segunda-feira, 23 de março de 2015

PT quer jogar negros contra médicos do SUS


Por Edson Joel

Uma campanha do próprio governo federal tenta jogar os negros contra médicos do SUS anunciando que “… em 2012 a taxa de mortalidade por doença falciforme entre pessoas pretas foi de 0.73 mortes e 0.28 entre pardas, enquanto na população branca foi de 0.08 (por 100.000 habitantes)”. No site ainda existe uma convocação: "Se presenciar casos de racismo na rede pública de saúde, disque 136 e denuncie."

Ocorre que a anemia falciforme é uma doença predominante entre negros, por genética e hereditariedade, mas que pode manifestar-se também nos brancos. Qualquer livro médico diz que a anemia falciforme pode matar mais negros do que brancos. Portanto isso ocorre não porque os médicos do SUS sejam racistas.

“Quem deveria de verdade sofrer campanha anti-racismo neste caso são as doenças e não os profissionais que trabalham no SUS. Vamos colocar no holofote as atitudes racistas que a anemia falciforme propaga, assim como o câncer de próstata e a hipertensão arterial, que insiste em adoecer mais negros do que brancos”, ironizou a página Academia Médica.

A doutora Martha Mariana Arruda, médica hematologista da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, sobre o assunto, afirma: 

- Dizer que os pacientes falciforme morrem mais porque o SUS é racista equivale a dizer que as mulheres morrem mais de câncer de colo uterino do que os homens porque o SUS é machista.

Depois que houve reação da Associação Médica Brasileira, o site do governo incluiu uma frase dizendo que “a maioria não sabe, mas a população negra precisa de cuidados específicos para doenças como a anemia falciforme". Logo depois tirou a campanha do ar. O vídeo da campanha abria dizendo abertamente que ainda existe racismo no atendimento de saúde no Brasil.

Convocar exército do MST para lutar, acusar os brancos de olhos azuis e jogar negros contra brancos é discriminação e incitação à violência. É assim que o PT faz: mente.

Este tema foi publicado no blog de Felipe Moura Brasil.
Diz que não existe racismo, mas...