesta faixa. Na escrita os números são piores: apenas 3,72% e 4,12% dos alunos do Norte e Nordeste chegaram ao avançado.

Os principais jornais brasileiros limitaram-se a publicar os resultados segundo a ótica oficial, sem análise e questionamentos dos critérios utilizados.

Os "critérios' da Avaliação Nacional de Aprendizagem ou do Saresp, são uma mentira criada para esconder o analfabetismo de crianças do Ensino Básico das escolas públicas que chegam ao 6º ano mal escrevendo e sem entender o que leem. O nível de proficiência proposta divide-se em 1) Insuficiente (Abaixo do Básico); 2) Suficiente (Básico e Adequado) e, 3) Avançado (os alunos desse nível deveriam demonstrar conhecimento e dominio pleno de conteudos e habilidades propostas).

Porém, o que se exige no grau máximo (avançado) é exageradamente o básico dos básicos, isto é, que o aluno saiba apenas escrever mas não propõe que esse coitado produza textos com algum sentido. Numa avaliação com critérios utilizados internacionalmente, nossas crianças do "avançadíssimo" serão consideradas imbecis, entre básico e abaixo do básico. Isso já ocorre com o Pisa onde os melhores alunos brasileiros estão no nível dos piores dos países melhor ranqueados.

O atual método e metodologias lastreadas em teorias mofadas de Piaget e seus discípulos são responsáveis diretos por esse caos. Os países que ainda insistem nessas teorias - Brasil e México - tem os piores indicadores internacionais em educação. Veja o PISA, Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (estudantes de 15 anos são avaliados em 73 países) que classifica o Brasil em 60º lugar e mostra que nossos melhores alunos estão no nível dos piores de países como a Coreia do Sul, Xangai, etc. Aliás, só para contrariar o nosso grande filósofo de plantão que hoje ocupa o cargo de Ministro da Educação desse desastrado governo, a Coreia do Sul (classificada em 3º lugar no Pisa) é o país que menos investe financeiramente na educação.

O método fônico é apontado pela ciência como melhor e mais rápido método de alfabetização. Uma criança brasileira pode ser alfabetizada em menos de um ano e, no segundo, pode obter uma escrita e leituras avançadíssimas. Isso já acontece em muitas cidades do país, como em Brejo Santo, uma pequena cidade do Ceará com menos de 45 mil habitantes (renda per capita 70% menor que a média nacional) onde 99% dos alunos das suas escolas municipais são alfabetizados em um ano e alunos de 5º ano tem 100% de aproveitamento em matemática.

A mentira oficial prega que a "idade certa" para alfabetizar é 8 anos. Nas escolas particulares brasileiras 7 anos e na maioria dos países do mundo, 6 anos.

O Secretário da Educação do estado paulista deveria se envergonhar. Mas, fazer o que, ele é unespiano e Unesp só prega teorias mofadas na cabeça dos professores - que são os menos culpados por esse caos.

Lembro que uma escola pública de Bauru - Professor Eduardo Velho Filho, - comemorou festivamente os resultados do Enem - enaltecendo o construtivismo - pela conquista do "primeiro lugar", entre as escolas públicas do Estado de São Paulo. Na verdade a escola classificou-se em 4.071º no geral (entre particulares e públicas) e 1342º no estado. Ela fez o favor de tirar 1.205 escolas particulares e 138 públicas técnicas da sua frente para comemorar o "primeiro lugar". Uma escola classificada em 4.071º comemora o que?

As mentiras oficiais traduzidas por critérios falsos continuam enganando. Até quando?