segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

O que falta para o cinema brasileiro?



Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

Segundo a Agência Nacional de Cinema (Ancine) o Brasil está produzindo mais filmes. Em 2016 foram 143 longas-metragens contra 70 filmes produzidos 10 anos antes. Mas, a bilheteria de filmes nacionais é um fiasco se comparada com produções estrangeiras.

Basta citar que só 22 filmes, destes 143 lançamentos, tiveram público acima de 100 mil espectadores, 4 atingiram 50 mil. Quase 100 filmes conseguiram público de 10 mil espectadores e quase 50 filmes tiveram menos de mil bilhetes vendidos.

Cerca de 184 milhões de espectadores foram ao cinema entre 2016 e 2017 tendo gerado uma renda bruta próxima de R$ 2,5 bilhões. Os filmes nacionais participaram com R$ 30,4 milhões desse total tendo Os Dez Mandamentos na liderança da venda de bilhetes.

Para se ter ideia da diferença, em 2009 o filme Avatar faturou quase U$ 3 bilhões em todo mundo e U$ 760 milhões só nos Estados Unidos. A bilheteria mundial de Titanic, em 1997, foi de U$ 2.8 bilhões e U$ 760 milhões em solo americano. Star Wars, de 2015 segue o mesmo caminho. Isso em dólares. O filme Jogos Vorazes (2013), colocado em 49º das melhores bilheterias de Hollywood faturou US$ 865 milhões (mundo) e US$ 424.7 milhões (salas americanas). 

O diretor Domingos Oliveira, em depoimento para o Globo diz que esse fracasso "é fruto de uma política de financiamentos sem eixo ou estratégia". Ele mesmo comenta o fiasco comercial do seu filme BR 716 - estrelado por Caio Blat e Sophie Charlotte - premiado em festivais e fracassado nas bilheterias.

— Recebemos, desde o primeiro dia, elogios inacreditáveis. No entanto, o filme é um estranho fracasso. Lotou as pouquíssimas salas em que esteve disputando espaço com os outros 142 porque não encontrou nenhuma distribuidora interessada, ainda que de pequeno porte, resultando numa bilheteria baixa. Lançamos o filme nós mesmos, perdemos dinheiro. O fato de “BR 716” não ser um produto autossustentável é o que chamo de escândalo — disse Domingos para o jornal O Globo.

As maiores bilheterias são Os dez Mandamentos (12 milhões), Tropa de Elite 2 (11 milhões), Minha Mãe é uma Peça (10 milhões), Se eu fosse Você 2 (6 milhões), Dois filhos de Francisco (5 milhões), De pernas pro Ar e Carandiru (4,8 milhões).

Porque o cinema nacional deve ter financiamento público se é puramente atividade econômica de interesse privado? Cinema é um negócio privado que deve dar lucros e deve ser administrado por profissionais e não por filósofos? Faltam distribuidores?

Hollywood depende unicamente de lotar salas e vender produtos associados aos seus lançamentos e para atrair espectadores é preciso bons roteiros e bons profissionais na produção, finalização, negociação com distribuidoras e no marketing. Cinema é negócio. É tudo que falta no cinema nacional.

Na contramão de tudo isso os sonhadores brasileiros esperam o aparecimento de distribuidoras e exibidoras que "apostem em produções independentes e autorais" abrindo salas que mantenham mais tempo filmes nacionais para atrair público. Porque a iniciativa privada se disporia a perder dinheiro se o objetivo de quem produz também é de faturar? Atrair espectadores não depende do tempo de permanência do filme, mas de um bom roteiro. É o que falta no cinema do país, segundo o produtor Dov Simens:

- Vocês não sabem contar histórias. Não têm experiência. Neste momento, são bebês nisso. E não se comparem a Hollywood: nós podemos ganhar dinheiro com qualquer coisa. O novo Super-Homem é um tédio, ninguém dá à mínima para a história. Mas, faz dinheiro.

Claro que, exageros à parte, Simens critica o amadorismo de como se leva o cinema nacional - muita filosofia, ideologia e péssimos roteiros - quando diz que só é preciso duas semanas para se escrever um roteiro. "Não entendo esses idiotas que vão aos festivais e dizem que trabalharam naquele projeto durante dois anos. Os Estados Unidos não vão te contratar se você vai levar dois anos para escrever um roteiro. São duas semanas. Tem gente aqui fazendo roteiro em duas semanas? Nem de longe" - critica Simens.

Ele diz que não há indústria de cinema no Brasil e que "o paísl é viciado em financiamento de filmes com dinheiro público". Sobre ausência de distribuidoras, Simens, falando para o iG, bate pesado:

- É só assinar um cheque. Como vocês não sabem isso? É tão simples. O negócio das salas de cinema é alugar cadeiras e vender doces. Se você quer seu filme no cinema, alugue. É óbvio. Acho fascinante que vocês não façam isso aqui. Pague. É um negócio. Vocês querem que os filmes de vocês sejam exibidos nos Estados Unidos? Aluguem nossos cinemas. Simples assim.

