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terça-feira, 12 de novembro de 2019

Evolução no IDEB x Investimento na Educação

Sala de aula da Escola Esmerino Arruda, em Granja (CE): A meta do Ideb para 2017 era de 4,0 pontos mas a escola atingiu 9,3 com índice 9 do Saeb de proficiência em matemática. Granja tem o segundo pior IDH do estado do Ceará que tem um dos mais baixos índices brasileiros.
Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

Quando se compara a Evolução do Ideb x Despesas em Educação por Aluno de algumas cidades brasileiras, evidências ficam expostas com muita clareza: a correlação "mais investimento/melhores índices do Ideb" não se consuma. Pelo menos nas análises dos anos iniciais do Ensino Básico, nas redes municipais.

Em 2017 Sobral (CE) obteve a melhor nota nacional do Ideb (Aprendizado 9,12/Fluxo 1,00/Ideb 9,1) investindo a quantia média de R$ 4.722,33 por aluno enquanto Marília (SP) despendeu mais de R$ 9.000,00/aluno para conseguir nota 7,2. Os investimentos referem-se aos últimos 5 anos e as notas do Ideb referem-se a 2017. Sobral investiu quase a metade (52,24%) que a rica cidade de Marília. Quando se confrontam dados do IDH-M entre as duas cidades percebe-se que caem as justificativas de que a condição social do aluno fosse o impedimento para seu avanço escolar. Basta lembrar que estatísticas do PISA mostram que os alunos mais pobres de Xangai, Vietnã, Japão, Coreia do Sul sabem mais matemática que os 10% dos alunos mais ricos da Europa. Idem Sobral, Brejo Santo e dezenas de cidades cearenses cujas redes são movidas pelo método fônico.

Sobral tem IDH-M de 0,714 e Marília 0,798 e a renda per capita da cidade cearense é menos da metade de Marília: R$ 448,89 x R$ R$ 953,20. Mesmo assim Sobral evoluiu quase 5 pontos nos últimos 10 anos contra 1,6 da cidade paulista. A rede Sesi, com prédios suntuosos e infra estrutura invejável, leva uma surra das escolas cearenses, pobres e desestruturadas. Motivo principal: o método utilizado para alfabetizar em muitas escolas cearenses é o fônico.
O vexame paulista conduzido pelo construtivismo se espalha por médias e grandes cidades como Campinas onde cada aluno custou, nos últimos 5 anos, R$ 15.478,40 aos cofres públicos e, pior, com um IDEB de apenas 6,1. O investimento total na rede, durante este período,  foi de R$ 907.527.741,17. Pra onde escorre tanto dinheiro?
Tupã e Garça, duas cidades da região da alta paulista gerenciadas por "doutores em educação" formados pela Unesp, entram na lista de vexames. Cada aluno de Tupã custou, no período, R$ 8,953,17 de um total de investimento de R$ quase 36 milhões e seu  IDEB foi de 6,8.

Garça, com quase 45 mil habitantes, conduzida pelo construtivismo, atingiu apenas 6,1 de IDEB (abaixo da meta) e despejou R$ 38 milhões em 2019. Nos últimos 5 anos o investimento médio foi de R$ 29.224,95 e cada aluno custou R$ 6.933,89.

Onde está o erro? No primeiro ano do ensino básico. No método de alfabetização que não alfabetiza. E, todos os anos, os gestores carregados de títulos, repetem a mesma pedagogia...e obtém os mesmos péssimos resultados. Todos os anos. Garça, por exemplo, em 10 anos, evoluiu 1 ponto no Ideb mesmo pagando ao Sesi por um método que não alfabetiza.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Eficácia na sala de aula

O desempenho dos alunos melhora consideravelmente quando os professores utilizam mais tempo em sala de aula com atividades relevantes.

Por Miriam Nitcipurenco de Souza

Quando se pergunta o que falta para melhorar a educação no Brasil, as respostas são velhas conhecidas e, quase sempre, contrariam a realidade: faltam investimentos, faltam professores, faltam escolas.

Sobre investimentos, estatísticas do Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) mostram que investir dinheiro nem sempre significa dar boa educação.

Coreanos e brasileiros

A Coreia do Sul, cujos alunos permanecem entre os líderes do Pisa (particularmente em matemática), investe, em média, bem menos que a maioria dos países integrados na OCDE com resultados muito melhores.

