terça-feira, 29 de novembro de 2016

O que o Jornal Nacional precisa saber: Cuba antes e depois da "revolucion" de Fidel


Como era Cuba antes de 1959: maior renda per capita entre países ibero-americanos
Por Edson Joel

Cuba divide-se em duas épocas: antes e depois da revolução de Fidel Castro, em 1959. E o que existia em Cuba, antes do comunismo? O que você sabe sobre o país antes da chegada de Castro no poder? Se você desconhece, não se sinta mal. A Globo mostrou que também não sabe.

O jornalismo da emissora, na cobertura da morte de Fidel, passou uma falsa ideia do "líder do povo cubano", como denominou a emissora em seu principal jornal e da realidade do país. Sempre simpático e sorridente nas imagens selecionadas pela Globo, Castro posou de herói. Oras, o "presidente de Cuba"  nunca foi eleito e o povo, sob armas, nunca pode contesta-lo. Que líder foi esse?

Na verdade Fidel permaneceu no poder sob um regime de ditadura extrema e violenta e a custa de mais de 120 mil fuzilamentos e prisões de opositores que promoveu logo no início do seu governo. E, até mais recentemente, fuzilamento dos que tentavam fugir da ilha. Desde 1959, quando tomou o poder pelas armas, nunca houve eleição em Cuba. Jornal, apenas um, o Granma, oficial do regime. A emissora de TV é controlada pelo governo. Nenhuma liberdade individual. Até o sorvete na praça só o fabricado pelo governo. A comida conseguida pelo cartão de racionamento dura 5 dias e o salário de um cubano dá pra comprar 4 quilos de carne de frango. As "casas" dadas pelo governo são prédios antigos, construídos antes do socialismo.

Restaram os carros antigos - americanos - da década de 50 e esperança de dias melhores, sem a revolução que separou famílias e gerações. Os jovens cubanos pouca importância dão para Fidel e sua revolução. Eles não tem internet em casa porque é proibido e nas lan-houses só podem acessar os sites autorizados pelo governo. Tudo é controlado.

Pior que a simpatia global foram citações mentirosas como creditar a Castro a excelente qualidade da educação e a saúde pública do país.  Oras, uma pesquisa simples mostraria que já em 1956 a ONU reconhecia Cuba como o país íbero americano com o menor índice de analfabetismo. O que Fidel fez foi apenas manter a mesma estrutura e política educacional implantada 20 anos antes da Revolução Cubana. Segundo Yoani Sánchez, opositora ao regime, também é falsa a informação de que a educação é grátis pois, os pais são obrigados a comprar material escolar, consertar cadeiras e pagar por lâmpadas e encanamentos. Nem refeições para crianças do fundamental existem. O "lanche" obrigatório oferecido pelo governo é recusado pelas crianças e os pais levam comida de casa que geralmente é repartido com os professores.

Mais por ignorância jornalística que má fé, a emissora brasileira deu a entender que foi graças a "revolucion" que Cuba forma uma grande quantidade de médicos, um mito comunista. Mentira: antes de Fidel, por volta de 1957, Cuba já detinha o maior número de médicos per-capita, segundo a ONU, entre países ibero-americanos. Hoje os serviços desses profissionais são "vendidos" pelo governo de Cuba que fica com 70% do salário pago por outros países. Os hospitais da "revolucion" são sujos, mal conservados e os pacientes são obrigados a levar roupa de cama, produtos de higiene pessoal e para limpeza dos banheiros, material hospitalar como injeções, gases, material cirúrgico e até medicamentos. O que estão fazendo, então, tantos repórteres na ilha?

Cuba em 1956: renda per capita invejável

A ilha cubana foi um enorme centro turístico - até a chegada de Fidel - com moderníssimos hotéis, com maior número de carros entre países ibero-americano e, na década de 50, chegou a ocupar a segunda posição em renda per-capita entre países do centro e sul da América, maior que a Itália e mais que o dobro da Espanha e causava inveja a Áustria, Irlanda e Japão. Por volta de 57 a paridade dólar/peso cubano era 1 por 1.

O Captólio cubano - cópia do americano - e todos os prédios em concreto armado, foram construídos antes de Fidel e sua revolução. Hoje Havana é um amontoado de lixo e prédios desabando. Como Havana transformara-se num paraíso para turistas, a tecnologia chegava fácil e rápido à ilha, como ar condicionado central no Hotel Riviera, muito antes de chegar ao Brasil, por exemplo.

A jornada de trabalho de 8 horas, salário mínimo e autonomia universitária já existiam em  Cuba por volta de 1937. Não foi obra do socialismo. A TV em cores, que no Brasil chegou na década de 70, já existia em Cuba no ano de 1958. Havana já tinha mais de 160 emissoras de rádio na década de 50/60 e mais de um milhão de rádios receptores e mais de 350 salas de cinema. A primeira estação de rádio foi fundada em 1922.

O país, que hoje vive de cotas de alimentos, já foi segundo colocado na América no consumo calórico per-capita diário. Bem antes, por volta de 1829, Cuba já se utilizava de máquinas e barcos à vapor. A ferrovia foi instalada em 1837. Telefonia sem interferência de telefonistas foi implantada em Cuba muito antes que nos países latino-americanos. Em 1918 o país já concedia o divórcio que só chegou ao Brasil quase 60 anos depois.

A democracia cubana elegeu na década de quarenta seu primeiro presidente negro, fato que só ocorreu nos Estados Unidos 68 anos depois. Cuba detinha uma constituição considerada avançadíssima para a época como reconhecer o direito do voto das mulheres, igualdade de direitos entre sexos e raças e direitos trabalhistas. A ilha, antes da revolução, era a terceira maior produtora de arroz nas Américas Central e do Sul.


As desigualdades sociais - comuns na maioria dos países, naquele período - levaram Fidel Castro liderar uma guerrilha contra Fulgêncio Batista, derrubado em janeiro de 1959. As promessas da "revolucion" eram de fartura e igualdade. Castro tomou o poder, acabou com as eleições, implantou uma ditadura violenta, matou mais de 120 mil cubanos opositores e destruiu o país. O comunismo cubano foi sustentado pela URSS até falir em 1989. Sem a ajuda soviética, Cuba definhou mais rapidamente.

Sem sucessores, o comunismo acabou em Cuba sem Fidel.

Fontes: ONU, NY Times, Yaoni Sànchez
Capitolio cubano, construção antes da revolução
Construções modernas, antes da revolução
Bondes chegaram em Cuba no começo do século
"Fuzilaremos, sim. Temos fuziliado. Fuzilaremos e continuaremos fuzilando se for necessário"  Discurso de Che Guevara na ONU.

Fidel Castro: discurso de 9 horas falando da revolução. Os jovens ignoram Fidel e a história revolucionária.
Fidel amarra opositor que será fuzilado. Raul Castro coloca venda enquanto Guevara observa. Mais de 120 mil fuzilados por discordar da revolução. Muitos morreram tentando escapar da ditadura.
O que restou de Cuba: prédios antigos construídos antes da revolução.
Na foto o capitão Gracia Olay é fuzilado em Santa Clara, sob o comando de Che Guevara.

Cuba hoje, 57 anos de revolução: decadência e pobreza. Faixa tenta motivar o povo cansado de ter esperança e viver sem liberdade.