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Cinema brasileiro está viciado em financiamento público

Ex-professor de Tarantino e Spike Lee, norte-americano Dov Simens defende modo de produção privado para realizar filmes. Foto iG. 
Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

Para Dov Simens - ex-professor de Tarantino e Spike - o cinema brasileiro está viciado em financiamento público para seus filmes ao contrário do que ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos, onde a iniciativa privada busca recursos fora do eixo governamental para suas megas produções com mercado mundial. A Motion Picture Association of America diz que as seis indústrias que representa geram mais de 2 milhões de empregos além de contribuir com bilhões de dólares para a economia do país.

Ele tem percorrido o mundo pregando como se faz uma produção privada, sem depender dos editais públicos para gerar recursos para produções. Suas aulas não são artísticas, mas de negócios. Ele, de início, aconselha: roteiro simples com locação única e poucos atores.

Numa entrevista ao IG, em 2013, Simens diz que os produtores brasileiros "estão totalmente viciados no governo e no socialismo em termos de financiamento e negam a figura do empreendedor".

Ele defende o uso de merchandising como maneira de fazer entrar dinheiro no filme (atores usando carros de determinada marca ou o momento dramático da explosão ocorre frente a um grande luminoso da Pepsi, Sony...). 

iG: Mas como conseguir o dinheiro para começar, sem ajuda do governo?

Simens: É preciso começar de baixo. Se quer que um estúdio de Hollywood te dê US$ 100 milhões (R$ 217,5 milhões) para fazer um filme, primeiro precisa fazer um de US$ 20 milhões (R$ 43,5 milhões) que dê lucro. Se não tem esse dinheiro, faça um de US$ 2 milhões (R$ 4,3 milhões) que dê lucro. Se também não tem esse dinheiro, faça um de US$ 200 mil (R$ 435 mil) ou de US$ 20 mil (R$ 43,5 mil). Se não tem US$ 20 mil, arrume um emprego. Trabalhe no Starbucks, economize. Estamos no capitalismo, não no socialismo. E há muitos milionários aqui que dão dinheiro para o balé e a ópera. O que ganham em troca? Nada. É possível apresentar projetos de cinema para eles, principalmente se estamos falando de US$ 10 mil ou US$ 20 mil. Ensino a fazer isso e, se for preciso, o crowdsourcing (modelo de negócios que arrecada dinheiro geralmente por doações online). Fiz isso apenas como experiência, como professor. Coloquei um vídeo na internet e expliquei o que queria. Em três dias tinha US$ 50 mil (R$ 108,7 mil), que depois devolvi.

iG: Um dos maiores problemas do cinema brasileiro hoje é a distribuição, já que o mercado fica principalmente nas mãos dos grandes lançamentos. Depois de conseguir produzir o filme independente, como fazer para que ele chegue às salas?

Simens: É só assinar um cheque. Como vocês não sabem isso? É tão simples. O negócio das salas de cinema é alugar cadeiras e vender doces. Se você quer seu filme no cinema, alugue. É óbvio. Acho fascinante que vocês não façam isso aqui. É claro que pode acontecer de naquela semana um cinema de dez salas não querer alugar uma delas para você, por mais que você pague, pois acredita que pode fazer mais dinheiro com outros filmes. É possível. Então por que você não lança o seu na semana que vem? É uma negociação. Não posso te dar uma resposta exata, mas preciso te deixar pensando: você pode lançar seu filme. Pague. É um negócio. Vocês querem que os filmes de vocês sejam exibidos nos Estados Unidos? Aluguem nossos cinemas. Simples assim.

iG: Acha que há mais espaço para o cinema brasileiro no exterior?

Simens: Tenho certeza de que vocês têm outros filmes bons além de "Central do Brasil" e "Cidade de Deus". Tenho certeza de que vocês têm histórias maravilhosas. Vocês fizeram cerca de 90 filmes no ano passado. Tenho certeza de que os americanos gostariam de quatro ou cinco. Mas os nossos distribuidores e nossos cinemas não vão pagar você, não vão levar você para os Estados Unidos, não vão fazer o seu marketing. Isso é burrice. Vocês pagam a gente. Se vocês querem filmes brasileiros nos Estados Unidos, aluguem nossos cinemas. E isso também agregará valor ao longa. Se tiver distribuição nos EUA, se tiver resenhas lá, se sairá melhor aqui no Brasil.

iG: Os festivais não são uma boa maneira de vender o filme para o exterior?

Simens: Há 25 anos existiam uns 12 festivais no mundo. Hoje, há entre 2 mil e 3 mil. Os representantes das distribuidoras vão a no máximo 20. Só importa se você for a um destes 20.

iG: Cineastas como Fernando Meirelles e Moacyr Góes disseram que faltam bons roteiros no Brasil . Como desenvolvê-los?

Simens: Vocês não sabem contar histórias. Não têm experiência. Neste momento, são bebês nisso. E não se comparem a Hollywood: nós podemos ganhar dinheiro com qualquer coisa. O novo Super-Homem é um tédio, ninguém dá à mínima para a história. Mas faz dinheiro. Então não se comparem com os blockbusters. Um roteiro de 90 páginas tem cerca de 50 cenas. A cada duas páginas, é preciso mudar algo. Não pode ser linear, tem de ser uma montanha-russa. Acho que ninguém aqui sabe disso. E só é preciso duas semanas para escrever um roteiro. Não entendo esses idiotas que vão aos festivais e dizem que trabalharam naquele projeto durante dois anos. Os Estados Unidos não vão te contratar se você vai levar dois anos para escrever um roteiro. São duas semanas. Tem gente aqui fazendo roteiro em duas semanas? Nem de longe.

iG: Acha que a parceria com a televisão pode ser boa para o cinema brasileiro?

