quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Coronel Ramiro Bastos chama-se Lula

Na moda, artes, música, política, pra mim, tudo é cíclico.
Basta observar. Os Beatles estão voltando, 40 anos depois do estrondoso sucesso do quarteto inglês. E lá vem regravações e remasterizações. E eles estão voltando em disco de vinil. Aliás, os Beatles e Rolling Stones, que nunca morrem.

E quem diria que a saia plissada faria, de novo, tanto sucesso na moda? Moda que conheceu a mini saia em 60/70 como criação de Mary Quant e voltou. Aliás, a mini saia já existia em 1920, do "foxtrot". Quem vê a novela Gabriela se assusta com os vestidos curtos, tanto quanto os cabelos das meninas da época.

A revolução dos estudantes na França em 68 e a revolta na praça da Paz Celestial em 89; a impetuosidade do jovem Jânio Quadros naquela década e de Collor nos anos 90; e, assustadoramente, a volta do coronelismo político, prática comum no país desde os idos tempos. A sociedade era sustentada pela produção agrícola de latifúndio, dai surgindo a figura do coronel que controlava tudo na comunidade, impondo inclusive a obrigatoriedade de se votar nos candidatos que indicasse. Chamava-se isso de currais eleitorais. Deputados sempre se alinhavam com seus "padrinhos" que sustentavam suas campanhas. Mesmo com o surgimento de novos grupos sociais, o coronelismo fixou-se na cultura política brasileira na forma de "troca de favores" entre apoiadores e opositores. A venda de sentenças já existe há tempos.

Essa paisagem você vê claramente nos usos e costumes da novela Gabriela, vivida em Ilhéus, então controlada pelo Coronel Ramiro Bastos, intendente do pedaço. Em defesa de um amigo - que matou a mulher e o amante - Ramiro procurou o novo juiz da cidade pedindo, sob ameaça, o arquivamento do processo alegando que foi crime de honra.

Tal e qual Lula fez com deputados, senadores e ministros do STF, julgadores do mensalão. O coronelismo - que nunca se foi - voltou!