segunda-feira, 3 de agosto de 2015

José Dirceu está preso, de novo. "Desta vez não caio sozinho". Vídeo da prisão.


Abatido e derrotado, José Dirceu volta para a prisão.

Por Edson Joel

O ex-ministro do governo Lula, José Dirceu e seu irmão Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, foram presos nesta manhã de segunda feira, 3 de agosto, em Brasilia, por conta dos seus inúmeros envolvimentos com atos de corrupção na operação chamada de Lava Jato que investiga o recebimento de propinas pela empresa JD Assessoria, Piemonte Empreendimentos, Costa Global Consultoria, Treviso do Brasil, entre outras. Levado pela PF José Dirceu, desta vez, não ergueu os braços. Apenas abaixou a cabeça enquanto era conduzido para Curitiba. Ele já havia confessado para seus amigos mais próximos que, desta vez, não cairia sozinho. 

Foi o lobista Milton Pascowitch - preso durante 39 dias - que revelou os novos fatos que envolvem Dirceu no esquema de corrupção, mesmo durante sua estadia na Penitenciária da Papuda. Dirceu, abatido, cumpria prisão domiciliar em sua cada por conta do processo do Mensalão, quando foi levado pela Polícia Federal.

Pascowitch contou a PF que a JD Assessoria e Consultoria e mais 30 empresas promoviam lavagem de dinheiro desviado das obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Vale lembrar que essa obra estava orçada, inicialmente, em R$ 4 bilhões mas já consumiu 23 bilhões da Petrobras. O fato novo que a PF descortina é que o percentual desviado de cada contrato chegava a 20%.

Pessoas próximas de Dirceu já alertavam seu estado de depressão. O ex-ministro vivia profundo abatimento com a possibilidade de sua nova prisão. Para muitos esta é sua pior condenação: viver ansioso a espera de uma nova fase na carceragem da Papuda.

Nesta fase, iniciada hoje, a PF cumpre 40 mandados judiciais das quais três prisões preventivas e cinco temporárias, seis conduções coercitivas e quase 20 buscas e apreensões.

Assista a prisão de José Dirceu e seu irmão

DECRETO DA PRISÃO DE JOSÉ DIRCEU

“Toda empresa tem uma estrutura piramidal, os cabeças que tomam as decisões. Não são operadores, essas pessoas dizem ‘faça’ e os outros fazem. Eles não tomam nota, não fazem reuniões com operadores financeiros. Simplesmente têm uma função de colocar as pessoas nos lugares certos e de determinar. José Dirceu, evidentemente, colocou Duque (Renato Duque) na função de diretor da Diretoria de Serviços da Petrobrás. Colocou Paulo Roberto Costa ( Diretoria de Abastecimento) atendendo a pedido de José Janene (ex-deputado, réu do Mensalão, morto em 2010). A partir desse momento, José Dirceu repetiu o esquema do Mensalão. Um ministro do Supremo já disse que o DNA é o mesmo, o caso do Mensalão como na Petrobrás, na Lava Jato. Não há muita diferença. A responsabilidade de José Dirceu é evidente lá (no Mensalão ) mas também aqui (Lava Jato), como beneficiário. Ao mesmo tempo em que naquele governo (Lula) José Dirceu determinou a realização (do Mensalão) também determinou esse esquema (Petrobrás). Agora, não mais como partidário, mas para enriquecimento pessoal”, afirmou o procurador.


Segundo o Carlos Fernando dos Santos Lima, a investigação que deflagrou a operação Pixuleco, 17º capítulo da Lava Jato, revela que o ex-ministro teve papel crucial na instalação do modelo que abriu caminho para o cartel de empreiteiras que se apossaram de contratos bilionários na estatal mediante pagamento de propinas para políticos e ex-diretores da Petrobrás.

O procurador destaca que Dirceu foi beneficiário de valores ilícitos por meio de sua empresa, a JD Assessoria e Consultoria. Ele citou também o empresário Fernando Moura, que teria indicado a Dirceu o nome do engenheiro Renato Duque para ocupar a unidade mais estratégica da Petrobrás, a Diretoria de Serviços. Duque está preso e negocia delação premiada.

“A JD e Moura são os agentes responsáveis pela instituição do esquema na Petrobrás, ainda no tempo em que José Dirceu era ministro da Casa Civil (Governo Lula). Temos indicativos que (o esquema) vem desde aquela época, passou pela investigação do Mensalação, pelo processo do Mensalão, pela condenação de José Dirceu, pelo período em que ele ficou na prisão (Papuda), sempre com pagamentos para JD. Um dos motivos pelos quais estão sendo presos ambos (Dirceu e Fernando Moura) hoje é porque esse esquema perdurou, apesar da movimentação da máquina do Supremo e de todo o Judiciário”, afirmou.

O procurador disse ainda que a Pixuleco ‘vai além de José Dirceu como recebedor e beneficiário, trata-se de uma investigação que busca José Dirceu como o instituidor do esquema Petrobrás ainda no tempo da Casa Civil’.