Simens: São duas indústrias diferentes, mas interligadas. Os empregos estão na televisão. Vocês aprenderam a fazer novelas. Fazem muito bem, são os reis das novelas. E aprenderam a vendê-las para a Coreia, o Japão, as Filipinas, que as traduzem para seu próprio idioma. Isso é um negócio, uma indústria estabelecida. Fazer televisão é mais difícil do que cinema, porque você tem o tempo exato, os comerciais. Qualquer um que consegue fazer uma sitcom de meia hora ou um drama de uma hora para a televisão consegue fazer um filme, porque trabalha pensando na eficiência. Sua indústria televisiva é ótima, mas também vai desaparecer. Porque com coisas como Tivo e DVR, que permitem gravar os programas, ninguém vai assistir aos comerciais e o dinheiro dos anúncios vai desaparecer. Os anúncios estão saindo da TV e indo para os filmes, inseridos como merchandising. Aqui a televisão sabe conseguir financiamento com anúncio, mas o cinema não. Nos EUA, os filmes se pagam em parte com anúncios. Você viu o novo "Super-Homem"? Aparece Mc Donald's, Sears...

iG: Mas não há o risco de ficar com cara de comercial?

Simens: Sempre que alguém me pergunta qual é meu filme preferido, respondo que é qualquer um que dê lucro. Acho uma resposta boa e correta. Mas geralmente as pessoas insistem e digo que, nos últimos dez anos, meu filme favorito é "Sex and The City 2". Achei incrível e não era nada além de um comercial. Tinha 96 logos naquele filme, cada um pagando entre US$ 300 mil (R$ 652,7 mil) e US$ 2,3 milhões (R$ 5 milhões) aos produtores e distribuidores. Eles pagaram o filme antes mesmo de fazê-lo. Acho isso genial. Adoro o negócio do cinema, acho mais fascinante do que fazer cinema. A arte, para mim, é o negócio.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A decadência da Suécia


Milhares de suecos protestam no centro de Estocolmo, em abril do ano passado, contra o atentado terrorista praticado por um imigrante que deixou 4 mortos e 15 feridos.

Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

A nova geração de suecos nasceu "politicamente correta"... e completamente inocente. E isso está levando o país ao retrocesso. O caminho está pavimentado para tal. Da tranquila, ordeira e civilizada região, agora a Suécia já exporta terroristas.  Alimentados e induzidos pela mídia, o povo tem medo de se manifestar contra a atual política migratória e o caráter assistencialista das políticas públicas. Os que usam de franqueza acabam chamados de racistas, perseguidos pela mídia e perdendo seus empregos.

O país vive sob a violência praticada por imigrantes "carinhosamente" recebidos pelo culto povo escandinavo e, se a onda migratória continuar na mesma velocidade, os nativos serão minoria no próprio país, brevemente Em 20 anos a Suécia entrará em falência. Afinal, alguém terá que pagar a conta.

Por conta da imigração desenfreada a taxa de estupros aumentou consideravelmente entre mulheres suecas. Carros queimados, lojas destruídas e mulheres agredidas de forma violenta por imigrantes que as consideram vestidas fora do padrão do Islã tem sido comum no país. O governo banca tudo para os imigrantes que, geralmente não trabalham por falta de qualificação num parque industrial afinado com a tecnologia.

Cinco dias de arruaças com carros incendiados, lojas destruídas e cidadãos atacados por imigrantes descontentes com que recebem do governo, de graça.

A demonstração de extrema solidariedade dos voluntários suecos parece ter acabado. No início, quando as cidades eram invadidas por imigrantes, eles surgiam de todos os cantos com roupas e comidas. Hoje, não mais. Considerado próspero e civilizado, a Suécia corre o grande perigo de se nivelar a países do terceiro mundo.

Em outubro de 2015, Stefan Löfven, Primeiro Ministro, concedeu uma entrevista coletiva e afirmou que a "Suécia se encontra em estado de crise" . Instado a esclarecer sua declaração, Löfven não conseguiu explicar nada de forma coerente.

O site Gatestone Institute cita que o analista social e historiador dinamarquês Lars Hedegaard observou, de maneira profética no livro "Farliga ord" (Palavras Perigosas), que "se há uma lição a ser tirada da história, é que aquilo que se acredita que não irá acontecer, acontece. E acontece o tempo todo. A consequência final da política de imigração do Ocidente e acima de tudo da Suécia é o colapso da economia porque, afinal de contas, quem irá pagar por tudo isso? E colapsos econômicos, quando ocorrem, sempre ocorrem com extrema rapidez".

O país está se enfiando em dívidas - tomando dinheiro emprestado - para bancar sua "política humanitária". Os impostos sobem, salários baixam e os serviços públicos mal conseguem atender os imigrantes quanto mais os nativos.

"A situação é extremamente grave" - disseram membros do primeiro escalão do governo. O diretor geral dos serviços de imigração Anders Danielsson disse que, "considerando a estrutura do sistema que temos, estamos nos aproximando do fim da linha". Faz dois anos que as deportações começaram na Noruega, Suécia e Alemanha.


