sexta-feira, 12 de abril de 2013

Porque o comércio registra vendas baixas?

Taxas de juros vão subir para combater a inflação. Vendas no varejo caem

Por Edson Joel


O fraco ministro da Fazenda Guido Mantega voltou a afirmar que expectativa da economia brasileira para 2013 é boa. Ele prevê um crescimento de 3,5% para este ano e 4,1% para 2014. As suas previsões anteriores nunca se confirmaram e por isso é alvo de constantes piadas no mundo dos negócios.

Ele disse que o governo não hesitará em tomar medidas impopulares para combater a inflação, por exemplo, aumentando a taxa de juros. Esse mecanismo já vinha sendo usado com sucesso, mas Dilma, que quer ficar pra história como a presidente que derrubou os juros, insistia em fomentar o consumo como arma contra a elevação de preços. Os juros menores provocaram aumento de preço, na verdade. As sucessivas medidas paliativas - como desonerações da folha de pagamento e queda do IPI - não surtiram efeitos e a inflação disparou. E a bandeira que Dilma queria erguer nessas eleições foi arriada.

Somente agora, com os preços dos alimentos explodindo nos supermercados é que a teimosia parece ter sido vencida. As vendas de varejo caíram 4% considerando 12 meses. Até dezembro as vendas acumulavam alta de 5,3%.


A produção de cervejas que teve alta em janeiro caiu em fevereiro e março em todo país. Uma grande rede de móveis e de elétrico eletrônicos, Lojas Cem, afirma que as vendas no primeiro trimestre caíram 50% em relação ao final do ano passado. Celulares e tablets continuam vendendo bem. A Federação do Comércio do Estado de São Paulo confirma que o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu 4,3% em relação a fevereiro.

Um estudo do Banco Credit Suisse diz que o crescimento das vendas a varejo este ano, por conta da inflação que o governo não consegue controlar, pode reduzir em 1,5%. Recorda-se que no ano passado o comércio cresceu 8%. O estudo indica que se o governo conseguir manter a inflação dentro da meta de 4,5%, as vendas no varejo podem subir

7,5%.

O jogo é simples de ser entendido: quanto maior a inflação dos alimentos menor será o consumo de outros itens porque sobra menos dinheiro. Pior, o impacto maior é para as famílias de menor renda. De fevereiro do ano passado até fevereiro deste ano, a inflação para famílias com renda média mensal de R$ 800,00 chegou ao absurdo de 8,1%. Isto porque essas famílias comprometem mais de 30% do orçamento para a compra de comida. No mesmo período a inflação para uma família com renda superior a R$ 10.400,00 foi de 6,6%.