Todas as capitais brasileiras perderam para Teresina, que atingiu o primeiro lugar na lista das melhores notas dos anos iniciais do Ideb, embora se localize num dos estados mais pobres do Brasil. Identicamente os investimentos na educação no Ceará são infinitamente menores que S. Paulo e Campinas mas, em 2017, 82 escolas cearenses estiveram na lista das 100 melhores notas do Ideb do país. Sobral atingiu nota 9,1 em 2017 contra 6 da capital paulista e 6,1 de Campinas.

Granja, um município com pouco mais de 50 mil habitantes, PIB per capita baixíssimo e detentora do segundo pior IDH do estado cearense, colocou três escolas na lista das melhores notas do Ideb do país. A maioria dos matriculados da Escola Esmerino Arruda é pobre mas seus alunos conquistaram nível de proficiência 9 em matemática, nível máxima da escala do Saeb. O método utilizado para alfabetização é o fônico.

Qualidade com equidade

“A demanda por matrículas e professores caiu em todo país e o sistema educacional já expandiu além dos limites”, como disse o professor João Batista Araújo em artigo no Jornal O Estado de S. Paulo. Para ele o desafio agora é “promover a qualidade com equidade e para isso é necessário utilizar melhor o tempo na sala se aula”.

Mais tempo com atividades relevantes

Estudos do Banco Mundial e pesquisas do iDados mostram que o desempenho dos alunos melhora consideravelmente quando os professores utilizam mais tempo em sala de aula com atividades relevantes. A mesma pesquisa mostra que, no Brasil, os professores que usam pelo menos 80% do seu tempo com atividades relevantes ficam entre 35% a 58% no 5º ano e entre 36% a 48% no 9º ano.

Considerando que as escolas públicas do país oferecem entre 4 a 4:30h de aulas por dia e levando em conta o recreio e o tempo desperdiçado acima citado, restam 2 horas/dia de aula, metade das 800 horas anuais e um desperdício de R$ 150 bilhões.

Outro ponto questionado: escola de tempo integral melhora os índices de aprendizado? Os números mostram que não. O aumento de tempo não está correlacionado com o desempenho nas notas da Prova Brasil. Isto é, os benefícios são irrelevantes.

A sugestão é simples: utilizar melhor o tempo em sala de aula (na média internacional os professores usam mais de 80% com atividades relevantes) além de aumentar para 5 horas o tempo das aulas. E um currículo simples e bem estruturado com práticas pedagógicas eficazes

Miriam Nitcipurenco de Souza é pedagoga

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Professores com salários acima de R$ 55 mil. Falta investimento para a educação?

CPI da Assembleia Legislativa de São Paulo apura como funcionários de universidades públicas do Estado ainda recebem acima do teto definido em lei. Universidade de São Paulo tem as maiores aposentadorias. (Foto do site https://www.marilia.unesp.br/index.php#!/processo-eleitoral/apresentacao)

Marco Antonio Araujo e Karla Dunder, do R7
08/05/2019 - 04h00 (Atualizado em 08/05/2019 - 07h42)

O Portal da Transparência da USP revela: um professor aposentado da Universidade chega a ganhar R$ 69.265,07. Nessa lista – que motivou denúncia do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo – o segundo professor mais bem remunerado recebeu R$ 54.519,75.

A denúncia do MP colocou as três principais universidades públicas de São Paulo (USP, Unesp e Unicamp) na mira da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado). Os parlamentares paulistas instauraram uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar como funcionários públicos ainda recebem acima do teto definido em lei — que é de R$23.048,59, o salário atual do governador — mesmo com o país tendo de enfrentar o difícil debate sobre a reforma da Previdência, com seus privilégios reservados às elites do funcionalismo. Nesta quarta (8) acontece a primeira reunião de trabalho da CPI.

O MP entrou com pedido de medida cautelar para que as três universidades parem de pagar salários acima do teto imediatamente, com devolução dos valores recebidos de forma irregular, sob pena de afastar os reitores das instituições. De acordo com o MP, as instituições são responsáveis por um rombo de R$ 17 milhões por ano pagos de maneira irregular aos servidores.

O governo de São Paulo é responsável por manter as três universidades públicas, que recebem 9,57% da receita do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do Estado e têm autonomia para gerir essa verba, estimada em R$ 9 bilhões por ano. Esse repasse foi estabelecido há 30 anos por decreto do então governador Orestes Quércia, que também garantiu total independência para as três instituições gerirem os recursos.

Questionadas sobre a ação do Ministério Público, as universidades se pronunciaram por meio de nota.

A USP informou que “prestará todos os esclarecimentos necessários e apresentará os recursos cabíveis, assim como tem feito em todos os processos em que a questão do teto remuneratório é suscitada, todos ainda em trâmite”.