A Suécia tem 10 milhões de habitantes e cerca de 15% são de refugiados que buscam o país por ser considerado "o mais hospitaleiro" já que reserva 1% do seu PIB para ações humanitárias. Os imigrantes chegam da Síria, Afeganistão, Iraque, Curdistão, entre outros. Em 2014 cerca de 21,5% da população residente na Suécia eram descendentes de estrangeiros, pouco mais de dois milhões.

Para Aje Carlbom, antropólogo da Universidade de Malmo, a tentativa de integração da primeira geração de imigrantes é caso perdido. "Talvez na terceira eles já saibam falar nossa língua" - disse.

Roberto do PT denunciou o partido e foi assassinado


Por Edson Joel

José Roberto Soares Vieira, 47 anos de idade e ex-prefeito petista de Ourolândia, na Bahia, morreu com 9 tiros dados por um assassino que o esperava na porta da sua empresa de transportes, em Candeias. O criminoso abordou Roberto oferecendo serviços de limpeza, sacou uma arma, atirou e fugiu, não sendo identificado. O crime foi planejado considerando que esta mesma pessoa já estivera no local insistindo numa vaga de emprego. O caso ocorreu no último dia 17 de janeiro e parece ter sido queima de arquivo considerando que Roberto do PT, como era conhecido, havia confirmado a existência de um esquema de corrupção na Petrobras.

A PF, na sua 47ª ação na Operação Lava Jato, prendeu em novembro o ex-gerente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, José Antônio de Jesus. Na denúncia Roberto estava entre outros acusados envolvidos na delação do empresário Luiz Fernando Nave Maramaldo que apontou a prática de desvio de grandes somas da Petrobras em benefício do Partido dos Trabalhadores da Bahia. Além dele José Antônio de Jesus, (ex-gerente da Transpetro), José Roberto Soares Vieira (empresário), Adriano Silva Correia (engenheiro civil) estão na relação da PF.

Foi Sérgio Moro, juiz da Lava Jato, que alertou para a possibilidade deste ter sido o primeiro assassinato ligado a operação anticorrupção que lidera em todo país. Em 26 de janeiro, em um despacho, Moro alertou: “Não se pode excluir a possibilidade de que o homicídio esteja relacionado a esta ação penal, já que, na fase de investigação, o referido acusado aparentemente confessou seus crimes e revelou crimes de outros”.

Roberto morava num condomínio de luxo, em Camaçari, e possuía um Land Rover que pretendia blindar porque pressentia o perigo.

O assassinato com 11 tiros do ex-prefeito Celso Daniel de Santo André, também do PT, permanece envolto em mistérios. Celso, como Roberto, pode ter sido executado pelos mesmos motivos: sabia demais sobre esquemas de corrupção. No caso de Celso mais 8 pessoas, todas testemunhas de fatos ligados à sua morte, foram assassinadas, também.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Os discursos de Lula são falsos como a platéia que aplaude

Ele sabe que suas mentiras não convencem nem a plateia comprada com mortadela. Seu discurso acabou.

Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

Os discursos de Lula estão se esgotando. A ladainha, repetida centenas de vezes, é a mesma: "a elite perversa me odeia porque ajudei os pobres, acusação sem provas, sou inocente, a culpa é da Globo, foi a Marisa que alugou, o sítio não é meu... eu não sei... eu não vi... eu não ouvi...

A plateia que ouve e aplaude veste camisetas e portam bandeiras. É claque de auditório, pessoas pagas para aplaudir, rir ou chorar, conforme o comando. O PT sabe que não mobiliza massas, mas paga algumas centenas para ameaçar juízes e impressionar a mídia com cara feia e badernas. O papel de bobo da corte fica para o advogado que não constrói argumentos jurídicos mas acusações contra magistrados para impressionar. Não convence, não emociona.


A estratégia é a mesma: defender-se acusando, mentindo, camuflando, confundindo e acreditando que o povo se levantará para defende-lo. Ele próprio já percebeu que seus discursos inflamados não convencem porque são falsos como sua plateia contratada. Terminado o evento, condenado ou não, independente do resultado, todos levantam as barracas e vão pra casa, com o cachê no bolso. Não há ideologia, mas pão com mortadela.

Ao deixar Porto Alegre com 12 anos, em regime fechado, com 3 votos a zero por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o advogado de Lula apresentará seus recursos aos mesmos magistrados que sentenciaram seu cliente. A autorização do colegiado para recolhe-lo à cela já está dada. Em dois meses o ex-presidente pode ser recolhido ao cumprimento da pena e, enquadrado na Lei da Ficha Limpa - sancionada por ele mesmo, quando presidente - não poderá se candidatar.

Para aumentar a tragédia, Sérgio Moro deve condena-lo no processo do Sítio de Atibaia, que a defesa alega não ser dele apesar de ter visitado o local mais de 100 vezes, com a família e a corte e ter recebido reformas da OAS e Odebrecht conforme centenas de provas, materiais, depoimentos e evidências que vieram das empreiteiras corruptas. O sítio está em nome de sócios do filho, também envolvido com a Lava Jato. O sítio é resultado da promiscuidade do petista na relação com fornecedores igualmente corruptos.

Lula envolvido em 13 casos, 80 milhões de propinas, 3 mil evidências e farta documentação que qualquer curioso poderá analisar nos processos.

