terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Dieta Dukan: perigo de graves lesões renais, infarto e câncer


Por Edson Joel

O que poucos sabem é que muitas celebridades confessam ter feito esta ou aquela dieta milagrosa de emagrecimento porque são pagas pra dizer isso. Esse testemunhal vale milhões de dólares e vai render muitos outros tantos para o autor do regime.

Muitas mulheres, em busca do "corpo perfeito", imitarão famosos e emagrecerão durante um tempo. Mas não imaginam o grande risco de terminar doentes ou até mesmo numa mesa de cirurgia.

É o caso da dieta Dukan, cujo autor, o médico francês Pierre Dukan, teve recentemente seu título cassado pela Associação Médica Francesa sob a acusação de propagar uma dieta prejudicial à saúde. As sociedades médicas, principalmente a British Dietetic Association, consideram que esta dieta provoca efeitos colaterais graves: formação de pedras nos rins, lesão renal aguda, aumento dos níveis de ácido úrico, riscos no desenvolvimento de gota, redução da massa óssea, elevação do nível de colesterol e aterosclerose. Estudos também associam à dieta o aumento de risco de infarto e câncer.

A dieta Dukan é igual a famosa dieta de Atkins dos anos 70, apesar do próprio Dukan negar. Ela se baseia no alto consumo de proteínas e restringe carboidratos, principal fonte de energia do corpo. Com tanta restrição de calorias a pessoa emagrece mais rapidamente. O problema não são os quilos perdidos rapidamente, mas os graves riscos à saúde e os resultados de longo prazo.

Na dieta Dukan, em sua primeira fase, que dura 10 dias, o paciente só come carnes magras, peixes, frutos do mar, peito de peru light, ovos, laticínios desnatados, iogurtes e alguns vegetais - carnes gordurosas são proibidas - e pode perder entre 2 a 5 quilos.

Na segunda fase a proteína é mantida e associada a vegetais pobres em carboidrato e pode durar o tempo necessário para atingir o peso objetivado. Prevê-se que o paciente consiga emagrecer de 1 a 2 quilos por semana nesta fase. 

Na terceira fase da dieta Dukan pode-se comer proteínas (inclusive carne de porco) e vegetais sem carboidratos, além pão, frutas, queijos gordurosos e massas. Esta fase dura 10 dias por quilo perdido. Na quarta fase o paciente poderá comer de tudo desde que obedeça uma regra: uma vez por semana deve comer só proteínas, como na primeira fase e ingerir 3 colheres de farelo por dia e fazer caminhada de 20 minutos por dia.

Como qualquer dieta que elimine carboidratos, o paciente emagrece se ingerir menos calorias que consome. Onde está o perigo? As duas primeiras fases restringem perigosamente importantes nutrientes para o corpo (a principal fonte de energia é a glicose que vem dos carboidratos) e impõe o consumo excessivo de proteínas. Sem glicose o corpo reage queimando os estoques de gordura e produzindo corpos cetônicos, substâncias originadas pela quebra da gordura em ácido graxo, em níveis altos prejudiciais às células.

Esse tipo de dieta (cetogênica) provoca a perda rápida de peso não pela eliminação de gorduras, mas de água, na maior parte. Para evitar que o sangue se torne mais ácido o rim passa a trabalhar mais. Junto com a acidez dos corpos cetônicos vão juntos sódio e água e o corpo fica desidratado. Por isso o paciente é orientado consumir até dois litros de água por dia. E para compensar a falta de fibras a dieta orienta o consumo de farelo de aveia para combater a prisão de ventre. Mau-hálito, dores de cabeça, náuseas e fraqueza são alguns efeitos colaterais. Na verdade são alguns pequenos inconvenientes comparados aos riscos de lesão renal aguda, pedras nos rins, complicações cardíacas e câncer.

Muitos casos chegaram a procedimentos cirúrgicos para a retirada de enormes pedras ou graves infecções nos rins.