terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Educação: Avaliação internacional coloca o Brasil, de novo, nas últimas colocações

Brasil em 58ª em educação, entre 65 países avaliados

Por Edson Joel

Entre 65 países avaliados pelo PISA - Programa Internacional de Avaliação de Estudantes - o Brasil ficou em 58ª colocação. E, pior, a evolução é lenta. Basta comparar que do exame anterior, realizado em 2009, para o do ano passado, nossos alunos evoluíram apenas um ponto. Todos os 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, os chamados de primeiro mundo, participam dessas avaliações que englobam matemática, ciência e leitura. O Brasil participa como convidado desde o ano 2000.


Xangai (China) ficou em primeiro com 613 pontos em matemática, 119 pontos acima da média de conhecimento que fixa Pisa, de 494 pontos. Em seguida vem Cingapura (573 pontos), Hong Kong (China, 561), Taiwan (China, 560), Coreia do Sul (554), Macau (China, 538) e Japão (536), Liechtenstein (535), Suíça (531) e Holanda (523).

Vergonhosamente o Brasil está na rabeira da educação ao lado de Portugal, Turquia, México, Chile, Eslováquia, Cazaquistão, Hungria e Polônia. O Brasil melhorou, desde 2003 cerca de 35 pontos, mas permanece nas últimas colocações. Nossos alunos melhoraram apenas 1,2 pontos por ano em leitura desde 2000 e apenas 2,3 pontos em ciências, desde 2006.

O baixo nível dos nossos alunos é assustador nas três áreas: nenhum brasileiro conseguiu o nível 7 - o mais alto - e a média ficou entre os piores níveis. Basta dizer que em ciências 53,7% atingiram apenas o nível 1. Em leitura cerca de 75,3% atingiram os níveis 2 e 3 apenas. Em matemática 67,1% conseguiram o nível 1 também.

Onde está o erro?

Certamente não é falta de verbas e nem reside no despreparo dos professores, embora sua formação seja questionável.

Para alguns educadores internacionais, como é o caso do ministro de Portugal, Nuno Crato, o problema está no método de alfabetização. Crato, que é matemático e incentivador das ciências, assumiu o compromisso de recuperar o tempo perdido em seu país. Ele é autor de "O eduquês em discurso directo: uma crítica da pedagogia romântica e construtivista" e "Desastre no ensino da matemática: como recuperar o tempo perdido", onde pontua críticas, mostra falhas e aponta soluções.

"De que adianta formar cidadãos que mal sabem ler jornais e muito menos entender o que leem" - pergunta Nuno Crato, um severo crítico do construtivismo que levou Portugal e a maioria dos países que adotaram o método, a falência na educação.

"O construtivismo de hoje (vertente radical das teorias do psicólogo Piaget) é um completo erro. Ela se baseia no fato de que o professor deve ser um mero "facilitador" do aprendizado. Um professor, diz Nuno Crato, deve transmitir aos alunos todo conteúdo nos quais se graduou. "É ingênuo acreditar que o estudante vai descobrir tudo sozinho quando julgar interessante" - afirma o ministro português.

Nuno Crato defende mais autonomia paras as escolas e um ensino rigoroso baseado em conteúdos curriculares (Português, Matemática, História, Geografia, Ciências e Inglês), metas, avaliações e mérito. Para o novo ministro o construtivismo dá uma noção vaga de "competências" que secundariza o conhecimento.

Agora os alunos portugueses terão avaliações e objetivos cognitivos bem definidos ao contrário do construtivismo que não permite jamais que o professor corrija o erro de um aluno para que ele não se sinta "constrangido" ou seja que seja avaliado.

A tragédia só mostra um caminho: é preciso mudar. Porque não seguir os passos da neurociência?

O neurocientista Stanislas Dehaene há 20 anos estuda o impacto dos números e das letras no cérebro humano. Recentemente afirmou que "o método mais eficaz de alfabetização é o que chamamos fônico. Ele parte do ensino das letras e da correspondência fonética de cada uma delas, como se fazia antigamente. Estudos mostraram que a criança alfabetizada por esse método aprende a ler de forma mais rápida e eficiente.

Os métodos de ensino que seguem o conceito de educação global, por outro lado, mostraram-se ineficazes." No método global, usado no Brasil e boa parte do mundo, a criança deve, primeiro, aprender o significado da palavra e, numa próxima etapa, as letras que a compõem. O método construtivista não funciona tanto que as crianças do fundamental estão terminando seu ciclo sem se alfabetizar e os do ensino médio, na rede pública, não sabem ler e escrever. Alguém contesta essa realidade?

Por que os sistemas que seguem o método global são ineficazes?

Dehaene explica que se verificou em pesquisas com pessoas de diferentes idiomas que o aprendizado da linguagem se dá a partir da identificação da letra e do som correspondente. Esse processo ocorre no lado esquerdo do cérebro. No método construtivista a criança primeiro aprende o sentido da palavra, sem necessariamente conhecer as letras. Neste caso o lado direito do cérebro é ativado. Mas a decodificação dos símbolos terá que chegar ao lado esquerdo para que a leitura seja concluída.  Para Dehaene é um processo mais demorado, que segue na via contrária ao funcionamento do cérebro.

- Num certo sentido, podemos dizer que esse método ensina o lado errado primeiro. As crianças que aprendem a ler processando primeiro o lado esquerdo do cérebro estabelecem relações imediatas entre letras e seus sons, leem com mais facilidade e entendem mais rapidamente o significado do que estão lendo - diz o neurocientista.

O principal legado de Piaget é uma falácia, então.
Quem diz isso é a ciência. E duvidar dela é temeroso.