A lista de acusados e condenados pela Lava Jato é imensa e envolve ministros, senadores, deputados, marqueteiros ligados ao PT e diretamente a Lula. Durante o governo do ex-presidente e sua sucessora são dezenas de falcatruas denunciadas. A maioria já recebeu e cumpre ou cumpriu condenação. O discurso vitimista de Lula acabou.

Triplex

O ex-presidente foi condenado por Sérgio Moro a 9 anos e seis meses (sentença reformada para 12 anos e um mês, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Lula recebeu propina de Leo Pinheiro (condenado a 10 anos e oito meses nesta ação) da construtora OAS, no valor de 2,43 milhões (tríplex no Edifício Solaris, no Guarujá, benfeitorias, móveis) trocados por contratos com a Petrobras.

Instituto Lula

Neste processo Lula é acusado por receber, como propina da Construtora Odebrecht, imóvel onde abrigaria o Instituto Lula, no valor de R$ 12,42 milhões, valores recuperados em 8 contratos acordados entre Petrobras e a construtora. As negociações foram intermediadas por Antônio Palocci, então ministro do governo Lula. Nesta ação, além de Lula, estão envolvidos Palocci - que fez acordo com a justiça - Marcelo Odebrecht, Paulo Melo, Demerval Galvão, Roberto Teixeira e Glaucos Costa Margues.

Atibaia

Lula é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção passiva neste processo que envolve Marcelo Odebrecht, OAS e Schahin que bancaram as reformas no sítio. Conforme confissão de José Carlos Bunlai ele pagou R$ 150,5 mil, a Odebrecht R$ 700 mil e OAS R$ 170 mil. Neste processo são denunciados, também, "Leo" Pinheiro, Marcelo Odebrecht, Costa Marques, Bunlai, Roberto Teixeira e três outros além de Fernando Bittar, este último sócio do filho de Lula e "dono" do sítio.

Obstrução de Justiça

O ex-senador Delcídio Amaral, além de Lula, também é réu nesse processo que corre no Distrito Federal. Delcídio foi preso ao tentar comprar o silêncio de Nestor Cerveró, ex-presidente da Divisão Internacional da Petrobras, preso pela Lava Jato. Em nome de Lula, o senador ofereceu dinheiro e uma rota de fuga para evitar a prisão. No acordo com a justiça Delcídio denunciou Lula como autor da trama.

Obras em Angola

O ex-presidente sofre acusação de corrupção e tráfico de influência. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos diz que a Odebrecht corrompeu governantes de Angola com US$ 50 milhões em troca de contratos de US$ 260 milhões. O dinheiro para as obras e propina saíram do BNDS - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - por influência de Lula.


Aviões Suecos

A Justiça Federal de Brasília acusa Lula por tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa no caso da compra de 36 caças suecos no período de Dilma Rousseff, envolvendo cerca de R$ 17,5 bilhões. Luis Cláudio, filho do ex-presidente, também é acusado.

Medidas provisórias

Este processo, onde Lula é acusado de beneficiar montadoras de automóveis, Mitsubishi e Caoa teriam oferecido R$ 6 milhões para o ex-presidente e ao ex-ministro Gilberto Carvalho. A MP prorrogava incentivos fiscais para montadoras instaladas no norte, nordeste e centro oeste.

Organização Criminosa

Os ex-presidentes Luiz Inácio, Dilma Rousseff e os ex-ministros Antônio Palocci, Guido Mantega, Paulo Bernardo além de Edinho Silva, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e senadora Gleisi Hoffmann, foram denunciados ao STF por organização criminosa.

Obstrução de Justiça 2

A nomeação de Lula como Ministro da Casa Civil, em 2016, segundo a PGR, foi uma tentativa de obstruir a justiça porque o cargo poderia dar foro privilegiado. Dilma e Aloizio Mercadante são envolvidos neste caso. A PF flagrou a conversa de Dilma e Lula quando combinavam a entrega de documento de nomeação que seria enviada pelo "Bessias", caso a polícia chegasse antes para prende-lo.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O que eles estão cantando?

Canções internacionais: você sabe o que eles estão cantando?

Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

Muitos adoram e curtem músicas "estrangeiras" mas, mal sabem o que as letras dizem. Certa vez perguntei a um locutor de Rádio FM que estava curtindo uma canção do Sting, o que achava dela.

- Fantástica, a mais pedida pelo pessoal - respondeu enquanto, se contorcia ao ritmo, dentro do estúdio de locução.
- Você sabe o que diz a letra? - quis saber, por provocação.
- Não, mas a música é muito boa. É top! - confirmou.

Com meu parco inglês fiz uma rápida tradução que deu algo do tipo "por você navegarei os sete mares, você é tudo pra mim, você é a chama que queima meu coração, não vivo sem você", bla, bla, bla. Uma letra ridícula e pobre, sinceramente.

Levei a letra pra ele mas, ao invés de mostrar a tradução, levei o texto de uma música composta por uns tais José Augusto e Paulo Sérgio Vale, em 1989 (uma canção rejeitada pela gravadora) e que ele cedeu pra Leonardo Sullivan, seu primeiro intérprete e cantor nada conhecido.

