sábado, 9 de fevereiro de 2013

A verdade sobre a saúde em Cuba

A "fé" na saúde cubana

Ana Carolina Boccardo Alves - 5.8.2011

Pensei muito antes de escrever essa carta, mas por fim decidi fazê-lo. Sei que ela será polêmica, pois toca num dos pilares da revolução, a saúde. 

O que vou contar agora foi o resultado de meses de relatos de pessoas próximas. Não tenho dúvidas de que as histórias são verdadeiras. Algumas inclusive eu testemunhei. Quero deixar claro que não estou negando as conquistas de Cuba nesse setor. Acho louvável os esforços de médicos cubanos ao redor do mundo, bem como os índices do país em termos de mortalidade infantil e expectativa de vida.

Inúmeras doenças raras e graves são tratadas aqui como em qualquer país desenvolvido. No entanto, no dia a dia dos hospitais, as pessoas sofrem com a falta de infraestrutura e equipamentos.

Médicos, desmotivados por baixos salários e alta carga horária, atendem mal e induzem a família do paciente a trazer "presentinhos". Uma senhora, cuja filha tem uma doença reumática, foi aconselhada pelo especialista que não voltasse pois ele "não podia mais fazer nada". Ela juntou todas as suas economias e levou alguns CUCs (divisas que valem o mesmo que o dólar) ao médico. Desde então, ele deu sequência ao tratamento.

Quando se é internado é necessário levar um kit: lençóis, travesseiro, ventilador (acredite, para o calor insuportável daqui é necessário, já que não há ar condicionado), comida, água para beber e também para a higiene do paciente, pois falta água no hospital.

A falta de reagentes para exames é outro problema grave. Uma jovem precisava fazer exame de sangue para quatro diferentes testes. Foi pedido a ela que voltasse em três dias distintos para furar o braço, já que esses eram os únicos dias em que cada reagente estaria disponível. Quanto ao quarto reagente, não havia.

Tomografias e raios x são outros itens complicados. Uma senhora caiu das escadas e bateu o rosto, de frente, no chão. A tomografia dela demorou tantos dias (??!!) para ser aprovada que ela faleceu antes, de hemorragia interna. Faltam máscaras de esterilização, bisturis, luvas, seringas descartáveis.

Medicamentos então, um capítulo à parte. Todo e qualquer medicamento aqui se consegue na farmácia, mediante receita. Até mesmo uma aspirina precisa de receita. E para quem pensava, não são gratuitos, não. O problema é que alguns tipos de remédio simplesmente não existem aqui. Quem precisa deles, tem que conseguir no exterior.

A piada corrente é que "cubano que fica doente tem que ter "FÉ" (Família no Exterior). E posso garantir que, por aqui, a FÉ é a única que não costuma falhar.

Ana Carolina é jornalista, couchsurfer e autora do blog "Eu moro onde você tira férias" / Enviado por Ana Carolina Boccardo Alves - 5.8.2011 | 14h02m Post in blogdonoblat.oglobo.com
Situação precária da saúde pública em Cuba: muita propaganda e pouco resultado

Cena de um dos melhores hospitais cubanos

Necrotério cubano
Cada um leva seu lençol, toalhas e higiene 

Falta de infra-estrutura na saúde cubana

Na falta de ambulância, socorro com carriola