"Quando eu digo que deixei de te amar
É porque eu te amo
Quando eu digo que não quero mais você
É porque eu te quero
Eu tenho medo de te dar meu coração
E confessar que eu estou em tuas mãos
Mas não posso imaginar
O que vai ser de mim
Se eu te perder um dia"...

- Puts, que genial é esse Sting. Puta letra legal! - comemorou o locutor sem saber que a "tradução" era, na verdade, "Evidência", música de um cantor considerado brega. As emissoras de FM, de então, só rodavam as internacionais.

Quando desbrinquei contando-lhe a verdadeira letra, ele se decepcionou muito. Detalhe: naquela época a música Evidências não era conhecida e a dupla Chitãozinho e Xororó só gravaria mais tarde, com estrondoso sucesso. Considerando que até gravadora já havia recusado a canção, a preferência do locutor por Sting era de menos.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Orgulhem-se, Kamakuras

O grande Buda, de Kamakura
Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

A Era Kamakura foi uma das três mais importantes no Japão (shogunato de 1185 a 1333) e começou com a derrota do clã Taira imposta pelos Minamoto.

Logo após, a cidade de Kamakura tornou-se centro cultural, militar, diplomático e comercial do Japão, uma capital. O auge ocorreu em por volta de 1230. Este foi, sem dúvida, o período de grande desenvolvimento do país. Minamoto foi consagrado pelo imperador como o grande Shogun (o imperador era figura decorativa enquanto a administração era responsabilidade do Shogun, em regime feudal) e todos os descendentes dos príncipes do clã, elevados com títulos, por hereditariedade.

No período Kamakura os samurais foram elevados ao poder e dai vem o rígido código moral onde a base é a lealdade e se manteve por séculos. Em 1274 e 1281 os mongóis, vindos da China, invadiram o Japão e foram rechaçados.

A cidade de Kamakura, com pouco mais de 160 mil habitantes e a 50 km de Tókio, é conhecida por manter templos, santuários e prédios milenares e bem conservados. Lá está o Buda. Muitos descendentes vieram para o Brasil no início de 1900, entre eles Zenith Kamakura, casado com Maria Hirano.

Estação ferroviária de Kamakura

Kamakura Hasedera Sculptures




quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Bar Abbas, o guerrilheiro judeu


Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

“Que farei de Jesus, que dizeis ser o rei dos judeus? - perguntou Pilatos.
Eles gritaram de novo “crucifica-o!"

Disse-lhes Pilatos: “Mas que mal ele fez?"
Eles, porém, gritaram com mais veemência: “Crucifica-o!”
- Quem devo libertar? Jesus da Nazaré ou Bar Abbas? - perguntou Pôncio Pilatos, o governador rom
ano nas terras da Judéia.
E o povo gritou, em coro; Bar Abbas! E ele foi posto livre e Jesus, condenado.

Mas, quem foi Barrabás?

Segundo a narrativa bíblica, Barrabás (do aramaico Bar Abbas que significa "filho do pai") foi um salteador e assassino que viveu na época de Jesus e, no momento do julgamento da figura mais popular de todos os tempos, entrou para a história cristã como uma figura do mal. No cinema Barrabás é mostrado como um louco desvairado.

Na verdade Barrabás foi um guerrilheiro que lutou contra soldados romanos que dominavam a Judeia e usava a estratégia de assaltos contra as caravanas dos dominadores. Ele nasceu em Jopa, ao sul da Judeia e fazia parte do grupo chamado Zelotes, judeus que lutavam contra Roma. Em Cafarnaum, num dos ataques, um soldado morreu e, por isso, ele foi preso e sua condenação à morte, certa.

Os Zelotes eram grupos de judeus que apostavam na guerrilha para se libertar. Zelote vem de zelo, no sentido de devoção intensa e, para se livrar dos dominadores, morrer ou matar era perfeitamente aceitável. Os Zelotes aguardavam um  Messias libertador mas se decepcionaram quando Jesus recusou a violência dizendo-lhes que "seu Reino não era desse mundo". Simão, um dos 12 apóstolos, era chamado de "o Zelote" provavelmente por fazer parte daquela facção antes de seguir Jesus.

"E havia um chamado Barrabás, que, preso com outros amotinadores, tinha num motim cometido uma morte", diz a passagem em Marcos 15:17. Em Mateus (27:16) é citado como "preso muito conhecido" e em Lucas (23:19) diz que Barrabás foi lançado na prisão "por causa de uma sedição na cidade e também por homicídio". Em João (18:40) ele é "salteador".

A narrativa bíblica demonstra que Pôncio Pilatos, por não encontrar culpa em Jesus prometeu surra-lo e liberta-lo e, diante da insistência do povo que pedia a condenação, recorreu ao argumento de apresentar outro judeu para a escolha do sacrifício na cruz.

Mas, se Pôncio sabia que Barrabás era um guerrilheiro famoso, respeitado pelos judeus e membro da Zelotes, coloca-lo numa disputa direta com Jesus seria absolvição evidente. Sobre Barrabás, após a crucificação de Jesus nada mais é encontrado na literatura cristã.

Anthony Quinn estrelou o filme Barrabas dirigido por Richard Fleischer

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Brasil é único país do mundo que utiliza urnas eletrônicas inauditáveis e obsoletas


Por Marcelo Faria |  Site Ilisp

Um estudo publicado no site do voto eletrônico pelo engenheiro Amilcar Brunazo Filho, coordenador do Fórum do Voto Eletrônico e um dos maiores especialistas em segurança de dados do Brasil, mostra que as urnas eletrônicas usadas nas eleições brasileiras estão ultrapassadas.

Exceto no Brasil, modelos de primeira geração foram abandonados por falta de confiabilidade e absoluta dependência do software. Ou seja: modificações intencionais ou erros não detectados no software podem causar erros não detectados nos resultados da votação. Pior: é impossível para qualquer cidadão auditar a votação. O ILISP traz mais informações sobre todos os modelos de votação presentes no mundo, incluindo o voto eletrônico e o voto em papel, para qualificar o debate sobre o tema. Confira.

A primeira geração (DRE)

País que utiliza: Brasil

Nas urnas de primeira geração, conhecidas por DRE (Direct Recording Electronic), os votos são gravados apenas eletronicamente, sem possibilidade de auditoria por outros meios. Deste modo, a confiabilidade do resultado fica totalmente dependente da confiabilidade do software instalado no equipamento.

Máquinas DRE foram usadas em eleições oficiais em 1991 na Holanda, em 1992 na Índia e desde 1996 no Brasil. O modelo brasileiro chegou também a ser usado em alguns países latino-americanos entre 2002 a 2006.A falta de confiabilidade do modelo DRE (ainda utilizado no Brasil) fez com que, a partir de 2004, ele fosse substituído por outros mais evoluídos e confiáveis. De 2004 a 2012, Venezuela, Holanda, Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Rússia, Bélgica, Argentina, México e Paraguai abandonaram o modelo primeira geração.

Em 2014, a Índia e o Equador também adotaram modelos mais avançados, de maneira que o Brasil é o único país do mundo que utiliza urnas eletrônicas fraudáveis e inauditáveis de primeira geração.

A segunda geração (IVVR)

Países que abandonaram sistemas de primeira geração e passaram à segunda geração: Argentina, Bélgica, Canadá, Equador, EUA (varia de acordo com o estado), Índia, México, Peru, Rússia e Venezuela.

A terceira geração (E2E)
Países que adotaram ou estão testando sistemas de terceira geração: Argentina, Equador, EUA e Israel.
Desde 2008, várias iniciativas começam a apresentar sistemas eleitorais independentes do software e que aprimoravam ainda mais os procedimentos de auditoria, registro do voto, apuração e totalização.Na Argentina (2010) foi apresentada uma cédula eleitora

l com um chip de radio-frequência (RFID) embutido onde, na mesma célula, estão presentes o registro digital e o registro impresso do voto, deixando a urna responsável apenas por gravar ambos os registros, mas não armazená-los. Esse documento é chamado de “Boleta de Voto Electrónico” (BVE) e propicia maior facilidade para eleitores e fiscais de partido auditarem o registro do voto, a apuração e a transmissão dos resultados.

Em 2009, no município de Tacoma Park, nos EUA, foi testado o sistema Scantegrity II, onde o vo to criptografado é impresso e entregue ao eleitor, que pode verificar seu processamento sem revelar o conteúdo do voto. Em Israel surgiu o Wombat, muito parecido com o Scantegrity.

As características comuns de todos esses sistemas de terceira geração são a independência do software e a grande facilidade de auditoria independente, de ponta a ponta. Por esse motivo, os sistemas de 3ª geração são designados “End-to-End verifiability” ou, E2E.

Mesmo com toda a possibilidade de votação criptografada e auditoria, estes sistemas também não estão imunes a falhas. Um vídeo divulgado no final de 2016 mostra, por exemplo, como um aplicativo de celular permite que os votos digitais – registrados no chip – sejam clonados ou tornados inválidos. Ainda assim, o voto impresso na célula seria diferente do voto fraudado, o que possibilitaria a auditoria dos votos e invalidação – ou correta contagem – dos votos fraudados.


O voto pela Internet
País que adota o voto pela Internet: Estônia

A Estônia foi o primeiro país a criar um sistema de votação pela Internet. O governo testou o sistema nas eleições regionais de 2005 e, dois anos depois, o modelo foi usado nas eleições nacionais parlamentares. Em 2015, 30% dos votos para o Parlamento da Estônia foram feitos pela Internet, enquanto o restante dos votos são feitos em papel.Cada cidadão possui um cartão de identidade dotado de microchip que dá acesso ao site de votação. Isso permite a um estoniano votar, literalmente, de qualquer lugar do mundo. Outra possibilidade teórica possível, mas ainda não implantada na prática, é o voto por meio da Blockchain, a rede distribuída e auditável do Bitcoin.

O voto em papel
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Na ampla maioria dos países do mundo, a votação ainda é feita em papel: em boa parte da América Latina e da América Central, na ampla maioria da Europa e Ásia, e em toda África e Oceania. Alguns países tentaram adotar os modelos de urna eletrônica de primeira geração e os rejeitaram por problemas de confiabilidade e transparência: Alemanha, Holanda, Irlanda, Inglaterra e Paraguai.

De acordo com a decisão do Tribunal Constitucional Federal alemão, o qual baniu as urnas eletrônicas do país em 2009, as eleições devem permitir que qualquer cidadão averigue a contagem de votos e a regularidade do pleito sem possuir conhecimentos especiais, algo que as urnas eletrônicas de primeira geração impedem que aconteça.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Primeira fórmula da Coca-Cola continha cocaína

Por Edson Joel Kamakura de Souza
Atualizado em 3 de Janeiro de 2022
A fórmula da Coca-Cola ainda contém extrato da folha da coca descocainizado.

A Coca-Cola, quando foi criada em 1869 como um tônico revigorante, continha 60 miligramas de cocaína em cerca de 240 mililitros de bebida. Além da droga extraída da folha de coca, o tônico continha álcool. Esta formula foi desenvolvida pelo farmacêutico americano John Stith Pemberton para aliviar suas dores decorrentes de ferimentos durante a guerra civil. Ele denominou a bebida com o nome de French Wine Coca, literalmente  vinho francês de cocaína).

A informação está no livro “Christ to Coke” (De Cristo à Coca), do professor de História da Arte, da Universidade de Oxford, Martin Kemp. O autor analisa a história de marcas famosas que permanecem no mercado, uma delas, a Coca-Cola.

O extrato retirado das folhas de coca, naqueles anos, não era considerado droga viciante e muito menos ilegal mas um fármaco capaz de produzir sensação de alívio e bem estar. Este potente estimulador do sistema nervoso já era consumido por índios americanos e suas folhas mastigadas por nativos latino americanos.

Curiosamente o governo da época se preocupou com o álcool no xarope e pressionou sua retirada. Em 1885 Pemberton substituiu o álcool por noz de cola e xarope de açúcar. Só em 1886 é que a bebida foi batizada com o nome Coca-Cola, resumo dos seus principais ingredientes: cocaína e noz de cola.

Vendida como "tônico ideal para o cérebro", a Coca-Cola passou a ser engarrafada em 1894 sob controle da Asa Candler que comprou a fórmula do seu criador. O extrato de cocaína (isolado por um químico alemão e utilizado para tratamento de histeria, asma e até como anestésico local) teria sido retirado da fórmula em 1905 e substituído por cafeína.

Em 1909 a fábrica de Atlanta foi invadida pela polícia federal Americana sob acusação de utilizar em sua fórmula produto - a cafeína - prejudicial à saúde. Processada por isso a Coca-Cola comprometeu-se reduzir pela metade a quantidade de cafeína na bebida e não utilizar crianças em sua propaganda.

Mas, ainda, a Coca-Cola contém extrato da folha da coca descocainizado.

Ainda nas décadas de 50 e 60 suspeitava-se da capacidade da bebida criar dependência química pela presença de cocaína, fato negado pela empresa. A Coca-Cola, quando instada sobre a famosa fórmula secreta do produto, limita-se a apresentar a composição básica do produto: a Coca original contém água gaseificada, açúcar, extrato de noz de cola, cafeína, corante caramelo IV, acidulante ácido fosfórico e aroma natural. Cada 200ml contém 85kcal e 10mg de sódio.

A empresa está convidada a manifestar-se por esta página.

Publicidade do Vinho Francês de Coca: a refrescância para o corpo e cérebro
era anunciado como cura para o vício da morfina e ópio. Esta era a
fórmula original da Coca-Cola, nome adotado em 1886.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Coca Cola dos americanos é diferente da bebida brasileira

Coca Cola do Brasil tem 67 vezes mais 4-metil imidazol (4-MI) que a bebida fabricada nos Estados Unidos

Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza

No Estado da Califórnia, Estados Unidos, o corante caramelo IV, utilizado pela Coca Cola para dar cor e sabor à bebida (contém o ingrediente 4-metil imidazol (4-MI) é considerado cancerígeno. Os estudos foram desenvolvidas por um grupo de defesa do consumidor do estado californiano cujas leis consideram o produto químico, em determinadas quantidades, altamente prejudicial à saúde. Para evitar ter que colocar no rótulo a advertência de que "este produto contém ingredientes considerados cancerígenos", a Coca e a Pepsi reduziram a quantidade do ingrediente.

O jornal digital G1 anunciou em 2012 que o alerta poderia provocar alteração na fórmula da bebida, admitida pelo fabricante que, apesar de considerar a bebida saudável, considerou possível reduzir a quantidade do corante caramelo IV no Brasil. Comparando-se a fórmula da bebida fabricada aqui com o produto americano, a fabricante brasileira adiciona 67 vezes mais 4-metil imidazol (4-MI).

A melhor defesa da Coca Cola brasileira é afirmar que "está de acordo com as normas da Anvisa" que aceita até 200 mg/kg.

"A substância mostrou-se tóxica para ratos e camundongos na concentração de 360 mg/kg" disse o toxicologista Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Segundo ele o corante caramelo IV está relacionado com câncer no sangue, câncer de pulmão e esôfago.

"A substância representa ameaça à saúde pública e deveria ser retirado pelas indústrias " disse Michael Jabocson, diretor do Centro pela Ciência de Interesse Público, da Califórnia. A FDA, Autoridade Europeia de Saúde Alimentar e a Saúde Canadá consideram o corante caramelo seguro.

No Brasil, a fabricante da bebida diz que a Coca original contém água gaseificada, açúcar, extrato de noz de cola, cafeína, corante caramelo IV, acidulante ácido fosfórico e aroma natural. Cada 200ml contém 85kcal e 10mg de sódio.